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22 julho 2013

Ninguém mais tem nada a ver com o outro



Fui ao cinema com um casal de amigos, mais jovens do que eu. Chegando lá os ingressos para o filme que tínhamos escolhido tinham se esgotado, coisas de São Paulo. Ficaram três opções, eu sou virginiana e tenho um problema de broxar mentalmente com as coisas, se não é mais o filme que eu queria ver, então já não fazia mais diferença qual assistir, eu já estava frustrada mesmo. O casal começou a tentar decidir, me afastei deles e cinco minutos depois frases assim voavam pelo lugar ''você não tem nada a ver comigo'', ''eu nem sei porque topei vir com você'', ''sempre tem que ser do teu jeito'', ''a gente não consegue nem escolher um filme, imagina dividir uma vida'', ''você só quer o outro filme pra me chatear'', ''não é só o filme, a gente não tem nada em comum''.

Quando a coisa esquentou, fui lá e disse pra eles que não era pra tanto, a gente podia fazer outra coisa, mas o rapaz irritado foi embora e eu acabei com a moça em um bar, onde escutei durante horas que ''eles não tinham nada a ver''.

Esse tipo de discussão entre casais jovens é muito comum porque eles não tem grande experiência nas relações humanas, estão tão centrados neles que qualquer coisa diferente que o outro pedir é uma declaração de guerra.

Quando era pequena tinha um aparelho de som na sala da minha casa. Eu adorava música e meu irmão também. Então brigávamos a tapas para usar, berrávamos, ele chegou a quebrar um disco meu, na época eram discos, e perdíamos mais tempo brigando do que escutando música. E só tínhamos uma televisão, objeto também de altas brigas, a gente brigava até cansar, mas depois acabávamos vendo o mesmo desenho.

Na adolescência eu já tinha uma televisão no quarto e meu aparelho de som, mas as brigas continuavam na cozinha por doces e sorvetes, minha mãe dividia, mas ele comia minha parte ou eu a dele.
Tudo isso pode parecer bobagem, mas no dá a dimensão do outro, nos mostra que o outro existe e têm vontades diferentes das nossas.

Já na vida adulta eu dividi apartamento com meu irmão. Nunca mais brigamos pelo som porque ele tem seu ipod e eu tenho o meu. Eu nem saberia dizer o que ele escuta e tenho certeza que ele também não sabe o que eu escuto. O computador foi dividido, mas deu tanta briga, que cada um acabou comprando um novo e se fechou essa questão.

E tenho uma amiga que tem três filhos com menos de dez anos. Cada um tem seu celular, seu ipod, seu computador, seu quarto, sua televisão, seu dvd e praticamente sua vida. Não é culpa deles, mas estão crescendo assim, concentrados no que gostam, querem e consomem, sem entender que não são os mesmos gostos que o de outra pessoa.

Por isso uma escolha de um filme pode virar essa tragédia, fica difícil entender porque temos que dividir o nosso gosto com outra pessoa. Quem têm todos esses brinquedos sabe que é responsável por colocar as músicas no seu ipod, carregar seu celular e sua rede de contatos, assim a pessoa foca tanto naquilo e não tem que perguntar nada pra ninguém, então começa a achar que só seus gostos importam.

Nunca discuti com amigos ou namorados em porta de cinema,muitas vezes fui arrastada para filmes que eu nunca escolheria,mas acabei gostando.E se não fosse o gosto musical do meu irmão o meu seria muito pior,de tanto escutar as músicas que ele gostava e assistir os desenhos que ele gostava eu aprendi muito.

Mas eu entendo o casal de hoje, também vivo como eles, presa as minhas decisões e meus gostos, não me interessa muito a opinião dos outros e prefiro assistir um filme que eu escolhi do que um indicado por alguém.

Esses aparelhos fizeram que a gente se concentrasse no nosso mundo, construísse ele e reclamasse quando alguém batesse na porta. A moça não queria assistir o filme que o namorado sugeriu e ele não queria assistir o filme que ela queria. Mas atrás disso eu vi a indignação dos dois lados, a dificuldade de entender que os outros tem gostos diferentes. Estamos cada vez mais fechados no nosso planeta, até porque a manutenção dele depende de nós, isso nos aprisiona mais, se eu não colocar minhas músicas no ipod ninguém vai colocar pra mim.

Isso se junta com outras teorias, onde no passado a mulher cedia, simplesmente porque ela não existia no mundo. Na minha casa quem escolhia os filmes que iríamos assistir no fim de semana era meu pai. Mas hoje os tempos mudaram e esse papel de ceder vem acabando, mulheres são livres e fazem o que querem e sabem o que querem assistir, não vão ceder pra agradar o namorado.

E minha amiga disse mil vezes ''Não tenho nada a ver com ele''.
Cansei de dizer que a briga pelo filme não indicava isso, era apenas a visão que estamos acostumados a ter, somos mimados e queremos as coisas do nosso jeito, o problema é que outra pessoa no nosso mundo começa a não ''ter nada a ver com a gente'', apenas porque não faz a mesma coisa que fazemos, nem quer a mesma coisa.

Não tenho nada contra a tecnologia, mas ela não ia passar pela nossa vida sem causar algum estrago. E pelo menos esse ela causou, vem nos dando a impressão que ninguém tem nada a ver com nós.


Iara De Dupont 

2 comentários:

Poeta da Colina disse...

É impressionante a diferença que faz ter a noção do outro, do próximo. É só abrir a porta do metrô em qualquer estação e ver que isso se perdeu.

Amor não é querer as mesmas coisas, é compartilhar visões de mundo.

O que fará essas gerações, ao descobrirem que é preciso aceitar o próximo?

Marta SP disse...

Eu faço uma leitura mais "feminista" de todo o causo...As mulheres sempre cederam, não estão mais vendo porque ceder, já que trabalham, consomem, tem poder de escolhar Os homens, convenhamos, ainda estão acostumados a impor seus gostos e opiniões, e querem manter seus privilégios de escolha Falo isso pk mesmo os namorados mais "fofos" que tive, cedo ou tarde tentaram impor seus gostos, de forma mais ou menos agressiva (menosprezando meu gosto, por exemplo)

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