ADICIONE O BLOG SMM AOS FAVORITOS! OBRIGADO PELA SUA VISITA E LEITURA!

DESDE 2010. ANO VI. MAIS DE 2.000 POSTS.

GUEST POST NO ESCREVA LOLA ESCREVA

CURTA NO FACEBOOK


E-MAIL
sindromemm@gmail.com

01 setembro 2013

Deus, por que não nasci na Suécia?



Meryl Streep,musa e perfeita de cabelos brancos
Em algum lugar li que cada país corresponde a um estágio da espiritualidade, por isso os países baixos, como Finlândia ,Suécia e seus vizinhos são considerados os mais elevados, porque as pessoas não conhecem o sofrimento da fome nem das injustiças, já os países da America Latina ainda estão presos a suas correntes espirituais de sofrimento e a carmas mais pesados.

Deve ter seu fundo de verdade,porque eu moro no Brasil e sofro demais para manter meus ideais políticos. Não quero consumir nada que venha de um animal, mas o Brasil não é os Estados Unidos, aqui não existem como lá supermercados inteiros só de produtos vegetarianos. Eu tenho que me virar em trinta para poder consumir e mesmo assim não é o que eu gostaria, porque no Brasil não existe esse mercado ainda como nos Estados Unidos.

E agora entro em outro dilema, graças a genética não apareceram muitos cabelos brancos, apesar de eu já ter ultrapassado a barreira dos trinta anos,mas apareceram alguns. Se eu fosse sueca eu estaria me lixando,já que elas não são massacradas pela cultura patriarcal como nós,latinas,não vivem debaixo do fogo cruzado que nós mulheres em paíse machistas vivemos. Mas eu não sou sueca e estou sofrendo meus dilemas latinos de terceiro mundo.

Não quero pintar o cabelo por questões políticas, entendo ao pé da letra o que existe detrás disso, o massacre que as mulheres sofrem para manter a aparência,na sociedade machista que vivemos mulheres não podem ter mais de 28 anos, nem em comerciais, nem em novelas. É como se elas desaparecessem depois dos 28 anos. E a indústria do cabelo sabe disso, de cada três comerciais, dois são para cabelos brilhantes,l isos e sem fios brancos. O cabelo é considerado sinal de status e juventude.

Eu não tingi os cabelos durante anos. Herdei da minha avó índia os cabelos pretos e lisos e mantive eles assim até os vinte anos, quando a burrice típica da idade me venceu e comecei em um circulo sem fim, cortei, tingi de diferentes cores, até rosa eu usei e finalmente estacionei nos fios vermelhos, mas com o tempo meu couro cabeludo começou a ressentir tanta tinta e coisas químicas e eu resolvi parar.

Nessa época eu parei porque fiquei impressionada com um documentário `Save Cosmetics ´ que mostrava como usávamos químicos sem saber suas conseqüências. Joguei fora meus milhões de produtos para cabelo e fechei essa porta da minha vida.

E agora com os fios brancos me vejo batendo a cabeça na parede. Não quero ser escrava dessa cultura de juventude, nem quero me condenar a uma vida de químicos apenas porque o machismo exige, mas ao mesmo tempo não gosto da aparência de fios brancos.Vão dizer que é porque eu fui educada para não gostar e provavelmente é isso, eu acho legal o look que Meryl Streep usou no filme `O diabo veste Prada ´, os cabelos brancos e bem cuidados, mas pra chegar nesse nível de branco eu levaria anos e até lá seriam grisalhos, coisa que eu não gosto.

Por isso se eu tivesse nascido na Suécia, o lugar onde menos se vendem tintas para o cabelo, eu acho que estaria mais feliz, sem tanto conflito,mas eu nasci no Brasil e não sei o que fazer, não quero usar tintas, nem quero correr atrás do tempo, mas também não quero ter cabelos grisalhos, mesmo que isso signifique que eu me libertei da escravidão da mídia e do machismo.

Mas talvez eu ainda não me libertei, me considero em uma liberdade condicional, me mantenho longe de coisas que acredito estarem erradas,não tenho nada em mim que me faça parecer uma atriz pornô nem corro atrás de botox ou coisas assim. Tudo que é direcionado a aparência da mulher eu fujo, não quero nem saber, mas agora tropecei nessa pedra, não queria ficar grisalha. E o que eu posso fazer? São mais de trinta anos debaixo de um massacre sem parar da midía, não é tão fácil se desprender do que vemos todos os dias, mesmo sabendo que tudo aquilo ali é lixo e no fundo é a nossa prisão.

E qual o problema de ficar grisalha? Eu sei lá! Não tem problema nenhum, mas eu me sinto péssima de pensar que não quero ficar assim.
Já cansei de ler sobre os motivos políticos de porque as mulheres são obrigadas a tingirem o cabelo e não concordo com nenhum.

Reconheço que uma parte do meu cérebro já foi devorado por essa mídia e eu não posso mais fazer nada a respeito, talvez eu precise de mais tempo para pensar e conseguir me libertar dessa prisão cultural. Mas no momento não sei o que fazer, a escolha não é tão simples assim ou eu aceito o lixo que me deram e viro uma escrava, condenada a tingir os cabelos até o último dia de sua vida ou eu me liberto de tudo isso e assumo meus fios brancos. Ser livre é um sonho, mas eu também quero me sentir bem comigo mesma e fios brancos ainda não me dão essa sensação de bem estar, mas talvez um dia eu chego lá.

