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23 julho 2013

A falta de autoestima pode consumir teus melhores anos





Tenho uma amiga que fez uma festa de dez anos de casamento. Conheço ela desde que namorava o seu marido. E são dez anos com a mesma queixa, a falta de consideração do seu marido.

Muitos têm dito a ela que pessoas são diferentes e demonstram o amor de jeitos diversos. Eu também achava isso e disse a mesma coisa, o cara é sério, não quer dizer que não goste dela. Mas nos últimos tempos eu comecei a reparar que as coisas não são assim.

Trabalhei com os dois em uma peça de teatro, que ambos eram produtores. Uma vez eu estava subindo uma escada carregando uma caixa e ele veio logo me ajudar. Mas cansei de ver ela sozinha carregando caixas e sacolas e ele nunca ajudou. Uma vez encheu o carro de coisas da peça de teatro e deixou ela lá, eu voltei com ela de ônibus.

E todo mundo dizia que era o jeito dele, mas era ótima pessoa. Eu tenho a mesma idade dela, por isso também levei tempo para entender o que acontecia e não cai no mesmo buraco que ela porque eu não me casei, mas se eu tivesse me casado na mesma época estaria hoje no mesmo labirinto, na mesma areia movediça.

A base desse relacionamento e sei disso porque eu também já vivi, é a falta de autoestima da minha amiga. Ela confundiu as coisas, quem não conhece o amor não consegue diferenciar as migalhas que alguém joga.

O marido não considera a moça, não é de hoje, ela nunca existiu pra ele. Quando eu conheci os dois tinham apenas meses de namoro e ele já deixava ela na mão, pra ele a moça não existia.

E isso acontece em milhões de relacionamentos, já entrei neles, sem autoestima a gente não entende as coisas e acredita que os restos que alguém joga são amor, mas não são.
Tudo isso é culpa da falta de autoestima, a pessoa não se enxerga e acaba com alguém que não a enxerga.

As coisas são mais simples do que parecem, quem não te enxerga no primeiro dia nunca mais vai te enxergar. Essa historinha pra boi dormir, de que o jeito da pessoa é assim, ele te ignora, mas no fundo te ama, é uma bobagem sem fim, quem não considera a pessoa, vai morrer sem considerar.

E isso não começa dez anos depois do casamento, não adianta se iludir. Vi milhões de coisas deles como casal e sempre tive essa impressão, que ele não considerava ela, até em coisas bestas, ele entrava no restaurante na frente, sempre pedia o que queria sem perguntar nada para ela, nem presentes ele dava porque ele dizia ''que eram bobagens''.

Não fui a única a ver isso, tanto que no dia do casamento a família dela inteira chorava como se fosse um enterro, enquanto a dele comemorava como se fosse uma final de Copa.

Em uma festa anos antes do casamentos estávamos ali e alguém trouxe um prato com diferentes petiscos, ela logo disse que gostava de um especificamente, ninguém encostou na comida, mas ela se levantou para ir ao banheiro e seu futuro marido pegou o petisco. Eu disse a ele que era pra ela comer, que ela tinha dito que era seu favorito e ele disse: 
-Nossa, que drama! 
E comeu.

Quando ela voltou a mesa e reclamou ele apenas disse:

-Não é pra tanto.

Ela insistiu que eram dela e ele começou a gritar na frente de todo mundo, chamou ela de castradora, de fêmea dominante, que perseguia e vigiava ele, tanto que nem comer em paz ele podia. E eu vi vários barracos assim, ele começa a gritar do nada e ela se encolhia.

Fiquei triste com a comemoração dos dez anos de casamento, porque eu não vejo nenhuma razão para comemorar. De um lado um abusador e do outro uma mulher que nunca achou que poderia ser amada, uma mulher sem autoestima que acreditou que uns gritos eram amor. A festa me deprimiu, saber que ela ainda não sabe quem é e já foi explorada todos esses anos me fez mal.

É só parar um minuto pra pensar, amor não é isso, se começa mal, se começa assim não é amor, é apenas esterco que vai cimentar os anos de abuso que estão por vir.

Se a pessoa entra em um relacionamento com essa agressão, essa falta de consideração a outra pessoa tem que parar para analisar a situação. Não ter autoestima é uma coisa, mas ter paralisia cerebral é outra, mesmo sem autoestima é possível analisar as situações e ter uma noção de como sair delas. A gente sabe quando é invisível para uma pessoa e depois fica visível quando é do interesse dela. Sabemos bem quando somos maltratados, ninguém precisa avisar.

E não depende do outro romper com isso, mas da gente em sair, em tentar construir uma autoestima mais forte e ter a coragem de parar para analisar, perceber que agressões não são amor e ser ignorado não é  ''o jeito sério da pessoa'', é simplesmente porque para ela você não existe.

Por experiência de anos sem autoestima e por vir de um ambiente doméstico violento sei que a pior coisa da falta de autoestima é o tempo que ela consome da nossa vida e não tem volta. O dia que minha amiga acordar já terá perdido dez anos de sua vida, dez anos produtivos, dez anos nos quais poderia estar amando e sendo amada por uma pessoa legal. Dez anos ao lado de um abusador são dez anos jogados no lixo. Ela vai se levantar, mas vai lamentar tanta tempo perdido, porque dez anos achando que ser ignorada é amor é como estar em coma. A pessoa acorda um dia, mas a vida já andou.


Iara De Dupont

 

5 comentários:

Carolina disse...

Iara,
que texto corajoso! Acho que todas as mulheres já passaram e/ou presenciaram um relacionamento assim. Qd meninas, diante de uma situação dessas, sempre ouvimos: "Homem é assim mesmo". Atitudes agressivas, falta de gentileza não são consideradas um comportamento inaceitável; infelizmente, inaceitável é a mulher reclamar diante de tal contexto. Fico feliz todas as vezes que vejo uma voz como a sua, que tem consciência que respeito e amor andam juntos e não há porque viver de sobras qd podemos ter um amor de verdade.
Beijos,
Carol

brisonmattos disse...

Voce está vendo só a casquinha da relação dos dois. Vc não vive o dia a dia deles, o que eles vivem rodeado por paredes e intimidade.O que vc está julgando é o que vc está enxergando e não o que é. Ou pode ser que seja...Mas enfim...Quem somos nós para achar isso ou aquilo das relações humanas. De achismo o mundo tá cheio

Claudia disse...

Tenho uma amiga nesse tipo de situação, fico triste por ela não saber o valor que tem...
Por sorte ela não casou ainda, mas sei lá, o problema é com ela e a cada relacionamento que ela entra ela consegue achar alguém que a trate pior e faz o anterior não parecer ter sido tão ruim.
SE ela não estiver apanhando deste atual com certeza o próximo o fará, infelizmente a pessoa só sai disso qnd quer por mais que tente ajudar, e por algum motivo prefere ser infeliz com alguém do que tentar ser sozinho.
Tenho uma dificuldade enorme de me manter a uma distância "segura" com os meus conselhos, segurar o que penso é um problema sério pra mim...

Anônimo disse...

Humilhacao em publico nao é achismo,falta de educação nao é achismo,é fato.

Lya

Iara Sindrominha disse...

Obrigado Lya!
esse é um dos problemas do mundo machista que vivemos,mesmo as coisas acontecendo na nossa frente as pessoas dizem que é `achismo ´.
E no caso de minha amiga é mais do que achismo meu,conheço a situação porque eu mesma já me envolvi várias vezes com pessoas que não estavam `nem aí ´ pra mim.Mas enfim,as coisas têm que mudar,para que violência verbal deixe de ser considerado `achismo ´por quem escuta.

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