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01 agosto 2013

México: fazendo suas criancas indígenas ajoelharem

Por que um país faz uma criança se ajoelhar?
Depois que eu descobri que era hiper sensível as situações tenho lutado muito para me manter indiferente a muitas delas, porque não aguento o desgaste que me provocam.
Mas ainda têm muitas coisa no mundo que conseguem fazer meu sangue ferver em questões de segundos.

Em geral são questões ligadas a animais e a crianças, o resto eu aprendi a tolerar, me horroriza, 
mas não me aperta meu coração como uma criança ou animal conseguem apertar.

E lia hoje sobre o Feliciano, um menino de dez anos, da cidade de Tabasco, localizada no México.
O México apresenta o mesmo problema que o Brasil, não tem um Estado presente e as crianças são sacrificadas. Depois que os espanhóis chegaram e colonizaram, deixaram um rastro de destruição e preconceito, exatamente como fizeram os portugueses aqui, apesar de muita gente odiar essa comparação porque os portugueses não destruíram da maneira que os espanhóis destruíram e dizimaram a população indígena. 


Assim como no Brasil crianças negras são rejeitadas, no México crianças indígenas recebem o mesmo tratamento. Chique no México é ser branco, já a de pele morena, indígena, indica uma pessoa pobre e fora do sistema. Os brancos no México são minoria, quase todos descendentes de espanhóis, são a elite, os ricos, os poderosos e têm horror a pele morena, usam palavras racistas e não se misturam, uma coisa bem parecida ao Brasil.

Minha mãe é mexicana e é morena, o equivalente a ter uma mãe negra aqui. Eu só comecei a entender o tamanho do racismo deles quando me mudei pra lá, aqui eu era considerada branca e meu cabelo longo e preto era sempre elogiado. Lá eu virei uma branca com cabelo ''indígena'' e sempre me diziam isso de maneira grosseira, por que estragar minha beleza com um cabelo tão indígena? Uma vez me disseram que ter o cabelo indígena não era fator de orgulho pra ninguém. A verdade é que eu resolvi ver até onde a coisa ia e mudei a cor do meu cabelo pra uma cor mel e as pessoas começaram a me tratar diferente, porque então elas me viam como uma ''branca original''.

E as crianças indígenas de lá são abandonadas pelo Estado, têm menos acesso a educação, saúde e empregos quando crescem. Assim como no Brasil as pessoas discretamente preferem contratar um branco a um negro, assim é no México, eles descartam as pessoas de aparência indígena e preferem as brancas.

A situação dessas crianças indígenas é de abandono, como as crianças negras aqui.
E semana passada um menino de dez anos, Feliciano, conhecido como Manuelito, pegou sua cestinha com doces e uns cigarros e foi vender na rua, para ajudar sua família, também abandonada pelo Estado, em um problema maior do que o Brasil. O México é um país onde apenas 80% da população fala espanhol
, o resto de divide em diferentes idiomas, herança dos tempos anteriores a colonização, lugares alguns afastados, outros nem tanto, mas essa diferença de 20 % tem sido trágica, porque muitas crianças não são alfabetizadas em espanhol e dominam apenas o idioma que aprenderam no lugar onde moram. A maioria vive em lugares afastados, tentam viver da agricultura, mas não conseguem porque não são donos da terra e são empurrados a cidade, mas chegam lá e não conseguem emprego, não falam espanhol, muitos não têm nem documentos e o destino deles é quase sempre  o mesmo, a periferia da cidade e com menos sorte, a rua.

O menino foi a rua e um fiscal da prefeitura viu, podia ter sido gentil, mas pra que? O ser humano pode ser nojento, ele se aproximou do menino, começou a dizer que não podia vender cigarros porque era menor de idade e obrigou o menino a tirar as coisas da sua cestinha. Alguém gravou a cena em um celular e jogou na internet. Na primeira olhada não parece tão violento, mas se pensamos na situação real é uma das cenas mais tristes que já vi. O menino se desespera com o fiscal e seus ajudantes falando várias coisas, porque ninguém sabia que o menino não entendia espanhol. Eles tentam arrancar a cestinha dos doces, mas o menino reage e segura, mas é obrigado a jogar tudo o chão, o que ninguém entendeu é porque os fiscais obrigaram o menino a jogar tudo no chão e ainda levam embora os cigarros.

A última cena mostra exatamente o que os espanhóis fizeram com os indígenas, o menino fica no chão, em posição de desespero, segurando a cabeça, exatamente como os indígenas devem ter ficado depois de ver sua civilização ser derrubada.

Fazer isso com uma criança não tem o perdão nem de Deus, uma criança que nem entendia o que estava sendo dito.
Depois que o vídeo caiu na rede, o menino foi procurado e com a ajuda de um tradutor ele contou que vende doces para ajudar sua família e para economizar para seus livros, já que quer aprender espanhol e entrar em uma escola e ficou com medo do fiscal, achou que seria levado a prisão.

Agora que tudo passou ele foi levado a televisão, ganhou presentes e ajuda, mas em uma demonstração de generosidade, ele pediu que também mandassem presentes para os seus amigos, que moram no mesmo lugar e na mesma miséria.

O México é um país que não soube aproveitar toda sua riqueza cultural, pelo contrário, aprendeu a lição com os espanhóis e continua o massacre da cultura indígena, obrigando as crianças a serem alfabetizadas em espanhol, quando o melhor seria respeitar a cultura na qual a criança cresceu, ajudar ela a perpetuar esse conhecimento e agregar o espanhol, sem obrigar ninguém a abandonar suas raízes.

Mas o Estado não fez isso e hoje o México tem um exército de 80 mil crianças indígenas nas ruas, vendendo doces e cigarros, longe das escolas, discriminados por sua cor de pele e sofrendo todo o tipo de violência.
Feliciano, o menino do vídeo, conhecido como Manuelito, é apenas outro deles e ver ele de joelhos no vídeo faz lembrar todos os horrores que aconteceram na colonização do México.

E durante séculos os mexicanos jogaram a culpa de todas suas desgraças aos espanhóis que destruiram sua civilização, mas e agora? A culpa de deixar uma criança de joelhos é de quem?


E no século XIX apareceu no México um líder, considerado um herói da revolução, Emiliano Zapata, que diante de tantas injustiças que via o povo sofrer disse uma frase clássica, mas que pelo jeito todos os mexicanos esqueceram ''É melhor morrer de pé do que viver de joelhos''.


Iara De Dupont

Um comentário:

Anônimo disse...

Nem sei que palavra usar para descrever o que senti lendo isso,a gente pensa que conhece um pouco do mundo,mas nao. Iara,confesso que nao compartilho seu sentiment para com os animais,sou incapaz de maltratar um,mas leio e medito nos seus posts,mas para mim alguns deles foram criados so para nosso alimento,me desculpe,mas e o que penso,embora eu ache muito nobre quem defenda sua causa,porque tem bases solidas,mas ver alguem distratar um inocente e indefeso e muita covardia,eu nasci na decada de 70,claro que sempre teve violencia no mundo e gente malvada,mas me lembro que no interior as criancas da vizinhanca eram cuidadas por todos,se uma mae chamava o filho para o almoco,chamava os colegas tambem,vigiavam,cuidavam. Sera que o mundo esta piotando ou é porque hoje temos mais acesso ao que aocntece nele?
Bjs

Anna Lara

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