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13 dezembro 2013

Sandálias Havaianas: quem usa é rico ou pobre?


Talvez seja ilusão da minha parte, mas de vez em quando tenho a impressão que o Brasil não avança porque a maioria dos empresários não consegue ver onde está o dinheiro, ou pior ainda, querem ver o dinheiro apenas na classe mais alta e ignoram o resto.

No elevador de um shopping no centro de São Paulo entraram dois homens elegantes conversando, um tentava dizer que a localização do shopping é excelente, a zona está melhorando graças aos investimentos imobiliários e o outro apenas respondia que o shopping não tinha o perfil que sua loja exigia, então o que tentava convencer disse:

- Mas como você pode ter certeza disso sem uma pesquisa prévia?

E o outro respondeu:

-Caminhei pelo shopping e minha conclusão é a seguinte, têm chinelos demais dando voltas aqui.

Era um dia de calor e realmente ele tinha razão, metade do shopping estava de havaianas. Estamos em um país tropical e apesar de São Paulo não ser costa mesmo assim as pessoas usam sandálias. Eu não uso porque as ruas são imundas e suja o pé, mas sou filha, neta e bisneta de índia, por mim preferiria nunca usar sapatos.

E hoje qual é o critério do chinelo? Este mesmo shopping que o rapaz despreza tem uma loja de sandálias havaianas onde o par mais barato não custa menos de trinta reais, porque agora são calçados de  gente moderninha.

Esse comentário mostra toda a ignorância do empresário, hoje em dia as coisas estão tão misturadas que não serve mais aplicar essa regra do século XIX, onde se podia julgar a classe social da pessoa pelos sapatos, hoje com tantos sapatos falsificados e pessoas que sabem aparentar o que não são, dizer que alguém que usa sandálias é pobre seria então uma conclusão precipitada.

Não sei o produto que esse empresário vende, realmente o shopping em questão não tem muitos perfis disponíveis, muita gente circula aqui, mas poucos compram. O que não gostei foi do tom dele e desse resto de mentalidade de separar sempre as classes, naquele exercício colonial. Caso ele fosse um empresário esperto perceberia o que poucos perceberam neste shopping, o potencial dele em relação a diversas classes sociais. Se ele tivesse bala na agulha e visão poderia abrir suas lojas em shoppings melhores, mas aproveitaria aqui para explorar novos comércios.

Esse nojinho da classe C e a distância que os empresários querem dela  mostra como somos pouco evoluídos e ainda somos caipiras na hora de negociar, todos preferem vender uma maça a um coronel do que a produção inteira a seus empregados, não vemos o dinheiro como o que ele é, apenas dinheiro e para quem tem negócios não importa da onde vem, interessa que entre com frequência e muito.

Se eu tivesse que investir fugiria de procurar o público classe A, um bando de enjoados e volúveis, iria direto a classe C que gasta mais do que todos pensam.

Tenho uma conhecida que abriu uma franquia de uma rede de chocolates em um shopping e vive no vermelho, mas seu irmão abriu uma rede de padarias em comunidades por São Paulo e ficou milionário em menos de dois anos. Minha amiga chega todos os dias para trabalhar e está no vermelho, mas ela adora o shopping porque é de classe, só tem gente elegante por lá, não importa se ela falir, pelo menos ficou em um ''bom ambiente''. Mas como eu conheço a família dela posso apostar que se a loja dela quebrar vai ser o irmão milionário que vai salvar a pele dela, aquele irmão que ela chama de cafona e que ''gosta de pobre'', pois é, esse irmão que vai ajudar ela, esse que adora pobre e enriqueceu graças aos pobres.

Iara De Dupont



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