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01 setembro 2013

Se as torres não caíram no meu quintal, então dane-se?





No meio de emails de fãs de Rafinha Bastos que chegaram a minha caixa, vários me fazem a mesma pergunta ''Se você não gosta por que fala dele?''.
Quando escrevo posts sobre novelas, também recebo a mesma pergunta '' Se você não gosta por que assiste?''.

Conheço na palma da mão a mentalidade da classe média. Uma vez conversando com um americano de classe média falei sobre as Torres Gêmeas que foram derrubadas em Nova York e o impacto que aquilo ali tinha causado na vida dos americanos. Na maior indiferença ele respondeu -Pra mim não faz diferença, elas não caíram no meu jardim.

Esse é o limite da classe média, se a coisa não cai no jardim deles, então tudo está certo.
E o que mais se diz dentro dessas casas classe média é - O mundo é assim ou assado, não é você que vai mudar isso.

Eu pensava assim, mas não sentia assim. Fui educada para me meter na minha vida, tanto que se falo de alguém aqui sempre tem alguém pra me lembrar que eu `estou me metendo na vida alheia ´. Também fui educada como milhões, para pensar que só interessava meu trabalho, meu dinheiro e minhas coisas, se o mundo estava explodindo não era meu problema, finalmente eu não poderia mudar isso.

As coisas só mudaram pra mim porque tudo o que me foi dito me causou muito sofrimento, ia direto ao encontro da minha alma. Mesmo sabendo que muitas coisas não são meu problema, eu sofria como se fossem, até que comecei a entender e acreditar que somos muito mais responsáveis do pensamos pelo o que está acontecendo no mundo.

Quando falo de preconceito, de gordofobia é porque conheço os dois lados. Também fui educada para pensar que gordos são preguiçosos e gulosos e outros preconceitos assim. A gente não questiona, acha que é normal pensar assim.

Mas um dia existiram pessoas antes de nós que pararam para pensar e viram que aquilo não estava certo, que aquilo machucava e tiveram coragem de ir atrás e mostrar a todos que a humilhar um ser humano não é caminho pra nada no mundo.

O problema do preconceito é que ele corta mais do que as pessoas pensam. Tive um parente que sofreu com a bebida e desde criança eu escutei que ele era  `fraco das idéias, não tinha força de vontade, nem amor pelos filhos para parar de beber ´. Só anos depois eu entendi que ele era doente e precisava de tratamento, não de lições de moral da família.

Mas ninguém fez nada por ignorância, esse é o preço do preconceito. Eu cresci achando que gordos eram pessoas moles, mas quando eu me via no meio de dietas, eu me sentia preguiçosa e péssima pessoa, exatamente como as pessoas dizem que os gordos são.

E não falo de Rafinha porque gosto ou não, falo porque acredito que muitas pessoas confundem as piadas e não entendem que aquilo é apologia a violência. Rir de gordos é a mesma coisa que acontecia em décadas passadas onde as pessoas riam de negros e deficientes.

Eu não acordei pensando que queria mudar o mundo, fui levada por outras pessoas a questionar, me vi obrigada a examinar as coisas que me machucavam e da onde vinham, comecei a perceber que grande parte do que me atormentava não passava de ignorância da minha família e do mundo, que era preconceito dos outros.

E quando vejo preconceito em novelas, programas, venho aqui e falo dele, mas apenas porque gostaria que as pessoas começassem a abrir a cabeça e entender que aquilo são facas que vão na direção de todos. Eu não também não via, até educar meus olhos para ver, então entendi o horror da ignorância e o preço que se paga por tudo isso.

O tempo que eu sofri na escola e na vida por ser gorda ninguém vai me devolver. Minhas lágrimas não foram ao mar e nada vai mudar isso.

Mas ficar em silêncio não vai melhorar a minha vida. Meu blog não é sobre esmaltes nem sobre ursinhos que contam histórias de amor. É sobre o que eu vejo, penso e sinto. Não adianta vir aqui e me perguntar por que eu falo de uma coisa senão gosto dela. É por isso que eu falo, porque não gosto e sonho em mudar.

Aprendi a não ver com naturalidade os caminhos da dor social, aquela que todos sentem e praticam na rua e nas suas casas. Aprendi a entender que as torres não caíram no meu jardim, mas se caem em algum lugar é da conta de todos.

E para quem me pergunta, por que eu perco meu tempo e escrevo sobre coisas que eu não gosto, eu pergunto e vocês? Como conseguem viver em mundo e fingir que nada está acontecendo?

Iara De Dupont

 

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