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02 setembro 2013

Aeroméxico: os ajoelhados que se levantem




Empresa Aeroméxico: só branco na propaganda
Na estrutura social que vivemos existe uma falsa noção de poder, parece que ele está só de um lado, isso empurra o outro lado e o obriga a recuar, sem perceber o poder que tem.

No tempos que eu morava na Cidade do México, há anos, eu já era rejeitada em diversos testes porque meu cabelo é preto e liso e eles consideram isso ''aspecto indígena''.

O México é um país onde menos de 30% da população é branca, os outros 70% são indígenas. Mas assim como no Brasil o sistema parece viver em função dos brancos, não dos indígenas. No Brasil negros são barrados na publicidade e novelas, os núcleos principais sempre são os de brancos e ricos. No México é a mesma coisa, mas com os indígenas, ali os únicos que existem são os brancos.

Nós carregamos o lixo que os portugueses deixaram aqui, os mexicanos o que os espanhóis deixaram, a falsa ideia da superioridade branca e dos seus descendentes nobres.

E esta semana uma blogueira mexicana postou um texto que recebeu de uma empresa do México, a Aeroméxico, provavelmente a maior empresa de vôos de lá. O texto era para um teste, pedindo por atores ''Perfil internacional, brancos''.

Eu escutei isso o tempo inteiro que estava lá, mas ela recebeu o e-mail e denunciou. Isso causou um enorme constrangimento na empresa que fez o que todas fazem, se desculpou, disse que foi um mal entendido e tudo vai se resolver.

Mas é mentira, tudo vai seguir exatamente no mesmo lugar. A empresa com certeza prefere pegar fogo do que colocar alguém de aspecto indígena, porque também se carrega nas tintas sociais, depois de tanta discriminação e massacre, os indígenas são os menos favorecidos na escala social, então colocar um em uma propaganda faz o produto segundo os empresários ''parecer de pobre''.

Isso tudo gerou uma sensação ruim, mas o tema ainda não é colocado na mesa,por um simples problema, pessoas não têm ideia do poder que tem, acreditam que na história do mundo apenas um lado tem o poder de modificar a sociedade.

Se as pessoas que ficaram revoltadas com a Aeroméxico, mudassem de empresa na hora de viajar, a empresa poderia recuar, porque essa linguagem todo mundo entende, a do chute no bolso. De outro jeito não adianta, mesmo que sociólogos, antropólogos e centenas mais gritem que o racismo condena a sociedade mexicana a uma vida de atrasos, mesmo assim nada vai mudar até que as empresas sejam diretamente atingidas.

Boicote é a única arma que o lado mais fraco tem, mas é a arma mais poderosa e a que pode mudar tudo. Isso vale para todo mundo que não é loiro, rico, magro e perfeito, qualquer um que esteja do outro lado da corda tem que saber que não está tão a mercê assim como pensa nem é tão vítima.

Infelizmente essas empresas sabem que o problema do Brasil e do México são as economias sempre apertadas, então se um boicote começa elas reagem e fazem promoções, as pessoas esquecem a história e nada muda.

Eu conheci uma garota que é uma importante ativista de animais aqui no Brasil. Uma vez a gente saiu para conversar em um shopping e passamos onde tinha uma vitrine da Arezzo e ela surtou quando viu os preços, porque era uma liquidação. Eu lembrei a ela que a Arezzo usa peles de animais, inclusive de coelho e está se lixando para isso, tem tido uma péssima atitude em relação a esse assunto e a moça me respondeu:

- É, tem razão, mas esses preços estão bons né?

As empresas sabem o nosso preço, por isso fazem o que querem. Uma vez apareceu um rato em um pacote de salgadinhos, de uma empresa super conhecida e foram várias vezes, não foi um episódio isolado, mas no mesmo dia eu vi lojas e supermercados vendendo o estoque pela metade do preço e uma fila enorme para comprar, quando o correto teria sido jogar no lixo o lote que era suspeito.

Somos tratados como debilóides que podem ser manipulados pelos preços dos produtos e devemos mesmo ser porque esquecemos que o dinheiro sai do nosso bolso, não do deles.

Os mexicanos estão chateados com esse escândalo de racismo, mas não vão mudar de empresa na hora de viajar.
Um intelectual mexicano, Enrique Serna disse ao jornal El País,sobre esse episódio  ''O império dos fodões só vai terminar quando os ajoelhados deixem de admirá-los''.

Isso serve pra todos que estão ajoelhados diante de um sistema racista, preconceituoso, gordofóbico, homofóbico e sexista. Somos mais os que estamos ajoelhados do que os que estão de pé nos humilhando e o dinheiro ainda sai do nosso bolso. Se ninguém ficar em pé isso não vai acabar nunca.

Iara De Dupont

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