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20 junho 2013

Marcos Feliciano: o meu país você não vai levar a guerra


Se deixarem ele onde está, ele começa uma guerra.
Sempre tive orgulho da maneira como o Brasil se comportava em relação as religiões. Ao contrário do resto do mundo, de muitos países que navegam na intolerância os brasileiros parecem curiosos em relação a tudo, sem preconceitos.


Não sei dizer hoje, mas quando eu era pequena a maioria das pessoas que conheci teve um trajeto similar. Nasceram e foram batizados católicas, mas cresciam ouvindo histórias sobre Chico Xavier, um dos maiores líderes espirituais do mundo, a grande maioria dos brasileiros conhece um centro espírita. Muita gente que conheci teve contato com o candomblé e umbanda. E outros procuravam o budismos e outras religiões.

E brasileiro adora um banho, seja de sal grosso para limpar as energias negativas, ou de rosas, todo mundo conhece simpatias. Aqui é um dos poucos lugares no mundo que ninguém sai perguntando a religião do outro, isso não parece fazer diferença. Um amigo meu uma vez me comentou uma coisa curiosa, ele é judeu e disse que isso era dito no mundo inteiro, mas no Brasil primeiro ele é brasileiro depois judeu, como se pátria fosse antes da religião.

E o Brasil adora tudo que possa dar sorte, adora amuletos, fadinhas, duendes, pedras, incensos, velas, tudo é bem vindo. Os altares que conheço são cheios de referências, imagens religiosas dividem o espaço sem problemas. Tenho uma amiga devota de São Judas e de Iemanjá e os dois no mesmo altar em sua casa, sem problemas.

É a mistura que levou a sermos assim, gostamos de tudo, queremos ser felizes, pra gente não faz diferença no que o outro acredita, vamos todos guiados pela fé, pela vontade de ver dias melhores.

Se dizem que sal grosso atrás da porta ajuda, as pessoas fazem isso. Mesmo que sejam crendices ou superstições, brasileiro gosta.
E isso nos fez um povo amável, não temos guerras religiosas, nem divisões. Mas ficamos acessíveis demais a isso, abertos e não vimos como o Estado que é laico começou a se transformar em um barco religioso, que vai conforme o interesse da religião dominante.
 
Nossa Constituição vem sendo todos os dias rasgadas e a Bíblia parece ser o novo código civil. Estamos trocando a lei e justiça por
''Deus gosta ou não''. As injustiças e mudanças necessárias estão saindo de cena e agora é o ''Demônio'' que tem que ser dominado.
Isso aconteceu diante de nossos olhos, estamos vendo nossos direitos serem trocados por suposições do que dizem ''Deus quer assim''.

E tudo na calada da noite e aproveitando que o ''Demônio'' estava na rua gritando pelos seus direitos, parece que Deus foi visto lá na Comissão de Direitos Humanos aprovando um projeto de ''Cura gay'', onde então os gays são vistos como doentes e psicólogos podem propor tratamentos para curar.
Isso abre a porta a todo tipo de picaretagem, inclusive religiosa. E leva o país ao século XV. No mundo inteiro o assunto já avançou e todos sabem que ser gay é uma condição sexual, a pessoa nasce com essa direção e ponto, isso não é doença.

Doença é aprovar um projeto ignorante e absurdo. Muito me surpreende que o conselho de psiquiatria não venha a público para dizer que todas as pessoas envolvidas nesse projeto estão sofrendo alucinações e surtos.
O diretor da Comissão,Marcos Feliciano, já mandou avisar que se as pessoas reclamarem ele vai fazer a ''revolução evangélica''.

Nesse assunto me recuso a argumentar, simplesmente porque quero o Estado laico de novo. Se religiosos querem curar ou não gays, nas suas igrejas, templos e fábricas de dinheiro, eu não quero nem saber, entra lá quem quer, mas o Estado não pode ser burro, cego e preconceituoso. O dever do Estado é manter a ordem e as leis funcionando e infelizmente (para alguns) Deus ou o Demônio não têm (ainda) algum poder público que os represente, ninguém têm nas mãos procurações de um ou de outro para falar em seu nome, portanto eles não podem ser considerados.

Não sou a favor só de derrubar esse projeto, sou a favor de derrubar todas as lideranças religiosas, varrer o Congresso de todas elas, porque não estão no lugar adequado.
Quem quiser acreditar em lideranças religiosas, que acredite, mas não são meus impostos que vão manter esse bando de vagabundos mentirosos dirigindo um país. Se eu quiser doar meu dinheiro a Igreja, o problema é meu, mas  meu dinheiro dos impostos não deve ir para o Estado manter poderes religiosos.
Sou a favor de descer uma lei proibindo políticos de se posicionarem em termos religiosos, a religião deles deve ser mantida fora da esfera política.

E isso pode ter um preço enorme para este país, ainda afundado na corrupção, na ignorância, no futuro comprometido, esses fanáticos podem levar o Brasil a uma guerra religiosa sem precedentes, até porque eles são medievais e seus alvos são as mulheres e os gays, dois grupos que hoje já reagem, não são mais minoria nem estão submetidos, então se os religiosos vierem pra cima como estão vindo, eu pelo menos como mulher, garanto que vou reagir.

É esse nosso futuro? Um banho de sangue, em nome de um Deus? E toda o nossa história, não conta nada? Não vale nada nosso presente e passado pacífico, que sempre respeitou todas as crenças?Vamos ser manipulados até a morte para dar o poder a um grupo que não está preocupado com Deus, nem com o Demônio, mas sim com seu bolso?

Tudo isso é pior do que parece, começa assim, com um grupo dominante querendo excluir quem não segue suas regras, depois começam bombas a explodir em igrejas e finalmente acabamos todos divididos, cada um de um lado disposto a morrer pelo seu Deus.

Às vezes somos cornos mansos, sei disso, mas uma guerra religiosa tem as piores conseqüências, nenhum país quer sonhar com isso, mas se deixarmos essas bancadas religiosas continuarem dominando nossa política, o futuro está escrito. E a história já mostrou como isso termina, mulheres, gays, negros e crianças mortos. E homens se matando em praças. Isso não é o Brasil, isso não somos nós. Chega de religiosos no comando, chega de ouvir em ''Nome de Deus''.


A nossa bandeira é verde e amarela.E não vai ser agora que vão manchar ela com gotas de sangue.


Iara De Dupont 

Um comentário:

Victor Colonna disse...

Maravilhoso seu texto! Eu sou homossexual e garanto que também entrarei nesta guerra ser for preciso! Abraços, do seu já admirador...

Victor Colonna

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