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29 setembro 2013

É ajudando que se leva um pé na bunda


Algum tempo atrás eu tinha uma vizinha com um bebê de necessidades especiais. Ela estava longe da família e sem marido, então me ofereci para ajudar nas horas vagas. Não era muito, eu apenas pendurava a roupa no varal, ou colocava na máquina e cozinhava algumas coisas, porque ela trabalha o dia todo. Um dia muito delicadamente ela me deu algumas instruções, percebi então que ela estava me vendo como se eu fosse sua empregada. Sai e nunca mais voltei.
Não é culpa dela, existe uma ciência que explica com reagimos aos símbolos e imagens. Seres humanos são visuais e o cérebro precisa catalogar tudo o que vemos, para montar seu arquivo de imagens. Se algumas vezes por semana ela me via na casa dela fazendo as coisas o cérebro dela imediatamente me catalogou como ''empregada''.

É tão importante o uso de símbolos que rainhas e altos poderes como o Vaticano usam, é uma maneira de dizer as pessoas ''vocês não são iguais a nós''. Os astecas dizem que todos são iguais pelados,a única coisa que marca a diferença são as jóias que se carrega, que indicam quem é a pessoa.
Se um dia eu chegar no meu prédio e um homem abrir porta e todos os dias ele fizer o mesmo gesto, vou concluir que é o porteiro, não vou pensar que é o dono do prédio querendo conhecer os moradores.
Não se faz isso por maldade, é o cérebro que registra e usa a escala social e moral que aprendeu. Se eu estou na cidade me parece chocante matar uma galinha, porque aprendi que é, mas se estou no campo isso vai ser natural.

Comentei com uma amiga sobre isso e ela me disse de uma experiência terrível que teve. Trabalhava como editora de comercias em uma grande agência, em tempos de computadores lentos, demoravam uma eternidade para descer o material, ela inquieta passeava pelos corredores da agência, até que descobriu que o cafezinho demorava demais pra chegar nas mesas, então começou a descer na copa e trazer o café pra cima. Um dia entrou em uma reunião importante, onde tinha sido chamada, mas aproveitou para levar a bandeja do café, ao entrar o diretor perguntou que porra era aquilo, ela se explicou, mas ele disse- Você está na rua, eu contratei uma editora, não uma copeira e quando sair leve a bandeja.
Quando ela foi no RH da empresa eles acharam que ela era a moça do café, nem sabiam que na agência tinha uma editora.

Isso é muito comum com as mulheres, pela educação que recebemos, desde pequenas nos ensinam a ser servis e prestativas. Meu irmão brincava com seus soldadinhos, mas eu tinha meu jogo de xícaras para   `servir ´ a todas minhas bonecas. Eu era tida como egoísta se me recusava a dividir qualquer coisa, meu irmão era valente porque não tinha medo de ninguém e não se submetia a dividir suas coisas.
Como mulher fui educada para sempre ser compassiva e um ombro amigo. E ainda carrego meus genes indígenas, esses que trabalham em comunidade. Mas a verdade é que seres humanos tratam os outros como enxergam eles e não adianta você ser uma rainha, se alguém te vê com uma bandeja na mão vai fazer um pedido.
E não é só na vida profissional, na pessoal isso acontece direto, onde as mulheres se colocam os homens enxergam. Se elas fazem tudo, bancam tudo, elas são vistas assim, como as ''que resolvem tudo'' e os homens encostam.

Minha avó era escrava da cozinha e dos seus filhos e amigos deles. Uma vez minha avó foi igreja e parecia outra pessoa. Não vi ela com a roupa de cozinha, estava arrumada, orgulhosa, bonita, como escravo que recebe sua carta de alforria. Mas era questão de horas, quando voltava era de novo submetida a escravidão da cozinha. Quando lembro dela esse dia na igreja meu coração se quebra em três. Aquela era minha avó, digna, altiva, bonita e com presença. A outra era a visão que todos tinham dela, a vovó e mamãe escrava.
Recentemente fui atrás de um ditado que me diziam e descobri que vem de um registro asteca, dizia mais ou menos assim- Se você que ser inesquecível faça a mesma coisa todos os dias, o dia que você não estiver mais aqui as pessoas vão continuar te vendo aqui.

E minha avó, no alto de sua escravidão não quis ensinar nenhuma neta a cozinhar, nem a arrumar a casa. Ela sabia que isso as tornaria escravas e moeda fácil para qualquer homem e ela ainda dizia- Nunca cozinhe todos os dias para o homem, porque se você cozinhar todos os dias, o dia que não cozinhar ele pode te matar.
É verdade, e algumas correntes místicas vão dizer que estamos onde nos colocamos.É, e os outros nos vêem ali, com toda a clareza do mundo. Quando você se sentir escrava, explorada, veja onde está parada e se mexa, saia do campo de visão dos outros, porque somos nós que temos que nos mexer, não são eles que vão deixar de explorar quem puderem. A vida como dizem por aí é um jogo de xadrez e quem está no lugar do peão não chega a rei.

Iara De Dupont

3 comentários:

C.Belo disse...

Isso é mesmo uma verdade. Eu por exemplo sou testemunha de que as coisas funcionam mesmo dessa forma.

Sou uma pessoa prestativa, leia-se: quando um amigo me pede ajuda, se eu posso ajudar, eu ajudo sem pestanejar, algumas vezes até me sacrificando de alguma forma (seja doando meu tempo ao invés de estar com minha filha e marido, seja gastando horas de um fim de semana destinado ao descanso e lazer ajudando essa pessoa, seja até mesmo com dinheiro) pela pessoa.

Mas infelizmente, de fato, quanto mais nos disponibilizamos a essas pessoas, mais elas nos enxergam SOMENTE como muleta, como se apenas servíssemos para isso: ATURAR suas lamúrias, ouvir toda aquela energia negativa e, quando elas estiverem bem (graças em boa parte aos seus esforços), vão CURTIR toda a alegria com outras pessoas e te esquecem, Tomam seus rumos e nem dão sinal de vida. ATÉ, claro, ela precisar de vc de novo...

Iara, eu tb cansei de ser trouxa! Tenho me afastado sutilmente...tenho estado ligeiramente mais indisponível...parecem que quando vc some tb, eles acordam, não é mesmo? Te procuram meio que tirando satisfação do pq VOCÊ sumiu!!!!!!!!!!! E ainda têm o desplante de acusar VOCÊ de ser ingrata!!! Pode isso???? Eu mesma respondo: PODE! Pq as coisas funcionam exatamente assim como vc descreveu: quanto mais vc faz, mais a pessoa acredita que este é seu papel, que vc não faz mais do que sua obrigação e, logo, nem enxergam mais a sua ajuda como um BÔNUS proveniente da amizade, enxergam apenas aquilo que vc DEIXOU DE FAZER!

Carolina disse...

Iara,
simplesmente amei!
Beijos, ótima semana para vc!
Carol

Suzana Neves disse...

Eu já abandonei esse papel de prestativa , preciso melhorar meu desempenho no meu trabalho agora ,cansei de pessoas que só aparecem quando precisam de algo estou cortando um por um se posso me virar sozinha todos podem.

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