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03 outubro 2013

Vingança é tempo, não ação

É questão de tempo, mas o dia chega

Assistindo televisão percebi que várias atrações eram ao redor da vingança. Novelas, filmes, séries, tudo era sobre pessoas que param sua vida e começam a correr atrás da vingança.
Para mim a vingança é uma questão mental, um ponto mais elaborado, eu jamais pararia minha vida para perseguir alguém nem faria meu mundo girar com isso, acho que isso é um desgaste de energia e desperdício de vida.

Mas não procurar vingança não quer dizer esquecer. Eu me recuso a abandonar o que minha avó chamava de `primeira fila ´. Você não se mexe para se vingar de ninguém, vai viver tua vida, mas o momento que o mundo rodar e essa pessoa cair, então você que vai estar na primeira fila se levante e aplaude. Isso eu faço questão, me recuso a sair da `primeira fila ´ e posso esperar mil vidas, não sei quando o show vai começar, mas tenho certeza total que esse momento chega e vou adorar aplaudir.

Meu avô me contava a história de um amigo. O menino estava em um colégio de padres,nos anos quarenta, no meio daquela rigidez e um dia  foi acusado de ter dito uma mentira, que ele sempre alegou não ter dito, o Padre chamou ele e seus pais  e não acreditou quando o menino disse que não tinha dito aquela mentira. Naquela época a ignorância era pior do que hoje, o menino levou uma surra do Padre e depois dos pais.Mas ficou na `primeira fila ´ e nunca esqueceu.

Anos depois ele virou o diretor de uma grande empresa de automóveis aqui de São Paulo. Por essas coincidências da vida a empresa ficava no mesmo quarteirão que a escola dos padres. Ele disse ao meu avô que todos os dias passava na frente da escola, não sabia se o Padre que tinha batido nele ainda estava lá, mas ele sempre passava ali e se dizia- Um dia eu acerto as contas.

A vida deu uma volta e um dia o Padre apareceu por lá, pedindo um carro para uma rifa. Ele reconheceu o Padre e perguntou se o Padre lembrava dele e da surra que deu. O Padre se explicou, dizendo que eram muitos meninos, que todos apanhavam, era uma questão de disciplina, não foi pessoal, mas agora era o momento do diretor perdoar ele e mostrar que tinha aprendido a lição de Deus.

O diretor da empresa disse que não ia dar nenhum carro para o Padre. E o Padre disse que se ele ainda estava chateado com a surra que levou era importante perdoar e dar o carro seria uma prova de perdão. Então o diretor mudou de ideia e resolveu dar o carro para a rifa. O Padre saiu de lá feliz,foi para a escola e organizou a rifa.
Como as igrejas fazem festas grandes todo mundo foi avisado da rifa. No dia da festa o carro não chegou. Tentaram ligar para o diretor, mas ninguém sabia de nada. A festa aconteceu, mesmo sem o carro.

No dia seguinte o Padre apareceu por lá desesperado, tinha que devolver o dinheiro da rifa,queria saber se o carro ia chegar, e o que tinha acontecido e o diretor disse que não lembrava de nada.No meio da conversa o diretor disse ao Padre:
-Quando eu tinha sete anos eu fui acusado pelo senhor de mentir. Eu dizia que não estava mentindo e o senhor me disse- Você pode provar?
E o Padre disse que tinha um compromisso com várias pessoas e esse carro tinha que aparecer.
E o diretor disse a ele:
- Saia da minha sala e se quer o carro você precisa provar que eu te disse que ia dar o carro e que eu conversei com você.Prove tudo isso e eu te mando o carro.

O Padre disse que não tinha nenhum papel, nem contrato, não teria como provar que esse carro foi prometido.

E o diretor respondeu:
- Exatamente, você foi ingênuo como uma criança de sete anos, agora volte lá na sua Igreja e prove a todos que você não é um mentiroso, porque eu apanhei durante anos dos meus pais e ninguém acreditava em mim, porque o senhor um homem de Deus, disse que eu era um mentiroso.

A conversa se encerrou ali e dois anos depois a secretária nova do diretor entrou na sala dele e ofereceu uma rifa. Ele perguntou o que era e ela disse que a escola do Padre estava rifando um fogão e ela fazia parte do grupo que estava organizando as rifas, o problema é que o Padre tinha prometido um carro dois anos antes, todo mundo comprou a rifa e o carro nunca apareceu e agora estava fazendo outra rifa, mas ninguém queria comprar nada do Padre, porque diziam que ele tinha mentido pra todo mundo.

Esse dia ele contou pro meu avô que se sentiu vingado. Não foi ao negar o carro que sentiu a justiça divina, foi só quando descobriu que o pessoal não confiava mais no Padre que ele sentiu que lavou a alma. E isso aconteceu quando ele tinha quarenta e sete anos, esperou quarenta para poder se livrar daquela maldita sensação de ter sido acusado de uma coisa que não disse e da surra que levou.

Meu avô contava essa história e me dizia para sempre estar preparada, porque quando meu dia chegasse eu não ir poder ter dó de quem um dia me prejudicou. E ele me garantia que a vida devolvia essas pessoas ao centro da onde estávamos, para que a gente pudesse ajustar as contas. Hoje sei que isso nem sempre acontece, até por questões carmáticas  não se aplica a todos essa regra, se por exemplo, foi uma pessoa que te fez mal, então ela volta e você devolve, mas se for um demônio não volta, eles aparecem, causam e somem. E ninguém quer se vingar de um demônio, porque a briga não terminaria nunca, mas quem é humano volta.



Mas de resto é bom guardar o lugar na primeira fila e os anos ajudam nisso, a gente começa a salivar mais. Sei que antes eu teria clemência de muitas pessoas e ficaria com pena, hoje sei bem quem elas são e sei também que não tiveram compaixão por mim, então eu não tenho porque ter por elas. Eu espero e posso garantir a essas pessoas, os anos não me ajudaram a dissolver o que aconteceu, pelo contrário, só reforçaram minha vontade de ver essas pessoas na lama. E vou ver.


Iara De Dupont

4 comentários:

Suzana Neves disse...

Acho que já estou na primeira fila há um tempo , o tempo passa e as pessoas engordam se estrepam ficam doentes,eu tive uma época terrível em qual eu devolvia tudo que me faziam,eu achava que era vitima só era inocente mas tinha os dois lados sabia fazer as pessoas se afundarem na mesma poça que me enfiavam,o meu lado mal é pior que qualquer filho da puta que conheça,mas abandonei no dia que vi que não me fazia bem nem mal as pessoas que fazem besteiras não sabem pensar e quem não pensa um dia se fode.

Fernanda Gadelha disse...

Oi, Iara!
Essa é minha primeira de muitas visitas ao teu blog. Gostei bastante desse relato, que, em algum grau, me convenceu de uma nova perspectiva. Vou ler os outros textos!
Beijo.

Fernanda Gadelha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

E quando é o contrario?
MARCINHA

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