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01 setembro 2013

Rafinha Bastos, azar o teu, mas hoje é meu dia do ''chega ''!



Rose Parks, a mulher que mudou a vida dos negros
                                           



Rafinha Bastos, o novo representante da gordofobia
Toda vez que eu menciono alguma pessoa famosa aparece um fã, para corrigir a informação, detonar ou agradecer. Mas nada, nada, se compara as lunáticas e lunáticos que seguem Rafinha Bastos. Ele deve ter um pacto com o demônio, porque é questão de segundos colocar um post aqui com o nome dele para as suas Rafetes invadirem meu e-mail. Mas eu não estou nem aí, não tenho medo desses malucos que seguem Rafinha, como se ele fosse líder de uma seita, onde todos parecem estar dopados.

Agora que lamentei sua volta elas e eles vieram me dizer que se meter com Rafinha é se meter com eles. Então vou avisar como funciona a coisa comigo, se meter com gordos é se meter comigo. E não é um bom momento para isso, estou cansada, de saco cheio e exausta dessa gordofobia barata que invadiu a televisão.

E Rafinha se meteu com os gordos, então eu me vejo na obrigação de devolver a gentileza. Eu posso explicar a origem das piadas que ele faz com gordos. Ele fez uma temporada na Fox ''A vida de Rafinha Bastos'', mas na hora de assinar para a segunda temporada a Fox colocou uma cláusula no contrato que dizia que qualquer processo seria pago por Rafinha, não pela Fox. Isso enrolou a negociação,mas no fim deu certo. E se Rafinha não pode dizer mais nada porque se enrola em processos e ele teria que pagar, então ele vai pra cima de quem? Dos gordos, esses seres que não têm direitos segundo a crença popular.

Tenho a mesma sensação interna que os negros tinham quando escutavam que não eram seres humanos,que não tinham alma. Quando escuto todo esse ódio direcionado aos gordos me sinto em séculos passados, onde os negros não tinham direitos e quem batesse neles eram elevado a categoria de herói.

Vejo a mesma coisa acontecendo com os gordos em todos os lados,esse ódio que vai se estendendo por todas as partes, confirmando em todas as cabeças frouxas que gordos não são pessoas.

Mas eu cansei e apesar de não usar palavras baixas no meu adorado blog, posso dizer tranquilamente e com a mão na cintura, eu estou cagando para Rafinha Bastos, ele só mereceu ser mencionado porque fez piadas com gordos e hoje, justo hoje, eu cansei.

Chega de tanta ignorância, violência e de causar tanto sofrimento. Eu não fui perseguida na escola porque era gorda, eu fui perseguida pelo preconceito dos outros, porque até onde eu sei meu peso é meu problema, mas no momento que as pessoas não gostam disso, elas perseguem,o que nos tortura e persegue é o preconceito dos outros, não o excesso de peso.

E sei que Rafinha sabe que a pista está vazia, pode fazer piadas a vontade com gordos, ninguém vai dizer nada. E se falar vai ser vantagem, que o diga Walcyr Carrasco com o símbolo máximo da gordofobia, sua personagem na novela Perséfone, apesar das reclamações ele não muda uma linha. E não muda porque sabe que não acontece nada, se Perséfone fosse negra ele já estaria de joelhos em uma delegacia se explicando. Mas ela é gorda e isso quer dizer que não é nada.

Estou me lixando para os lunáticos fãs de Rafinha, estou me lixando para Rafinha. Minha bronca é que não quero viver em uma sociedade assim, não quero mais esse apartheid de gordos e magros, não quero mais ver na televisão pessoas torturando gordos o tempo inteiro. Não acho normal nem justo dividir as pessoas por peso, como um dia se dividiu por cor.

E os americanos tem uma história que resume tudo o que eu quero falar. Em 1955, no auge do seu momento mais racista, uma americana negra Rose Parks, em Alabama, estava sentada em um ônibus e se negou a ceder seu lugar a um branco, ela se sentou no meio, quando era apenas permitido que os negros se sentasse ao fundo do ônibus. Ela foi presa. Isso gerou uma reação em cadeia que levou a protestos e boicotes e Rose acabou sendo reconhecida como a mãe dos direitos civis dos americanos, porque foi a primeira a reagir.

Ela apenas se negou a levantar, sabia que tinha o mesmo direito de um branco. É apenas isso que os gordos têm que fazer, se negar a aceitar as piadas e os abusos. E fazer o dia do ''chega''. Não vão acontecer mudanças enquanto as pessoas que são vítimas do preconceito não se mexerem. O respeito não vai vir do outro lado, ele tem que sair de quem está sofrendo com a falta dele.
Quem é gordo e está esperando o outro lado se desculpar, pode esperar sentado.

Pra mim já deu, chega de tanta merda, de tanto preconceito. Cansei de tudo isso, cansei de dizer as coisas em um bom tom, agora faço questão de devolver as pedras. E se Rafinha quer ser o representante maior da gordofobia, tudo bem, sorte pra ele, mas eu não vou ficar quieta.

Iara De Dupont

2 comentários:

C.Belo disse...

Não conheço o "trabalho" deste sujeito, mas só pelo que vc já escreveu aqui sobre ele eu posso concluir que é mas um merdão no meio do mar de bosta que é a mídia brasileira. como vc mesma disse, paciência, só o que podemos fazer (e que já é muito!) é darmos o nosso basta1 E vc está certíssima em usar seu blog para isso, pq além de ser um direito seu, já que o blog É SEU, é algo positivo que certamente surtirá efeito na mente dos que o leem. Gerar reflexão é revolucionar! Continue assim, aposto que não todos, mas algumas pessoas que venham a ler estas suas palavras vão finalmente entender que gordofobia é preconceito como qq outro.

ah, e devo dizer que me inspiro MUITO em suas palavras toda vez que entro em contato com algum gordofóbico e me sinto ORGULHOSA de estar ao menos gerando uma reflexão sobre um assunto tão pouco discutido. E se me sinto assim ao tentar mudar a mente de UMA PESSOA, saiba que vc tem de sentir ainda mais orgulhosa por fazer isso de forma potencializada, para MUITAS PESSOAS! parabéns!

Iara De Dupont disse...

Te agradeço muito o apoio!Infelizmente as pessoas falam pouco da gordofobia e existe uma idéia em comum que acha que isso é `frescura ´,não parece aos olhos de ninguém que é preconceito,mas tudo bem,um dia ninguém achava que se referir a um negro de maneira ofensiva era preconceito,mas o tempo mostrou que é e isso causou feridas históricas,por isso mesmo que as vezes eu tenha a impressão de estar falando com a parede,penso nisso,é melhor falar e deixar escrito do que fingir que nada está acontecendo.beijo!

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