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24 junho 2013

Zoológico do preconceito: macaco, veado, baleia, hipopotámo





Melissa Mcarthy: é musa, mas confundem com animal
Já cruzei a linha da teimosia há anos. Me confundi muito nela, acreditei nessa etiqueta que diziam que eu carregava. Levei anos para entender que minhas crenças, ideologias, não são ''teimosia'', são coisas que eu acredito e não posso fazer nada se incomodam os outros.


Não adianta visitar meu blog e querer grudar adesivos aqui de ''chata'', ''politicamente correta'', ''pega no pé''. Também não me comove nem me arranca lágrimas e-mails me mandando desligar a televisão, em vez de ficar criticando. Dizer invejosa também não gruda na minha pele.

Penso e faço no que acredito e falar de preconceito para mim é uma maneira de acabar com ele, desmanchar essa pele invisível que querem colocar nele, essa mania de chamar preconceito de ''piada''.

Vou cansar de dizer e repetir, nada, nada, nada do que machuque um ser humano pode ser uma piada. Preconceito é isso, machuca a pessoa, atrasa a sociedade, amarra um país, por tanto não é piada, se fosse o Brasil já teria avançado muito e não avançou.

Ofender alguém pelo peso, cor de pele, condição social ou sexual é preconceito, infelizmente apenas o racismo dá cadeia, o resto ainda não, ainda, porque no que depender de mim e de muitos um dia vai dar.
Cansei dessa besteira de que falar de gordofobia é chatice e falta do que fazer da minha parte.

Hoje saiu uma máteria que ilustra o que eu venho dizendo. Uma atriz americana, conhecida por ser gordinha, Melissa
McCarthy, foi criticada por um crítico de cinema, pelo seu último filme,''Uma ladra sem limites''.


O ponto é que o filme é ruim e o rapaz é crítico, tinha todo o direito de dizer o que pensava do filme e do trabalho da atriz. Mas não fez isso, ele se atreveu a escrever detonando a moça, chamando ela de ''hipopótamo fêmea'' disse que ela era ''do tamanho de um trator'' e
''assustadoramente nojenta''.
E ela leu isso de manhã.'E se alguém não sabe,'eu aviso,'isso dói e dói muito mais do que eu possa com palavras explicar.

Melissa é  atriz, fazer cinema, televisão e ser mãe e esposa é bastante, ela não precisa chegar em casa e ler tanta ofensa. Ah, mas o cara odiou o filme! Sim, e tinha o direito de detonar diretor, roteirista, quem ele quisesse, mas jamais ofender a moça assim.
Alguém acha piada ser chamado de ''assustadoramente nojento''? Isso é uma facada em qualquer um.

Eu me pergunto, o que teria acontecido com esse crítico tivesse chamado o ator Denzel Washington, que é negro, de ''negrinho nojento''? E se do ator Ruper Everett, que é gay, se tivesse dito ''gayzinho nojento''? Ele teria perdido o emprego e estaria de joelhos agora no meio da rua, pensando em como pagar os processos que ia levar, fora que ia passar meses se desculpando e jamais encontraria outro emprego. Mas Melissa é gorda e com gordo pode, pessoas pensam que gordos não têm sentimentos, nem direitos, podem abusar bastante e xingar à vontade.

O que o rapaz disse de Melissa  foi terrível.
E por que? Porque é piada, ele não quis ofender, apenas brincar. Pelas críticas que recebeu ele resolveu se explicar e saiu falando mais merda, disse:
''O que eu critiquei foi a tentativa desagradável de fingir que a obesidade é engraçada''. 

É mesmo? E chamar alguém de hipopótamo fêmea é criticar a obesidade?

Não é possível que as pessoas se recusem a perceber que a gordofobia é preconceito, fere, machuca e não tem motivos para existir.
E quem me acha chata deveria procurar um conhecido, um amigo negro e dizer a ele: ''seu negrinho '', só pra ver se não acorda em uma delegacia. E se tiver algum amigo gay vai lá e diz: ''seu viadinho de merda''. E por que isso não pode ser dito? Porque é preconceito, é errado ofender as pessoas, é crime  e esses grupos lutaram para terem seus direitos reconhecidos e ainda falta muito, mas avançamos, hoje chamar um negro de ''macaco'' ou gay de
''viado'' pode complicar a vida de quem tem a coragem de fazer um horror desses.

Mas e hipopótamo? Ah, isso pode, porque só os gordos são chamados assim e não é ofensa, é piada, não é engraçado?
Não me vejo como chata ou politicamente correta, me vejo como uma pessoa que sonha em acabar com o preconceito, porque sei que se tiver uma filha e ela herdar minha genética, ela vai sofrer. Não quero isso pra ela e vou lutar até o fim.

Tive um primo que desde criança era afeminado e os meninos massacravam ele no colégio, chamando de ''viadinho''.
Eu era pequena e não entendia, mas cansei de ver minha tia e minha mãe chorando na mesa da cozinha, minha tia pelo meu primo que os meninos diziam ser um ''viadinho'' e minha mãe porque eu era chamada de ''baleia''. Não quero ver esse sofrimento de novo e se amanhã tiver uma filha e ela for gordinha e alguém chamar ela de ''hipopótamo fêmea'' eu não vou chorar na cozinha como minha tia e minha mãe, eu vou pra delegacia e só quando os pais e a criança forem culpados pelo crime que cometeram eu vou saber que a história mudou, a justiça foi feita e o preconceito derrubado. Não sou eu que vou chorar na cozinha, vai ser a mãe de quem ofender minha filha.

Mas é frescura, coisa de criança! Não é, o preconceito se constrói assim, na dor dos outros. E sei de muitas mães que choraram por filhos chamados de negrinhos, baleias, viados na escola. Essa dor pra mim não é piada.

Eu vi minha mãe chorar muitas vezes por escutarem as crianças me chamando de gorda e coisas assim. E jurei no pé da cruz que isso não vai sair de graça, um dia essa dor será cobrada e podem me chamar a vontade de chata e politicamente correta, não me incomoda, sei no fundo da minha alma que a única coisa que eu não quero é ver outra mãe passar o que minha mãe passou. Eu quero justiça e isso só vai acontecer no dia que xingar gordo virar crime. E podem parar de rir, esse dia vai chegar.

Iara De Dupont

3 comentários:

Carolina disse...

Adorei o texto, Iara, concordo em tudo com vc!
Beijos,
Carol

Poeta da Colina disse...

Nojento é quem ainda nasce com o DNA da sociedade do século passado.

O triste é que o mundo está a gerações de eliminar o gene dos preconceitos.

Anônimo disse...

Concordo. Esse preconceito disfarçado de piada precisa acabar!

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