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29 julho 2013

O lento massacre da Princesa Masako




Princesa Masako e o Princípe Naruhito: a doença dela ninguém repara
                                  



Princesa Victória da Suécia: qualquer mudança de peso o povo repara


Nesse mundo estranho é triste ver como as pessoas separam as doenças e julgam em base ao que acham que sabem, como se a doença revelasse a pessoa.
E algumas doenças ainda são consideradas frescuras e coisa de gente que quer chamar a atenção.
A depressão é uma das doenças mais julgadas e condenadas do mundo, muitos conhecem alguém que sofre disso, mas como é da categoria ''invisível'', não tem o respeito que merece.

As revistas especializadas em realeza pegam no pé de todas as princesas e uns anos atrás, a Princesa Victória, futura rainha da Suécia sofreu por anorexia. Ela se retirou um tempo para se tratar, mas as revistas marcavam em cima, assim como marcam em cima da Princesa Letizia da Espanha que dizem que também sofre de anorexia.

Anorexia é uma doença nervosa, onde a pessoa acha que está gorda e não consegue mais comer, é uma doença visível, todos vêem quando a pessoa está doente, pela rápida perda de peso.
Mas quando é uma doença invisível como a depressão as revistas ignoram, como o caso da Princesa Masako do Japão.

É verdade que a casa imperial japonesa é fechada e revistas não tem o menor acesso as informações, mesmo assim consideram Masako pouco interessante, ignoram ela enquanto a moça vai se deteriorando aos poucos.

Masako é uma plebéia, filha de um diplomata e se formou em Economia em Harvard, Direito na Universidade de Tóquio e Relações Internacionais em Oxford, é fluente em vários idiomas, inclusive russo e alemão, mas teve um grande azar na sua vida, o seu caminho se cruzou com o do Príncipe Naruhito. Se conheceram em uma recepção na Espanha, ele gostou e ela fugiu durante um tempo do assédio, mas ele procurava uma esposa e pensou que a moça seria ideal, então a pediu em casamento. Masako tinha anos morando longe dos pais e não quis se casar, mas foi obrigada, porque no Japão não se pode dizer ''não'' a alguém da família imperial, até 1945 a família imperial japonesa era considerada divina e nenhum japonês se atreveria a contestar qualquer pedido vindo deles, assim o pai de Masako convenceu ela a se casar, evitando ''encher a família de vergonha e desonra''.

Masako largou sua vida internacional, seu sonho de carreira diplomática e entrou em uma casa real que foi fundada no século V, antes de Cristo. É um lugar tão hermético e fechado que ninguém sabe como funciona, apenas que são mil funcionários para servir os 23 membros da família real e que tudo segue uma ordem milenar. Tanto é assim que ao contrário das princesas européias, Masako não pode escolher a roupa que vai usar, não pode tirar férias nem sair do palácio sem autorização, não pode se relacionar com ninguém de sua família, não tem cartões de crédito e não pode sair de uma ala a outra sem prévia autorização, não tem passaporte, não pode determinar sua rotina e o mais incrível, não tem acesso a nenhum tipo de comunicação, não pode se comunicar com ninguém fora do palácio. O único momento em que pode abandonar o palácio é quando tem compromissos reais. Até sua alimentação é vigiada e controlada. Ela não pode comprar nada, nem receber alguma coisa de fora do palácio. Mas pode escolher entre ter mais tempo de aulas de violino, poesia ou protocolo. E por ser mulher vale muito menos, a única coisa que se esperava dela era um filho, assim o trono estaria garantido, já que pela linha de sucessão seria primeiro seu marido, o imperador, depois seu filho. 


Mas foi tanta a pressão que Masako levou anos para engravidar, tentou todos os tratamentos e acabou tendo uma filha, Aiko, o que tirou seu marido da linha de sucessão, não será mais imperador, seu irmão, o Príncipe Akishino teve um filho, Hisahito, que agora aos seis anos é separado da família para viver em outra parte do palácio onde vai ser preparado para ser o próximo imperador.

Diante desse mundo hostil, Masako entrou em uma profunda depressão, tão séria que se afastou logo dos compromissos oficiais e já são quase nove anos que está afastada de todos, em algumas ocasiões conseguiu sair, oficialmente ela saiu apenas cinco vezes em quase uma decáda, mas fora disso vive prisioneira no palácio, que diante da pressão da imprensa garantiu que Masako já recebeu todos os tipos de tratamentos para a depressão, um inclusive era uma alimentação a base somente de peixe.


Mas as revistas que cobrem a vida da realeza no mundo nem consideram Masako, é pouca a informação que recebem dela, tudo é oficial, ela não pode dar entrevistas nem falar em público, na verdade não pode nem falar, até os homens da casa real japonesa são obrigados a seguir uma espécie de conselho, uma equipe de homens mais velhos que vigiam, protegem a casa imperial  e seus costumes milenares, um deles é controlar cada palavra que os moradores falam.


Masako também é ignorada porque não usa vestidos incríveis nem aparece de biquíni em iates pelo mundo e não tem um ''corpo ou rosto fotogênico''. Que Masako leve quase dez anos morrendo na frente de todo mundo não altera ninguém, recebeu o apelido da ''Princesa triste'' como se isso fosse uma coisa boa. O mundo não se comove diante de sua dor, nem de sua agonia, já que sua depressão deve ser muito pior do que parece, porque Masako foi afastada de todos os compromissos reais, coisa impensável para alguém de sua posição e se o conselho da casa imperial aceitou isso é porque Masako deve estar mesmo muito doente.

Michiko, a sogra de Masako também é plebéia, também foi escolhida sem poder se negar e também teve uma crise nervosa com a vida no palácio, mas a casa imperial sempre disse que tanto a sogra como Masako tinham tido problemas ''de adaptação'', como se depressão fosse um problema de se adaptar ao mundo externo.

Anorexia em princesa é coisa que faz todo mundo correr e com tantas capas de revistas as casas reais são obrigadas a se mexer e fazer alguma coisa, mas depressão é coisa de princesa que não se ''adapta''.

Todas as tradições que dependem da pele alheia só trazem sofrimento. Os japoneses têm o direito de ter todas as casas imperiais que quiserem, mas deveria ser considerado crime contra a humanidade ter uma pessoa refém em uma delas, morrendo lentamente. É inacreditável pensar que em qualquer cadeia do mundo Masako teria mais direitos do que tem nessa casa imperial, que vai engolindo ela aos poucos, em nome de uma tradição milenar.

Iara De Dupont 

2 comentários:

Srta. Vihh disse...

Olá, bom dia. O texto tocou-me profundamente. Triste isso mesmo.

Claudia disse...

É,acompanho há muitos anos a família imperial acho que só na revista Made in japan ( brasileira para quem vivia no japão) é que contava um pouco mais a história...
Eu ainda tenho a impressão de que o filho do irmão futuro sucessor do trono teve uma "ajuda da ciência", pois ele já tinha filhas grandes e o menino nasceu qnd estavam cogitando a idéia de uma mulher ao trono ( que seria a filha da princesa), aí o menino nasceu e tudo foi resolvido...
Vejo Masako como se fosse como um animal silvestre, um humano se encantou pela beleza e liberdade que ela tinha, resolveu aprisioná-la pra ficar perto disso e presa em uma gaiola sofre por ter conhecido o mundo e só poder olhar pela janela onde já foi um dia....

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