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20 julho 2013

Filhos da puta também envelhecem (mas fazem cara de velhinhos fofos)



Velhinhos são seres humanos, nem todos são bons
Em um mundo paralelo velhinhos e velhinhas são fofos, considerados fontes de sabedoria e conhecimento,acima do bem e do mal e cheios de boas intenções, já que conhecem o que existe de pior e melhor no coração humano.

Nesse mundo lindo e rosa ninguém te diz que filhos da puta também envelhecem e só existem porque é um jeito de Deus mostrar que não existe castigo, somos nós que nos castigamos e se a pessoa não se sente presa a uma moral, a uma ética, então ela não se pune, não se castiga, porque considera que faz o que quer.

Quem consegue crescer longe desse lixo católico, desse inferno de culpa e punição, sempre é mais livre, tem uma vida muito melhor do que quem acredita que existe um Deus e ele pune as coisas erradas.
Ele não pune, na verdade ele nem parece se importar muito com isso, tem mais o que fazer do que ficar vigiando o que as pessoas fazem.

Quem não acredita em Deus consegue se desvencilhar de situações que pessoas que tem fé não conseguem, apenas se afastam, porque conhecem a loucura humana e sabem que Deus não faz nada a respeito.
E ser uma boa pessoa é o ingresso garantido a uma vida na terra de sofrimento e abusos, porque os outros vão se aproveitar.

E alguns velhinhos sabem disso e usam sua idade para manipular, mentir e chantagear. Não é porque estão velhinhos que perderam suas garras e seu ódio. Não são todos assim, quem é bom, pode morrer bom, mas quem é filho da puta morre filho da puta.
E quem já teve um velhinho assim na família sabe que eles levam todos a loucura e convencem que Deus não existe.

Meu avô teve seis filhos, os quais ele deixou passar fome, porque apesar de ganhar dinheiro ele gastava tudo com suas amantes, enquanto seus filhos morriam de fome. Minha avó lutou contra uma depressão que causava enormes feridas nas pernas e não podia caminhar, mesmo assim se virou costurando pra fora, pra poder dar de comer aos seis filhos. Eles viviam na miséria, abandonados, enquanto meu avô gastava em bordéis e amantes. E minhas tias não contam isso, mas suas primas me contaram que elas roubavam comida quando eram pequenas, com menos de seis anos, se dividiam e iam a feira, roubavam e saiam correndo. E não fizeram isso com brinquedos, fizeram com comida, no desespero de comer. Eu tenho arrepios só de pensar o desespero que leva uma criança a roubar comida.

Assim que os filhos cresceram um pouco, começaram a trabalhar, um deles tinha apenas oito anos quando pegou seu primeiro emprego. E desde esse dia meu avô começou a levar vida de rei. Chegava para jantar, com a mesa cheia de comida, dava ordens, sermões, mas não pagava uma conta. E fez isso durante anos, se dizia ''o pai'', ''o senhor da casa''.
E dava broncas, não deixava nada barato porque era o amo da casa.

Quando ele tinha oitenta anos ficou doente. Mas nunca pagou aluguel, nem comprou nada, sempre morou na casa de algum filho. E ele ficou de cama. E lá foram os seis filhos cuidar dele.
E por que fizeram isso? Porque a sociedade diz que é obrigação dos filhos cuidar dos pais. Até o padre visitava meu avô.
Uma vez foi uma enfermeira e deu uma bronca na minha tia porque ela tinha exagerado no sal e meu avô era velhinho e não podia consumir comida salgada, tadinho do velhinho, não podia comer com sal, mas os filhos puderam passar fome e ninguém disse nada.

Toda a romaria que fizeram na sua casa, padre, enfermeira, amigos, todas essas pessoas não apareceram quando meus tios eram crianças e morriam de fome. Ninguém ajudou eles, mas na hora do meu avô ficar velhinho todo mundo teve que cuidar, tem até lei de amparo ao idoso. Mas não tem lei que proteja uma criança da fome, pelo menos não naquela época.

Meu avô foi enterrado como um homem santo, um homem de família e todos ficaram comovidos porque ele foi cuidado pelos filhos, o que indicava que ele foi um bom pai.
Mas meus tios e tias só cuidaram dele porque são almas piedosas e acreditam em castigo divino, meu avô morreu quentinho na sua cama e bem alimentado, aquela comida que ele negou aos filhos.

Eu falei pra minha tia que a lição para a família era essa, os filhos da puta vencem, porque são mais fortes que os as boas pessoas. Quem é filho da puta sabe tanto atacar como se defender, coisa que uma boa pessoa não aprende nem levando surras.

Antes eu tinha pena dos velhinhos, mas hoje sei que todos nós temos nossa história, sabe Deus o que a pessoa foi capaz de fazer na sua juventude. Não é da nossa conta julgar e condenar, mas ninguém precisa ver os velhinhos como ''almas santas'', porque muitos não são e fizeram muita gente sofrer. Meu avô é um exemplo disso, de como um filho da puta pode sair bem deste mundo e sem problemas, ele nunca pagou pelo que causou aos filhos.