Iara De Dupont

3 comentários:

Anônimo disse...

Iara,concordo com voce,so nao concord que seja tudo culpa do machismo e da cultura patriarchal,ta é em parte,mas já que uam geracao deve supercar a outra,isso eu tambem espero,essa geracao está a pior já vista na história da humanidade,e justamente quando a mulher tem tudo na mão para virar o jogo. A mulher independente de hoje em dia pode até ser careca,mas ela insiste em caber na caixa que quem criou? A propria mulher.Não foram os homens que inventaram essa cultura de musculos,corpo de mulheres no melhor estilo jogador de futebol,nem o corte de cabelo e os fios artificialmente e perfeitamente cacheados de todas as protagonistas de novella,as mulheres compram toda e qualquer porcaria. O machismo ainda impera,mas nunca na historia tivemos tanto poder,inclusive sobre nos mesmas,mas nos subjugamos a tanta escravidao que fica ate dificil de entender. As mulheres seguem as mulheres Iara,o que elas acreditam ser o modelo de bem sucedida. Como voce,tambem ja passei dos 30 e na minha infancia e adolecencia nunca ouvi a palavra dieta,ou algum comentario sobre a aparencia de alguem.É nessa liberdade que me agarro,não vou negar que muitas vezes eu já quis caber na caixa,mas eu olho pro melhor e pro pior da minha geração,e essa escravidão certamente é o pior dela.Assisto mulheres se arrastarem pela vida na tristeza e eternal insatisfação,perdendo a juventude tentando evitar a velhice,já começam a sofrer na adolecencia. Tanta independencia,tanto poder,tanto potencial,e ainda escrava.
Bjs

Anna Lara

G.R. Roots disse...

Iara, ando lendo seu blog incessantemente e gostando muito.
Entendo que você tenha suas convicções, mas de todo o texto, a melhor frase foi "Ser livre é um sonho, mas eu também quero me sentir bem comigo mesma e fios brancos ainda não me dão essa sensação de bem estar."
Tentando seguir sua linha de raciocínio, principalmente em relação a tratar todos como iguais e não seguir estereótipos: dane-se se você é militante feminista e quer ter um cabelo pintado, lindo, brilhante, de Pantene. Você não vai deixar de ser feminista por procurar aquilo que te faz sentir bem.

Aceitar os fios brancos não faz você uma pessoa melhor.
Sei que você é vegetariana, e, queiram os deuses budistas, que sua decisão seja de foro pessoal, não como outras pessoas vegetarianas que escolhem esse caminho para se sentirem melhor do que as outras - porque gente assim também existe.
Eu não sou vegetariana porque realmente adoro o sabor de uma carne, um peixe e não pretendo deixar de fazer uma coisa que gosto para levantar uma bandeira de superioridade. Mas se resolvesse parar de comer carne por motivo éticos, isso sim valeria à pena.
Adoro cuidar do meu cabelo, adoro usar corset para ficar com a silhueta bem curvilínea. Gosto muito de olhar no espelho e achar que ficou bacana um vestido, uma maquiagem. Nem por isso discordo dos valores feministas. Muito pelo contrário: são eles que permitem que eu seja uma perua sem me rotular de fútil, porque isso eu não sou mesmo.

Não se rotule nem se preocupe de se encaixar em nenhum estereótipo. Se quiser pintar o cabelo de loiro, vá em frente! Isso não te diminui em nada! Seu valor é intrínseco e você nem sequer tem de provar pra ninguém que é valiosa.
Lembre-se sempre: na Barra da Tijuca, não se fica velha, se fica loira! Huahahaha Daqui a uns anos estarei platinada!

Beijocas, gata!

Anônimo disse...

Iara,

Tenho acompanhado quase diariamente o seu blog e adoro os seus textos, sempre muito inteligentes, lúcidos e com conteúdo e abrangência admiráveis.Uma raridade. Parabéns!

Já fui vegetariana convicta por mais de dez anos e nunca fui chegada a química em nada (comida, cabelo, etc.,natureba mesmo).Como realmente não gosto do grisalho (também já passei dos trinta), tingi meu cabelo com henna 100 % natural por um tempão. Há dois anos, deixei de ser vegetariana e flexibilizei bastante algumas crenças "verdes". Comecei a usar um tonalizante leve, o que considero infinitamente mais prático, pois a henna (pó) dá o maior trabalho.

No início "maravilha", com o tempo, meu cabelo que já é ressecado/crespo, deu uma detonada.Resultado: voltei pra henna, que para sair do cabelo, comparada ao tonalizante, gasta uma quantidade bem maior de água (o "natural" nem sempre é ecologicamente correto), mas pelo menos o resultado me satisfaz.

Estou contando isso só para dizer que não existem soluções fáceis nem perfeitas e qualquer escolha baseada em radicalismos é falaciosa. Pelo que acompanho no seu blog, percebo que é uma pessoa bastante ética e consciente, o que já é muito nesse mundo de indiferenças.

Não se cobre perfeição. Somos humanos e é impossível carregar o tempo todo todas as bandeiras nem proceder com coerência absoluta todas as vezes.

Faça o que manda seu coração que nem está lhe pedindo algo do outro mundo. Usar o que quiser no cabelo é uma afirmação da liberdade feminina (até o branco, pra quem prefere assim). Não precisa ir pra Suécia(rs)!

Um abraço e mais uma vez parabéns pelo blog.

Leia outros posts....

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...