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14 dezembro 2013

O sorvete da ''monga ''

Fico com essa cara depois de comer sorvete de chocolate


Sempre me perguntam da onde tiro tanta história. Não tiro de lugar nenhum, apenas sou uma pessoa observadora e com capacidade de não esquecer nenhum comentário, nem para bem nem para mal, guardo tudo e não sabia porque fazia isso até começar a escrever e perceber que tudo isso me servia horrores na hora de sentar na frente do computador.

O que acontece na minha vida tenho certeza também acontece na vida de milhões, a única diferença é que eu registro na mente e depois no papel virtual.

Hoje, por exemplo, eu conversava com um amigo sobre isso, a história do sorvete. Tive um namorado que era filho de militares e não vinha de família refinada, mas ele tinha alguma obsessão estranha com isso, foi a pessoa mais fresca que eu conheci, devo muito a ele, me ensinou a nunca usar sabão em pó na hora de lavar roupas, apenas sabão líquido, tudo que era frescura ele sabia. Algum tempo depois conheci um casal de amigos dele, imagino que veio deles a inspiração, porque eram um casal super viajado, rico e cheio de frescuras, talvez meu ex- namorado aprendeu com eles a ser cheio de dedos.

E quando eu saía com meu ex-namorado tinha uma coisa que tirava ele do sério, ele ficava doente, se a gente saísse para comer eu pedia sorvete de sobremesa. Então ele começava um sermão, dizendo que eu não era de ''hábitos refinados '' e que sorvete é coisa de gente sem elegância ou classe. Sorvete ele dizia que tinha que ser uma coisa muito específica, mas ninguém com cultura ou bons hábitos pedia um sorvete de sobremesa, isso só mostrava como a pessoa era limitada socialmente. Eu argumentava que tinha o paladar infantil e ele dizia que ''não é infantil, é paladar de monga''.

Fiquei tão traumatizada com isso que não pedia mais sorvete quando saia com ele, mas uma vez saímos e ele pediu, fiquei revoltada, quando disse que isso não era coisa de gente refinada ele se defendeu dizendo que era ''sorvete de frutas'', não o de chocolate, ''esse de monga que você come''.

Olho no espelho e me pergunto quem estava lá, porque não parecia ser eu, já passei dos trinta e não me incomodo de ter o paladar infantil, não tenho vergonha de dizer que troco o prato mais refinado e caro do mundo por uma porção bem grande de batata fritas e um sorvete gigante de chocolate. Não tenho vergonha de pedir isso em um restaurante, nem que seja mil estrelas, vergonha eu devia ter tido de namorar alguém que chamava meus gostos de ''coisas de monga ''.

Mas como dizem pelo mundo, o que um dia te faz chorar pode te fazer rir no dia seguinte, hoje dei muita risada com meu amigo lembrando disso, é verdade, continuo monga, gostando de sorvete de chocolate e achando que batata frita é a comida mais incrível do planeta. Mas eu me refinei, evoluí e hoje sou uma mocinha com classe, hoje sei escolher melhor os homens, não pego mais lixo na caçamba, percebi que meu problema não era o sorvete que eu pedia de sobremesa, mas sim o lixo de pessoa com quem eu dividia meu jantar.

A elegância, classe e refinamento está na auto-estima, não na sobremesa super estilizada. Esse amigo que sabia da história de vez em quando me liga e me chama para comer um ''sorvete de mongo'', e eu sempre respondo: Eu vou, porque sorvete de chocolate pode ser coisa de gente monga, mas pelo menos a companhia é chique. E a elegância da vida está nisso, em quem se senta com nós na mesa e dá risada das besteiras que um dia alguém disse.



Iara De Dupont

2 comentários:

Anônimo disse...

Iara, veja só que história:

http://omarxismocultural.blogspot.com.br/2013/11/o-arrependimento-de-karen-cross.html

Suzana Neves disse...

kkkkkkkkkkk essa história eu não vou esquecer também guardo tudo e vou te falar lembro de você toda vez que vejo um pé de alface.

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