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23 dezembro 2013

Eu sabia! Minha mãe quer que eu delete meus vídeos!


Como era de se esperar minha mãe subiu paredes com os vídeos que postei. Eu não disse nada porque sabia que pessoas próximas iam contar.

Na época que o blog era anônimo ela dizia apenas que eu não precisava escrever o que eu escrevia, mas depois que coloquei nome e foto ela falou um monte e agora com os vídeos eu superei segundo ela, todos os limites de discrição e joguei no lixo a educação que recebi, aquela que dizia que mulheres são seres inferiores, não pensam, não sentem, não gritam e não gozam.
Eu fiz tudo isso e ainda por cima na internet, o que fez minha mãe ficar muito puta da vida.

Talvez esse seja um grande mistério do mundo, nunca vamos saber o que nossos pais realmente querem de nós nem o que esperam, mas sabemos exatamente o que eles consideram errado.

Minha mãe me disse que se eu cheguei a esse ponto de me expor então deveria `fazer direito e ficar pelada de uma vez !´

Pelada aqui no blog faz tempo que eu estou, se ela lesse os posts saberia disso, mas ela não lê, porque fica nervosa de  ler coisas que ela acredita que eu ''deveria levar pra tumba'', já cansei de dizer a ela, histórias são para serem contadas, não para serem levadas a tumba.

Mas sei que nada disso é pessoal, minha mãe teve uma educação terrível com minha avó, em um mundo de homens elas tentaram sobreviver e acharam que o machismo poderia me proteger. Para minha mãe não faz diferença o que faço ou deixo de fazer, a única frustração que ela tem em relação a mim  é que não me casei com um executivo francês nem moro na Bélgica com seus netinhos plantando legumes orgânicos. Ela poderia tolerar qualquer coisa, desde que eu tivesse feito um bom casamento, até com um namorado que tive, hoje um jornalista famoso e milionário, minha mãe sempre joga na roda essa história, ainda acha que posso me casar com ele.

Para minha mãe e minha avó uma mulher bem sucedida e protegida é aquela que acorda e separa as gravatas do marido, o super executivo ou homem ''do bem''. Mulher que deu certo é o eco da voz do marido, aquela que segue os passos dele sem reclamar.
Sei que isso tinha sua sabedoria, tudo tem seu preço e minha liberdade tem o dela, elas sabiam  de um jeito ou de outro que eu pagaria pela minha escolha.

E minha mãe sempre me diz:
- Mas que necessidade é essa de se expor e escrever sobre coisas íntimas?

Já cansei de explicar, eu não me exponho nem escrevo sobre coisas íntimas, apenas tento sobreviver e para mim escrever significa isso, a oportunidade de conhecer pessoas parecidas a mim e me livrar da sensação que carrego há anos de ser  o último ser humano da terra.

Minha mãe é como minha avó, as duas são índias e podem ser torturadas, jamais abririam a boca, tem no sangue aquele silêncio que só os indígenas carregam, aquele jeito de nunca demostrarem suas emoções

Se minha avó estivesse viva posso garantir que o blog não existiria, já  teria me pressionado o suficiente para acabar com ele. Foi um azar para elas a minha natureza espaçosa, a minha ambição pessoal que nunca me permitiu ser sombra de nenhum homem e meus desejos de ser mais do que o eco de um homem.

Sempre me perguntei se elas não conseguiam me ver como eu realmente sou, jamais entraria em uma jaula, nem de ouro.
Mas é como dizem por aí, cada cabeça uma sentença, onde minha mãe vê exposição eu vejo liberdade de ser eu mesma. Para mim  prisão é a vida que ela e minha avó tiveram, escravas de senhores terríveis.

E recentemente ela descobriu que uma amiga tem um filho solteiro, então veio me correndo me dizer que ia me apresentar ao rapaz, com a condição de que eu não falasse nada para ele sobre o blog, se fosse para falar dos ''horrores'' que faço na internet era para falar depois da lua-de-mel.

Disse a ela que posso negociar, se ele  for lindo, maravilhoso, cheiroso, generoso e bom de cama, posso até pensar em esconder meu blog  por algumas horas, não posso ir além disso, porque minha mãe não matou a charada ainda, o blog não é uma página virtual nem um momento na internet, o blog sou eu e não posso me esconder de nada nem de ninguém. Minha pele é o blog e os posts estão em cada célula que circula no meu sangue, mesmo que ela não goste disso, não posso mudar, sou eu, minha fome de liberdade e vontade de viver do meu jeito. Não tem blog nenhum aqui, só eu, nua.



