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21 setembro 2013

Tenho inveja de homem


Que mulher nunca se cobrou cuidar de tudo?
Condicionamento cultural é uma praga que a gente não consegue se livrar, por mais que tente.
E Freud dizia que as mulheres tinham inveja do pênis em uma teoria que representava uma época, hoje já sabe que não é bem assim, mas eu assumo que tenho inveja dos homens em muitos aspectos. Um deles é o fato de poderem viajar na estrada e não precisaram procurar banheiros no meio do caminho.

E como não ter inveja da maneira que eles vêm a vida? É impossível. Eu adoraria pensar como um homem e chegar em casa e assistir filmes. Mas não fui educada assim, passei minha vida inteiro vendo mulheres de pé servindo a todos. Posso estar sozinha na minha casa, mas não consigo entrar e me jogar o sofá, como diz uma amiga, eu ''cato serviço''. Não importa o que, eu arranjo o que fazer, porque sempre acho que tem alguma coisa para ser limpa ou trocada de lugar.

Meu irmão pode assistir televisão com o mundo caindo, eu não. E tudo isso não é necessidade, nem importante, a casa não cai se você parar um minuto, mas para mim depois de anos vendo todas fazendo isso me sinto estranha se fico no sofá, parece que as coisas começam a me chamar e dizer que precisam da minha ajuda. Já vi os homens da minha família passarem um feriado inteiro se coçando no sofá, mas eu ainda não cheguei nesse ponto de desapego, ainda acredito que coisas têm que ser feitas, nem que isso seja organizar e tirar o pó dos meus perfumes.

Tenho muita inveja dos homens nesse aspecto, porque por algum motivo nada do que acontece em uma casa parece incomodar eles. Conheço alguns que são meio obsessivos e limpam a casa, mas é uma questão de obsessão, não de condicionamento cultural.

Lembro desde pequena da minha avó se ralando para atender a todo mundo, minhas tias também faziam isso, mas de vez em quando a humanidade caminha e minhas primas não são assim, graças a Deus. Elas foram ao extremo, chegam em cima da hora, não preparam nada, não ajudam minhas tias e ainda colocam os pés em cima da mesa de centro, como se fossem jogadores de futebol na sua casa. Pra mim é falta de educação, mas elas são assim mesmo, na família toda a nova geração saiu revoltada, eu também tenho meus limites, sou capaz de cozinhar pra ajudar, mas me recuso a fazer um prato para um homem, só se  ele for deficiente e não tiver mãos, então eu ajudo, mas caso contrário também me recuso a servir homem, me considero tão ou mais revoltada que minhas primas. Mas na minha casa as coisas mudam, aqui eu ainda fico de olho e tento arrumar tudo, não consigo ficar assistindo televisão sem fazer nada.

Meus primos, a nova geração é mais tranqüila, não pedem nada, porque sabem que se pedirem as panelas voam na cabeça deles. Mesmo assim a maioria é casada e ainda fazem pouco em casa, a mulher que se rale. Porque eles sabem que ainda, mesmo não querendo, carregamos esse condicionamento de fazer as coisas, ainda vão passar uns anos para que as mulheres possam se livrar dessa educação, dessa visão de ter visto sempre uma mulher escravizada e repetir seu comportamento.

Eu vou muito ao supermercado e vejo os carrinhos de todo mundo. É engraçado ver como as mulheres compram umas coisas e os homens outras, mas eles sabem disso, pra que se preocupar,se elas resolvem tudo? Sem querer as mulheres só facilitaram a vida deles, eu também seria uma encostada se tivesse alguém pra resolver minha vida. Iria ao supermercado comprar chocolate, não ia ficar pensando se tem sabonete em casa, porque se tenho um trouxa que pensa isso por mim, por que vou me dar o trabalho de pensar?

É, tenho inveja mesmo. Mas é assumida. Não escondo, sonho em me livrar desse condicionamento e ficar coçando na frente da televisão sem pensar que ainda existem coisas para serem feitas. Deve ser bom demais.

Iara De Dupont

Um comentário:

Gustavo Macedo disse...

Eu fui criado a pensar que sempre a mulher resolve tudo. Mas depois de morar sozinho, ainda chego em casa e me largo no sofá. E sou eu sozinho quem faz tudo, não tem nem faxineira. A casa pode ficar meio bagunçada de vez em quando, e eu sei muito bem o que tem pra fazer. Mas eu posso fazer outra hora, e realmente não estou esperando que mulher nenhuma faça por mim.
E que história é essa de não servir homem? Isso já é revolta desnecessária. Minha namorada não sabe cozinhar e eu já perdi a conta de quantas vezes fiz comida pra ela com o maior prazer. E faria pra quantas mulheres e homens fosse necessário, porque eu consigo servir outras pessoas, sendo homens, mulheres, crianças, sem me sentir diminuído.
Claro que, por você ser mulher, você carrega o estigma da repressão, mas justamente por se negar a servir um homem, você afirma a diferença entre gêneros e não a suposta igualdade que defende. Lembrando que hoje, apesar de muitas pensarem o contrário, muitos homens não desrespeitam nem destratam as mulheres. Não todos, claro.

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