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09 setembro 2013

Quando ficar na frente do espelho é uma tortura





Quando escrevi um  post aqui sobre uma foto antiga que caiu nas minhas mãos algumas coisas aconteceram. Fiquei impressionada com o número de e-mails que recebi, de meninas me contando a mesma história, que tinham durante anos acreditado que eram gordas porque as pessoas diziam e ao crescer viram que nada disso era verdade.

E hoje vejo muitos médicos falando de um transtorno, a disformia corporal, que não importa o corpo que a pessoa tiver, ela não consegue enxergar no espelho, sempre vê outro corpo distorcido, não é a imagem real, é uma espécie de aversão ao próprio corpo que deforma a imagem que eles tem deles mesmos.

Os estudos estão avançando, porque os psiquiatras acreditam que esse distúrbio não seja apenas psicológico, mas de base fisiológica, alguma coisa que falta ou sobra no cérebro e a pessoa fica se vendo assim, distorcida.

Não sou psiquiatra nem investigadora, não sei em que pé está esse assunto da disformia corporal nem os avanços científicos sobre o assunto, mas mesmo se eu tivesse alguma prova cientifica na mão dizendo que tudo ali é um distúrbio do cérebro, eu não descartaria nunca a questão social que envolve essa doença.
Os números dizem que 2% das pessoas no planeta não conseguem olhar seu reflexo no espelho sem ficar em choque.

A parte social é aquela que todos conhecemos, a mídia e suas imagens de mulheres magras, que todas as mulheres no mundo inteiro vê e no fim da semana as mulheres já foram expostas a mais de dez horas sobre a imagem de corpo perfeito.

Eu fiquei pensando sobre isso, porque também fujo de espelhos, prefiro ir ao dentista. Mas tentei lembrar quando ou se alguma vez eu me olhei no espelho me procurando. Eu nunca fiz isso, na hora que estava na frente do espelho eu procurava os defeitos que me distanciavam da perfeição feminina. Nunca parei na frente do espelho para olhar meu corpo, eu procurava algum sinal de outro corpo, aqueles que eu via nas revistas.

Não pensei em mim como indivíduo, nem pensei que era um corpo, o meu,não o de outra ,nem pensei que era aquilo que eu tinha e ponto. Nunca fiz isso. Nem fui incentivada a fazer isso por ninguém, nem amigos,nem familiares, nem médicos.

E não acho que sou a única, tenho certeza que poucas mulheres no mundo param na frente do espelho e dizem - Esta sou eu, este é meu corpo.

Quem faz isso? A mente está tão condicionada que para na frente de um espelho e começa a procurar a Gisele ,como se ela fosse pular do espelho.

Meus defeitos em termos de genética eu posso lidar. Mas se ficar na frente do espelho me comparando com a Gisele eu perco em tudo. Qualquer comparação com qualquer mulher que sai na mídia eu saio perdendo e ficando arrasada com isso.

Se eu tivesse uma filha hoje eu faria isso, colocaria ela na frente do espelho e diria - Essa é você, qualquer comparação faça com sua medida,com você, não com as outras.

Ninguém é educada pra fazer isso, somos educadas para neutralizar nossa imagem e criar outra como se fosse melhor que nós. Nunca entrei em uma loja, experimentei uma roupa e alguém disse - No TEU corpo fica assim ou assado.

A única vez que assisti alguma coisa assim foi em um programa americano,s obre roupas, o Esquadrão da Moda. A moça reclamou que estava gordinha e não achava roupas, que preferia emagrecer antes de ganhar um guarda-roupa novo e o apresentador Clinton disse - Você é assim hoje, é o que tem, o teu corpo é esse e vamos comprar roupa pra ele agora, não amanhã.

É essa a idéia, o corpo que temos é o que tem pra hoje e pra depois, se queremos mudar ou não é outra coisa.

Ficar na frente do espelho procurando a Gisele não ajuda em nada. Se eu ficar fazendo isso, só acho defeitos, mas se me uso como comparativo, eu evolui em algumas coisa, consegui melhorar. Eu tinha muitas estrias e consegui melhorar demais nisso, mas se eu comparar com a Gisele, então não melhorou nada, só piorou, mas se eu comparar comigo, então eu avancei horrores. Mas hoje sei que durante anos eu ficava na frente do espelho como se estivesse com os olhos vendados,vendo uma imagem que não existia, criada pelas milhões de imagens que eu via todos os dias, como se fossem partículas que se unem.

A gente não se vê no espelho e isso se reflete em tudo, não nos vemos em nada e a vida parece ser aquela coisa que os outros vivem,não nós.

E talvez isso poderia mudar se fossêmos apresentados a nós mesmos, um dia na frente do espelho, dizendo -Essa é você, prazer.E a gente pudesse responder-O prazer é meu.