Iara De Dupont

5 comentários:

Suzana Neves disse...

Se meus pais estivessem mortos meu blog ia ser muito pior eu acho as coisas que você escreve não são tão assim como sua mãe vê quando você fala dela eu imagino uma jovem senhora de coque de óculos gatinha na realidade pelo que eu entendo do ser humano o que incomoda sua mãe é que ela queria fazer o que você faz mas pelo jeito ela não consegue ter coragem, essa bandeira do casamento eu vi que um dia eu também carregava juro senti nojo de mim e mudei de pagina.Sou inteira sozinha não preciso de metade de nada apesar de sofrer de uma carência eterna.

Kcal GorDivah Rock disse...

Amo seu blog e sua maneira de escrever Iara. Eu tenho uma relação parecida com o meu e realmente é difícil as pessoas entenderem o quanto o blog faz parte de nós mesmas.

Bj queen size

C.Belo disse...

coração de mãe é algo muito complexo, não sabemos exatamente até que ponto e exatamente como elas têm razão, mas elas têm!

Eu particularmente tenho uma experiência deste tipo com minha mãe, a quem eu sempre considerei uma pessoa "meio doidinha", meio ingênua e cismada com tudo e todos sem muita razão. Talvez devido ao fato dela ter tido quase nenhum estudo e ter tido uma vida dura, de muito trabalho braçal, cujo ápice foi o casamento e os filhos.

Mas dobrei minha língua neste caso específico e em vários outros depois. Vi que ela sempre teve razão, mas antes eu não estava sendo capaz de enxergar, ela tb não estava sendo capaz de argumentar, aí eu finalmente entendi pelo meio mais difícil que ela sempre esteve certa.

Minha mãe tem muitos defeitos, mas ela tem sanidade mental, ou seja, me ama, como uma mãe sã deve amar seus filhos. E aprendi que, sendo assim, mãe tem sempre razão, razão esta motivada pelo instinto (O mesmo de que vc falou em um post anterior). Nós é que devemos aprender a discernir o que devemos ouvir e o que devemos descartar.

No caso de sua mãe, pelo que já li por aqui, entendi que, com todos os "defeitos" (que na verdade como vc mesma citou não passam de fruto de uma criação bem diferente da que nossa geração recebeu) te ama e quer teu bem; e a opinião de uma pessoa assim no mundo de hoje jamais podemos descartar de primeira.

Provavelmente vc não vai precisar parar de escrever aqui (eu detestaria!), nem tampouco deletar seus vídeos; talvez, quem sabe, ela queira apenas que vc reforce suas defesas e não se exponha tanto no sentido de não perder aquele verniz social (que alguns chamam de hipocrisia) que nos ajuda a viver em sociedade, a nos tornar pessoas mais "agradáveis". Não me leve a mal, eu acho vc agradável, sinto como te conhecesse e vir aqui e ler o que vc escreve me dá a sensação de uma boa conversa com uma amiga. Mas no caso de sua mãe, o que provavelmente a preocupa é que os homens talvez fiquem com medo de se relacionar com vc e vc expor o relacionamento aqui. O que é bobagem pois com um olhar mais atento dá pra notar que vc é uma pessoa que gosta de se expressar, mas não é doida, pelo contrário, é bem centrada. Enfim, talvez seja apenas uma questão de vc saber como despreocupar sua mãe em relação a isso sem deixar de ser vc mesma e fazer o que te dá prazer.

Marta SP disse...

huahua Iara, tudo de bom esse post Morando na Belgica com os orgânicos hahaha Vc sintetiza o que todas as maes brasileiras de classe media esperam das filhas Tem tanta verdade nesse post...

Musicista Feminista disse...

É por isso que o meu blog é anônimo! Imagina se alguém da minha família lesse sabendo que sou eu. Criei o meu blog pra desabafar sobre coisas que não tenho ninguém pra falar. Na internet pelo menos sei que tem pessoas que me entendem. E o pior, várias histórias no blog são coisas que aconteceram comigo e ninguém sabe, e pitacos sobre comportamentos machista na minha família. Diriam que é um absurdo, que estou exagerando e nem é assim.

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