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19 dezembro 2013

Dane-se o botijão de gás


Uma das partes na qual encontrei maior dificuldade nesta vida foi em aprender a lidar com aqueles momentos onde a razão diz uma coisa e os sentimentos dizem outra.

Vou a escola desde que nasci e aprendi coisas inacreditavelmente estúpidas, como por exemplo saber calcular quanto tempo vai durar o botijão de gás, se ele chega a minha casa com tal quantidade e eu uso X por dia, então como posso calcular quanto tempo dura o botijão? Também aprendi coisas em química que não lembro, mas eram desse estilo de inúteis.

Aprendi tantas coisas, mas tantas, que não lembro de nenhuma. Se eu tiver que fazer uma prova de biologia ou de física hoje não saberia nem escrever meu nome no alto da página.
Mas sobre lidar com a vida, com as pessoas e saber como me posicionar durante minha existência, isso ninguém me ensinou, fui tratada como todos são, como se fôssemos uma humanidade de limítrofes que devem apenas aprender a calcular quantidades em garrafas e botijões de gás, mas não precisam aprender como funciona o ser humano.

Não sei se poderia sobreviver em uma ilha deserta com a quantidade enorme de informações que tenho, talvez conseguiria sim, até porque já vi filmes com pessoas construindo casas em ilhas como se aquilo fosse tão simples.

Mas em relação a vida sou uma analfabeta e parece que cada dia entendo menos, me sinto como aquelas pessoas que quanto mais explicação recebem mais se enrolam e não entendem nada.

Uma dessas coisas que me atormenta porque não encontro no meu cérebro uma informação que me ajude a entender é esse dilema humano que muitos vivem, quando sentem uma coisa mas o cérebro diz outra.

Vivo esse dilema, minha alma diz que as coisas não são o que parecem ser, que tem alguma coisa errada, mas minha mente me diz que estou apenas sendo negativa e dura em relação a uma situação. Fico assim o dia inteiro, sem saber o que fazer, sem juiz para me ajudar a decidir quem está com a razão, até  porque as duas partes têm a mesma intensidade. Eu sinto alguma coisa, mas penso outra e fico batendo nas paredes.
Ora, mas neste mundo isso não importa, a única coisa que interessa é se eu consegui resolver o problema e entendi como fazer a conta do  botijão de gás, quanto fica se eu uso X por dia? Foi isso que me ensinaram e reprovei de ano, por isso fiquei traumatizada.

Nunca decifrei a questão do gás, todas às vezes que isso caiu na prova eu reprovei. E na última ainda levei advertência porque resolvi a questão a minha maneira, sem saber como fazer em números coloquei no papel:

-Cara professora, na minha casa o gás não vem em botijão, ele vem da rua. Mas caso viesse em botijão eu não precisaria fazer a conta, quando acabasse minha mãe pediria outro botijão.

Fui reprovada e só hoje entendo a estupidez desse problema, mas vou ser positiva e pensar que havia sim uma grande lição naquela questão, tantas vezes perdemos tempo calculando coisas que não estão nas nossas mãos e talvez a vida é como o gás de rua, ligado ao fogão funciona tudo, mas em pequenas doses como um botijão tudo emperra. Talvez a vida seja isso, um cálculo que não deve ser feito, apenas vivido.


Iara De Dupont 

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