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09 novembro 2013

Mas você tinha que ''virar isso'' ?







É engraçado ver como algumas pessoas te conhecem desde criança e depois acham que apenas por isso tem o espaço aberto para dizer qualquer coisa.
No momento eu gozo de imunidade fodística, ou seja, estou pouco me fodendo para o que dizem ou deixam de dizer, principalmente se a pessoa não significa nada para mim.

Mas não gosto quando encostam na minha mãe, coisa que nem os gregos explicam, mas mãe é sagrado, ninguém gosta. A minha sorte é que minha mãe  e eu somos  totalmente diferentes, ela não encana com nada, não esquenta, leva tudo na boa, ao contrário de mim que anoto todos os detalhes e não esqueço de nada.
Uma pessoa da família disse para minha mãe o seguinte - A Iara é tão inteligente e tinha que virar isso?
E minha mãe perguntou o que ''era isso'' e a minha  tia respondeu: Aquele blog dela é um absurdo, a menina sempre foi inteligente e escreve aquelas coisas sem noção?

Se o sucesso de um blog dependesse da família que lê sem dizer que está lendo, então o meu blog seria o mais famoso da rede. Ninguém na minha família diz que lê meu blog, pelo contrário, ignoram ele olimpicamente, mas se eu entrar no Facebook de algumas primas pesco coisas por lá que fazem referência a meu blog.

Ao contrário do que a minha tia pensa considero o que ela disse um elogio, tão grande que por mim colocaria em uma caixa de ouro e guardaria ali toda a minha vida.

Tenho um orgulho tão profundo de ''ter virado isso'' que não consigo descrever. Eu estava destinada a vida que minhas tias tiveram e minhas primas têm e consegui mudar o rumo. Isso me dá orgulho, onde minha tia vê ''coisas sem noção'' eu vejo uma pessoa que acordou para a vida. Não critico as escolhas delas, mas conheço a infelicidade que cerca a vida de muitas, apenas porque elas se recusam a ''ser sem noção''.

Minhas tias surtam porque eu ainda não me casei e meu blog ''é uma queimação de filme'' como uma delas diz, outra logo acrescenta ''quem você acha que vai ter coragem de casar com uma moça que diz aqueles horrores dos homens?''.

Nunca falei mal de homem, a única coisa que digo aqui é que não me interessa viver como minhas tias vivem, não me interessa ser escrava de homem nem defender a família do benhê como se fosse a minha.

E ''virar isso'' inclui largar mão de muitas coisas que aprendi delas e da minha avó. Ninguém nessa família me ensinou nada que prestasse, apenas me pediram para me comportar como ''mocinha'' o tempo inteiro e ser gentil com meu marido.

Não nego que ''virar isso''  tem seu preço, mas eu já paguei outras coisas na vida que nem sabia o que estava pagando, pelo menos dessa eu estou consciente.

E até agora ''virar isso''  tem me trazido mais alegrias que tristezas. Ser como sou, finalmente, depois de séculos, me traz um pouco de paz, não tem mais erros, apenas tentativas de acerto. Existia mais dor na minha vida quando eu tentava ser o que eu não era, do que no momento que eu  ''virei isso''.

Lamento um pouco que elas não se reconheçam em mim nem possam sentir um pouco a brisa da liberdade que eu carrego, coisa que foi negada a elas e depois elas negaram as filhas. Ter ''virado isso'' me garantiu liberdade e não é uma liberdade condicional, é absoluta. Sei que minha avó não morreu orgulhosa de mim nem minhas tias estão, mas eu estou de mim e no momento isso me basta. Não sou diferente a elas, apenas sou livre e me aperta o coração pensar que elas podem ter a mesma coisa e preferem seguir com seus tornozelos amarrados.



Não ''virei isso'' como elas pensam, é apenas uma conta de matemática, são mais de vinte mulheres em uma família e várias gerações de escravas, alguém ali tinha que ser livre, nem que fosse apenas uma. E só eu aceitei pagar o preço e ''virar isso'', mas não me arrependo, ''virar isso'' é ser e estar livre e isso não tem preço, sou tão dona dos meus erros como de meus acertos, posso olhar para minha vida inteira e saber o que deu errado e o que deu certo e assumo isso, não tenho ninguém para jogar a culpa e jamais deixei de fazer alguma coisa porque era prisioneira do ''benhê '', isso para mim é a coisa mais importante do mundo, saber que minha liberdade está nas minhas mãos e eu decido, não está nem pertence a nenhum homem.


Iara De Dupont

4 comentários:

Suzana Neves disse...

Bem pelo que vc escreve sua família é como a maioria extremamente machista daquele tipo que vc não conquista nada de bom se não tiver um marido,minha família peca bastante mas minha mãe eu li uns posts meus para ela e ela amou uns seus tb já ficou toda empolgada falando que a filha é escritora rs , gosto dessa parte dela que me vê assim, e na boa vejo famílias tem hora que amigos valem muito mais a pena.

Alessandra T. disse...

Parabéns por se tornar "isso".

Poeta da Colina disse...

Depois de um tempo não há muito como voltar atrás, é preciso fazer as escolhas enquanto elas ainda são suas.

Elas passaram.

Anônimo disse...

"ninguem nessa familia me ensinou nada q prestasse" ora, a sua familia é sem carater??? porque só gente sem carater nao ensina nada, se voce conviveu e decidiu ser 'diferente' delas isso já foi um ensinamento, se voce tivesse nascido em uma familia de mulheres 'livres' e 'carregando brisa de liberdade' talvez nem desse valor.
MARCINHA

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