E meu avô deixou os filhos passarem  fome, mas o envelhecimento não é privilégio de ninguém, assassinos, estupradores e pedófilos também envelhecem e também vão ter uma alma caridosa cuidando deles, porque velhinhos são frágeis e precisam ser cuidados.

Acho que todos deveriam carregar um código de barras no pulso, com todo o histórico de sua vida e na hora de ser cuidado, devia ser scaneado, se tivesse sido boa pessoa, então que fosse bem cuidado, caso contrário, que se virasse sozinho. Deve ter muita enfermeira cuidadosa, cheia de amor e carinho, tratando de algum velhinho que um dia estuprou, espancou ou matou alguém.

Tenho profunda consciência que estou rodeada de muitos filhos da puta que vão envelhecer e eu não aprendi ainda a ser má, ainda sou boa de natureza, como se isso me servisse para alguma coisa. O tempo já está em contra e eu não aprendi ainda, se eu continuar assim ainda vou enterrar muitos filhos da puta como se fossem santos. Tenho vontade de pegar uma caneta e visitar uns túmulos de familiares e escrever na lápide ''Foi enterrado como santo, mas era um filho da puta (só pra constar)''.

Iara De Dupont 

5 comentários:

Paula Bäumer disse...

Apesar de sério, morri de rir!!! ;P
Pq é a mais pura verdd. Velhice não é medidor de "virtudes" de ninguém. Afinal de contas, FDPs tb envelhecem... rsrsrs

Carolina disse...

Sei bem do que você tá falando. Aliás, às vezes acho que sou eu quem escreve esse blog rsrs. Uma das diferenças que eu sei que há entre a gente, é que você é religiosa e eu sou ateia. Apesar de ser ateia, sempre penso na possibilidade de Deus existir (fico até feliz quando penso nisso).
Penso em algumas pessoas más que estão na minha vida e vejo que elas estão envelhecendo. Sempre falei que não cuidaria (também não maltrataria, vai contra a minha ética), e ainda hoje acho isso, não cuidaria (não gastaria minha energia), mas garantiria o melhor cuidado do mundo que estivesse ao meu alcance para essas pessoas. E o motivo é a possibilidade da existência de Deus. Não porque eu sou boa e não faria uma maldade com uma pessoa indefesa (não faria mesmo), mas porque não permitiria jamais que esses FDPs pagassem seus pecados aqui na terra. Essa gente tem que ter garantida a passagem direta pro inferno, nem purgatório nem nada, inferno para a eternidade.
Não trataria como santos (jamais), mas garantiria todos os cuidados. Ambiente limpo, comida boa, atendimento médico e até umas horas semanais da minha atenção. Sem sofrimentos, sem luxos, só o básico para garantir que os pecados não fossem pagos por aqui.

outracarol disse...

É Iara! Eu já ouvi essa história e acredito. Eu também não aprendi ainda que às vezes temos que ser más. Que não podemos ser boazinhas sempre, pois muita gente usa isso para nos fazer de idiotas e outras coisas. É muito foda mesmo. Difícil não ter carinho, solidariedade, compaixão ao ver um velhinho....a gente não sabe nada do passado dele. Mas tb acho essa história do código de barras muito radical. Claro que o passado conta mas o presente também. Eu acho que uma pessoa não deve ser "castigada" por que foi mal no passado. Acho que é mais complexo. Que existe o presente e os nossos princípios. Eu não tenho coragem de negar um copo d'água pra alguem e não me pergunto se essa pessoa fez por merecer. Talvez eu esteja perpetuando injustiças...acho que eu daria uma péssima justiceira, jamais quero ter que ficar nessa função.Gostei do seu texto. Me fez pensar em muitas coisas... Beijos - Outracarol (blog dos 30)

Daniela disse...

Concordo, porém penso o mesmo de crianças. Psicopatia, por exemplo, é algo q já nasce com a pessoa, é só procurar no google "pequenos psicopatas" q a gente cai dura. A única diferença de uma criança filha da puta e um velho filho da puta é o tempo q o outro teve pra fazer ainda mais maldades.

Anônimo disse...

Li esse texto hoje, apesar de ser mais antigo, continua muito atual. Conheço uma família nesses moldes. O marido só curtia a vida, mulheres, futebol, carteado, nenhum dinheiro entrava em casa. A mulher foi trabalhar como cantineira de uma escola e dessa escola, saiam muitos alimentos roubados para alimentar os filhos e o bacana. Ela conseguiu comprar uma casa, os filhos estudavam, cresciam e o marido na farra...Ai veio a doença, ele nao tinha mais como aproveitar a vida e foi colocado num quartinho dos fundos, ninguem lavava sua roupa, ninguem arrumava o quarto, ninguem dava comida. Na hora do almoço ele caminhava até o bandejao, comprava 2 quentinhas, falava mal da familia com todo mundo e voltava pra casa. Um dia um senhor procurou a familia, para reclamar dos maus tratos ao velhinho. Um filho abriu o livro e contou todo o passado, toda a fome que sentiu, dias e dias sem ver o pai, que nem sabia o nome dos filhos. O senhor nunca mais apareceu por lá. O homem morreu e nenhum filho chorou, se sentiram aliviados.

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