Com certeza a viagem seria melhor para todas, pelo menos elas iam saber que o corpo que tem ali na sua frente é delas e é esse que vai acompanhar em todos os momentos, inclusive nesses que elas não se reconhecem diante do espelho.

Iara De Dupont

3 comentários:

Anônimo disse...

Sabe o que me mantem longe dessa loucura toda? Saber que as mulheres que consideramos "lindas",nao se veem como as vemos,logo se eu fosse linda como era sofreria como a maioria das mortais pra nao dizer todas,logo nao teria nenhuma vantagem,alias teria sim,a beleza abre muitas portas,mas nao faz a vida de ninguem um mar de rosas.Quando eu comecei a amadurecer,depois dos 25 anos foi que eu comecei a perceber isso,ainda bem que passei a adolecencia e parte da juventudo sem essas neuras,mas aos 25 desejei ser muito bonita porque queria uma vida mais facil,mas ai amadureci mais um pouco e percebi que ser anonima e uma delicia,eu gusto de observar o ser humano e jamais gostaria de ser a observada,coisas que as mulheres lindas sempre serao. Carregar um rotulo pela vida toda nao é facil,claro que todos nós carregamos os nossos,mas ser linda deve ter lá seu preço. Nunca me esqueço uma coisa que a Maite Proença disse uma vez,em uma certa altura da vida ela pensou que se não tivesse o tipo de beleza que chamasse tanta atenção era seria mais feliz.A unica coisa que quero da vida das mulheres lindas é o que muitas conseguem,acreditar que são lindas,porque muitas não se achavam,mas de tanto ouvir...Eu não acredito que a Gisele se olhe no espelho e veja as qualidades que vemos,ela ve muitos defeitos como toda mulher,porque ela os tem,mas diante dos outros ela valoriza seus pontos fortes,coisas que nos devemos fazer.me recuso a sofrer por algo que eu nunca poderei mudar,posso emagrecer,mas nunca terei 20 centimetros a mais de altura e olhos grandes e verdes. Serei grata ao corpo saudavel que tenho para passar uns poucos anos nessa terra ,ao inves de ficar a desejar um corpo que para muitos traria uma suposta felicidade que eu nao acredito que traga. A midia nao descansa,mas eu tambem nao me cansarei de repetir pra mim mesma todos os dias essa minha verdade.

Anna Lara

SUZANA disse...

Concordo com a Anna e tem mais uma coisa é difícil quando se é bonita e se é obesa passo sempre por isso as pessoas comentam me elogiam para outras pessoas e acabam dizendo para elas porque eu sou tão grande porque não faço nada a respeito, ninguém diz para mim é claro porque se quiser falar ter que estar armado tem uns anos já que consegui ouvir o mínimo possível tem sempre algum idiota que atravessa a barreira que coloquei mas são poucos.

C.Belo disse...

"A gente não se vê no espelho e isso se reflete em tudo,não nos vemos em nada e a vida parece ser aquela coisa que os outros vivem,não nós."

Nossa, isso me tocou bastante. Antes de mais nada quero dizer que eu vi sua postagem sobre sua foto e, de fato não existe nenhuma baleia ali e eu tb já passei por isso - de me sentir gorda e só o tempo e algumas fotos me mostrarem o quanto minha autoimagem estava distorcida.

Agora voltando à sua frase, eu me senti exatamente assim em diversas ocasiões da minha vida, inclusive algumas bem importantes, como meu casamento. Eu não me sentia digna de viver um dia fantástico, um dia marcante, como muitas mulheres descrevem. Eu não tenho assim essa lembrança deste dia tão significativo da minha vida! E tudo isso pq eu não me senti LINDA - não linda como na minha melhor forma, mas linda como nas imagens que vinham sendo moldadas na mente ao longo de anos.

Quanta coisa a gente deixa de curtir por esse motivo, não é mesmo? Eu nunca vou me esquecer de um dia em que eu estava no morro da Urca à noite, num evento que havia show e ambientes com músicas (boas, diga-se de passagem), o qual eu fui mais para acompanhar um casal de amigos; estava uma noite maravilhosa, céu estrelado, a vista noturna da "cidade maravilhosa", enfim, tudo conspirando a favor de eu ter uma noite perfeita, mas....eu não curti NADA pelo simples fato de eu estar na época pesando uns 90 e poucos quilos; Ou seja, eu não consegui me divertir e me lembro BEM que era pq eu não me sentia digna de estar ali. Olha Iara, é até difícil explicar a sensação, eu juro que fiz meu melhor para ao menos TENTAR explicar pro meu marido, que aquela altura já estava questionando o motivo da minha cara de cu, mas não consegui fazer ele entender. E o pior é que a gente não curte e nem deixa as pessoas que estão próximo a nós curtirem. Que droga, não?

Olhar assim pra trás e perceber tudo o que vc falou é fácil, mas no momento é bem mais complicado do que parece. Mas de todo jeito, parabéns pelo questionamento.

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