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12 novembro 2013

O Rei do camarote e a miséria emocional

Alexander de Almeida: às vezes a pobreza é emocional

Desde que eu era criança isso acontece pelo menos duas vezes por ano e lembro bem porque todo mundo sempre comenta com muita revolta.
Não sei como funciona o esquema da Revista Vejinha, um acessório da Revista Veja, mas imagino que deva ser como outras, a pessoa que quiser aparecer na capa traz anunciantes ou coloca o dinheiro. E sempre são esses novos ricos que bancam essa parte da revista, porque precisam de veículos de comunicação para seus ataques de egocentrismo, porque aqui no Sítio Brasil o importante não é ter, mas mostrar, naquele esquema bem cafona e limitado mentalmente.

Semana passada foi a vez de um empresário, Alexander de Almeida, o rei dos camarotes. Apareceu na Vejinha com tudo que tinha direito, fotos grandes com seus carros e seus frases em negrito, onde dizia que gastava até cinquenta mil reais em um camarote de danceteria.

O Brasil é um país livre, cada um faz o que quer com seu dinheiro e não adianta ser hipócrita a respeito, como Luciana Gimenez que disse no seu programa que jamais gastaria esse dinheiro em uma balada, mas quem conhece ela sabe que nem seus anéis valem tão pouco, ela não tem nenhuma joia abaixo desse valor. O que ela gasta em joalherias faria o rei do camarote parecer um pobre diabo.

Mas as redes sociais surtaram com o assunto, as pessoas acham que se o Brasil é um país miserável ninguém deve ostentar sua riqueza, mas a miséria dos brasileiros é por culpa de um governo corrupto que não sabe administrar, se limita a desviar tudo o que pode, assim deixa o país as moscas.

A impressão que tive desse Alexander é a mesma que já tive de quase todos que saíram na capa da Vejinha, fiquei com pena e lendo a matéria fiquei ainda com mais dó. Não conheço nada neste mundo mais triste do que uma pessoa sozinha, solitária, que precise comprar companhia. Ele vai as baladas e gasta cinquenta mil reais em champanhe, sonhando em atrair uma mulher que goste dele. Não imagino nada mais deprimente do que isso, a pessoa se acha tão pouco que só o dinheiro pode trazer alguém do seu lado.

Os miseráveis não são os que estão por esse Brasil afora, mas esses que aparecem nessa revista, colocando seu dinheiro como a única coisa de valor que eles possuem. Compram capas de revista achando que estão comprando o respeito  e admiração de todos, mas estão apenas expondo suas fraquezas e carências, estão ali como os miseráveis emocionalmente, aqueles que precisam da atenção dos outros para existir.

Não sou comunista nem hipócrita, acho dinheiro a melhor coisa do mundo, mas ele serve para isso, comprar `coisas ´, não o carinho ou atenção das pessoas, quem precisa fazer isso está na merda.

Se eu fosse a uma balada e quisesse gastar cinquenta mil reais e meu cartão levasse isso na boa, eu faria, mas gastaria em mim, não me imagino gastando cinquenta mil reais para que pessoas que eu não conheço consumam, na tentativa infeliz de atrair alguém que um dia goste de mim.

A miséria humana não é a falta de dinheiro, mas o vazio que a pessoa sente quando não é amada, nenhuma criança chega neste mundo pensando em dinheiro, esse valor vai ser posterior, o que ela quer desde o começo é carinho e afeição.

Uma vez vi um documentário sobre bebês abandonados na China e a médica dizia uma coisa que eu não sabia nem pensei a respeito, que bebês são muito frágeis emocionalmente, eles resistem bravamente a fome, sede e as doenças, mas morrem na falta de amor. Ela dizia que as poucas voluntárias do orfanato tinham que se revezar para carregar os bebês e que eles se sentissem amados e protegidos uns poucos minutos ao dia, sem isso eles ficavam fracos e morriam logo.

Fiquei muito triste quando vi esse documentário porque eu achava que o ser humano luta até o fim, resiste a tudo, mas a médica disse que sem amor os bebês não duram uma semana.

E essa sensação guia a todos nós, a procura por um amor sincero, todos passam sua vida atrás dessa sensação, principalmente os que não tiveram uma mãe presente.
Por isso essas revistas me deprimem tanto, quando vejo alguém mostrando seus milhões, além da cafonice e jequice da mentalidade Brasil, vejo o desespero do ser humano, para mim ver essas capas é como ver a pessoa gritando no alto da torre- Eu mereço ser amado!

Então a pessoa grita e ninguém responde, ela tira sua bolsa de moedas e começa a sacudir no ar, mostrando que senão tem espontaneamente o amor, pode comprar.

A tragédia humana que está nos gregos, na literatura, na psicanálise, não tem nada a ver com o dinheiro, tem a ver apenas com falta de amor, esse amor sincero, que infelizmente não se compra.



Iara De Dupont

Um comentário:

Anônimo disse...

Ola!
Eu não li a revisa,mas vi o video e me deu pena,um rapaz com dinheiro e condicçoes de aproveitar a vida de tantas maneiras gasta sua energia em buscar a admiração e inveja das pessoas,me parece que nunca o ocorreu que aquilo tudo é um circo,nada sincero,apenas pessoas querendo se aproveitar,isso prova o quão miseravel uma pessoa rica pode ser. Eu tambem gosto de dinheiro Iara,e acho que a pessoa rica não deve ter vergonha de ser rica e de gastar no que ela bem entender,mas me espanta saber que dinheiro e cultura não impedem as pessoas de ter atitudes estupidas,espero que ao menos na ignorancia dele ele seja feliz,quem sabe o que eu acho vergonhoso e lastimavel seja pra ele a suprema felicidade.
Bjs
Anna lara

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