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14 julho 2013

Achei que era chocolate, mas era Frankenstein de novo...






Em uma pesquisa recente descobriram que 1/3 dos chocolates vendidos tem menos cacau do que o exigido. Para ser considerado um chocolate, tem que ter na fórmula 25% de cacau, e nos chocolates testados a duras penas isso chega a 5%. Eu como muito chocolate e não acredito que apenas 1/3 tenha menos cacau, com certeza isso deve bater nos 2/3, os únicos chocolates que trazem mais cacau são os de lojas caras, não são os de supermercados.

E o que eles colocam no lugar do cacau? Não sei, se a pessoa ligar para a Nestlé e perguntar eles vão dizer que não podem dizer, porque a receita é propriedade intelectual da empresa, mas esquecem de dizer que a nossa saúde é propriedade nossa, não deles.

Sabe Deus o que misturam, o que jogam ali e vendem como chocolate.
Mas em uma escala diferente todo mundo faz isso, desde que os tempos são tempos, fazemos isso com uma mistura de bolo, jogamos coisas para ver como é que fica, mesmo se não estão nas receitas e também fazemos isso com nossas emoções, vamos jogando, criando, acrescentando, pra ver onde vai dar.
Recentemente eu fiquei chateada com uma pessoa e ontem conversando com um amigo percebi que não era tudo isso que eu pensava. Eu fabriquei a emoção, criei uma coisa artificial, baseada em algo pequeno.

E fiz isso porque estou acostumada assim como muitos,tem gente que neutraliza a emoção, diminui, mas tem gente como eu que faz ela maior do que é.
Quantas vezes já fiz isso sem perceber! Só depois que o tempo passa percebo que nem era tudo isso e nem eu senti tudo isso, fui eu que criei sozinha o que sentia.

Isso sempre aconteceu com as pessoas, todas essas histórias de amor e ódio que lemos desde crianças vem recheadas de emoções criadas em laboratórios. Não é de hoje que somos todos assim. Talvez pioramos nos últimos tempos porque estamos acostumados com tudo que é sintético, artificial, vazio e rápido.

Se a emoção não é como dizem que tem que ser, a gente aumenta e parece muito mais forte do que tudo, mas no fundo é vazia, sem eco.
Passei por isso ontem, ao perceber que estava levando muito a sério uma situação que não teve nenhuma importância, até porque a pessoa não me provoca nada, nem ruim nem bom, mas eu quis achar que sim e dei uma importância enorme.

E não foi a primeira vez que isso aconteceu, enchei a bola de quem não significa nada e depois que tudo acabou percebi como a situação era parecida a uma nuvem, estava apenas passando na minha vida, um dia de pouco sol, e depois sumiu no horizonte. Mas eu vi a situação como se fosse uma montanha na minha frente, algo concreto. Não era.

Sentimentos reais são diferentes, não precisam de sal, nem de açúcar, eles apenas acontecem. Mas se a gente tem que jogar mel, leite condensado, e outros produtos, então não é real, é fabricado.
Eu achei que tinha sentido alguma coisa boa, mas não era isso. Tudo aconteceu em um dia que eu tinha acordado vazia, então se tivesse acontecido uma coisa ruim, teria sido uma sensação péssima, mas aconteceu uma coisa razoavelmente boa e joguei tudo aquilo ali no meu vazio, fiz parecer que dava pra preencher tudo, de tão bom que era. Mas não era nada, só a nuvem passando.

Tudo que tenha que ser acrescentado a uma emoção deixa ela sintética. E se faz isso porque emoções muitas vezes têm a péssima tendência a acabar em um mar de lama ou ficam presas em um pântano. As coisas começam bem, parece que vão bem e de repente ficam chatas, monótonas, vira uma rotina aquela emoção que um dia ironicamente quebrou a rotina.

Médicos dizem que se o corpo vivesse de emoções fortes não chegaria aos quarenta anos, seriam descargas enormes do cérebro, por isso emoções têm que chegar naturalmente a lugares calmos, caso contrário não resistiríamos muito tempo a elas.

Quando fica chato e um dia ficou pra mim, fiz como essas empresas, peguei uma quantidade mínima de cacau e misturei com tudo que achei pela frente e depois sai dizendo a todos que aquilo era um chocolate, uma coisa boa, um doce que traz boas sensações. Mas só tinha 5 % de qualquer emoção, o resto eu criei e já fiz isso tantas vezes que me surpreende ter feito isso de novo sem ter percebido.
Eu achei que tinha encontrado um chocolate, mas era apenas uma mistura que eu fiz direito e me deu a sensação errada.
Não sou a única a fazer isso, pegar emoções rasas e tentar construir uma coisa melhor, como se fosse meu Frankenstein particular. Felizmente desta vez o monstro morreu logo, não deixei sair andando pelas ruas e gritando que era real.


Iara De Dupont 

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