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29 outubro 2013

O dono da rua


Na esquina da minha rua tem um bar e o dono fica na porta, sentado em um canto, fica lá o dia inteiro, a única coisa que ele faz é dizer bobagens a todas as mulheres que passam por ali. Meu irmão uma vez perguntou porque ele ficava sentado no chão, em um canto e ele disse que era o melhor ângulo para ver as `bundas que passam ´.
Comentei com uma moça do prédio quando eu cheguei aqui e ela me disse que ele era um coitado, que tinha mais de cinqüenta anos no mesmo lugar, no mesmo bar, dizendo besteiras dele, mas como é velhinho já virou uma coisa folclórica, não tem mulher que passe ali sem escutar as bobagens dele.

O problema é que quem não quiser passar por essa esquina tem que atravessar a rua e não tem semáforo, os carros passam correndo porque é uma subida, então fica difícil de atravessar. Mas eu me incomodo demais com as besteiras desse velho nojento, então sempre atravesso, mas um dia desses na pressa não consegui atravessar, então resolvi voltar a esquina, no bar dele e fiquei encarando, ele não pensou duas vezes e me disse uma nojeira, eu fiquei tão revoltada, tão revoltada, que respondi que eu nunca mais ia atravessar a rua, eu iria daqui pra frente passar ali direto, na porta do bar dele todos os dias e se ele voltasse a me dizer qualquer coisa eu iria com a polícia, faria um boletim de ocorrência por acosso sexual e ainda daria um escândalo. Ele não respondeu nada e entrou para seu porco bar.
Desde esse dia eu posso passar até nua se eu quiser que ele não fala mais nada, pelo contrário, quando me vê se esconde no bar, praticamente se enfia na geladeira dos refrigerantes.

E ontem eu estava passando ali e na minha frente ia uma mulher carregando um bebê e empurrando um carrinho com outro, eram gêmeos e quando ela passou ele disse: Ah, mas com essa bunda gostosa eu também teria feito dois bebês ao mesmo tempo!
Ela ficou constrangida e acelerou o passo, quando ele me viu atrás correu para dentro do bar.

Reparei que a moça mora no prédio ao lado do meu, então alcancei ela e perguntei porque não tinha mandado ele a merda e ela me disse: 
-Fiquei com medo, eu estou com duas crianças, de repente ele tira uma faca!

Falei para ela que da próxima vez deveria dizer a ele que iria na polícia denunciar, não podia ficar quieta, mas eu entendo o medo dela, é o mesmo medo que todas somos educadas para sentir, minha avó dizia que quando algum homem falasse uma bobagem era para acelerar o passo e sair dali, caso a gente respondesse ele poderia ficar louco, achando que tínhamos dado bola e a coisa poderia acabar em uma tragédia.
Minha mãe sempre me disse isso, para não responder besteiras na rua porque homens andam armados.

Mas é fundamental uma mudança de atitude e de mentalidade, se nós como mulheres temos medo, eles também devem ter um ponto fraco, então temos que ir em cima disso. Porque burros eles não são, tanto é assim que esse velho nojento nunca mais me disse nada, sacou que sou capaz de levar a polícia lá e fazer um escândalo e nenhum homem quer ficar conhecido como `tarado ´, muitos têm medo desse julgamento porque sabem que a sociedade não tolera esse tipo de comportamento.

Uma amiga minha me sugeriu que a gente pendurasse uma faixa na rua, um pouco antes do bar, avisando as pessoas que na esquina tem um tarado, só para ver se ele deixa de falar tanta merda, porque são mais de cinqüenta anos ofendendo as mulheres, imagino quantas devem ter ficado morrendo de raiva, porque ao contrário das lendas urbanas que garantem que mulheres adoram escutar essas coisas, não é assim,esses comentários baixos de cunho sexual ofendem, agridem e causam náuseas.


Não tem discurso que possa mudar essa realidade, apenas as mudanças na lei, que apertem mais quem sai pela rua dizendo obscenidades  e agredindo mulheres. Mas eu acredito nisso, as coisas um dia vão mudar, são eles que vão sentir medo se abrirem a boca para ofender. Espero ver isso e não ficar com a sensação que alguém foi capaz de passar cinqüenta anos ofendendo as mulheres e saiu impune.


Iara De Dupont

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