ADICIONE O BLOG SMM AOS FAVORITOS! OBRIGADO PELA SUA VISITA E LEITURA!

NOVIDADE!

NOVIDADE!

Nota:O formato PDF dos livros acima pode ser acessado em qualquer plataforma, inclusive Windows, Mac OS e plataformas móveis como Android e iOS para iPhone e iPad.

Os posts mais lidos viraram livros e não estão mais disponíveis no blog.

DESDE 2010. ANO VI. MAIS DE 2.000 POSTS.

GUEST POST NO ESCREVA LOLA ESCREVA

CURTA NO FACEBOOK


E-MAIL
sindromemm@gmail.com

11 junho 2013

Estrias são marcas de guerra e exigem respeito


A menina é linda e sabe disso (ainda bem)
O Facebook tem umas discussões estranhas. Na verdade acho que tudo ali é estranho.
Um dia desses me mandaram um link, de uma estudante americana que colocou uma foto dela, com roupa íntima e se podiam ver as estrias na sua barriga.
E as pessoas surtaram. Teve gente como eu que aplaudiu a coragem da moça e teve gente que ralou.

É um assunto delicado, porque vivemos em um mundo que nos convenceu que estrias são o fim do mundo, a pior coisa que pode acontecer com uma pessoa.
As coisas parecem determinadas e ninguém questiona isso. Sempre me falaram que estrias são coisas horríveis. É uma coisa de outro mundo, um castigo divino.

Estrias são marcas que aparecem na pele quando ela se rompe na camada mais profunda, pode ser por engordar e emagrecer, gravidez ou genética.
Mas alguém determinou que isso era terrível. Modelos escondem com maquiagem e todo mundo nega ter.
Para a sociedade estrias são marcas terríveis, feias e repulsivas. Mas são marcas e marcas não tem nada de repulsivo, são apenas uma história que o corpo decidiu contar.

Eu tenho estrias, mas não vejo como castigo divino, mesmo assim não sou tão bem resolvida nesse assunto, ainda uso creme e não desfilo nua pela casa nem por decreto. Passei a vida inteira emagrecendo e engordando, submetendo meu corpo a todo tipo de dietas que apenas maltratavam ele, que fez de tudo para resistir. Estrias no meu caso são uma marca de todas as guerras que entrei e sai, às vezes meio viva.

Torturei meu corpo durante anos, joguei químicos de cremes suspeitos, fiz dietas que devem ser usadas em prisões na Tailândia e privei o corpo de muitas coisas.

Poderia sair ilesa de tanto sofrimento ? Não. Por isso as estrias estão ali, me lembram ao dias passados e as guerras sem sentido e estúpidas que entrei,por nada.
É como se eu mesma tivesse rasgado meu corpo com minha estupidez.

Mas nem sempre respeitei minhas marcas como se tivessem história. Sempre tive um ou outro namorado que odiava e me fazia lembrar disso, escutei comentários que até hoje, anos depois, ainda não consegui esquecer. Então eu mergulhava em tratamentos horríveis, para tentar melhorar, chorava, me desesperava, batia a cabeça na parede e me sentia péssima por achar que era a única mulher no mundo que nunca ficou nua na frente de um homem, na verdade fiquei de um que detonou minhas estrias, depois desse dia eu praticamente comecei a fazer sexo de burca.

Mas agradeço a todos esses namorados cruéis que tive  por terem saído da minha vida. Não tenho como agradecer isso. Eles foram embora e as estrias ficaram. Marcas da minha guerra pessoal contra meu corpo. Fiquei aqui pensando na importância de respeitar o corpo e a própria história.

Uma amiga minha fez tratamentos, emagreceu, fez plástica, tudo se juntou e suas estrias quase desapareceram. Fiquei até agora pensando nisso, como seria amanhã acordar sem minhas estrias? Elas são de um jeito ou de outro minhas medalhas, a prova física da minha crueldade com meu corpo.

A moça foi corajosa de se expor, apesar de linda escutou um monte de besteiras. Mas ela foi incrível, um corpo humano é aquilo lá mesmo, cheio de subidas e descidas, marcas e relevos. Isso faz parte do que somos, não tem como negar e aplaudo ela pela coragem e pela beleza assumida, porque não é pra qualquer uma.

Tem quem não goste de estrias? Sempre tem. Paciência. Negar minhas estrias é negar minha história e se eu pudesse viver sem nenhum tipo de marcas, seja no corpo, seja na alma, não seria uma pessoa, seria uma boneca e bonecas não vivem.

Iara De Dupont 

4 comentários:

Anônimo disse...

ah, poxa, vc fala sobre o quanto sacrificou o seu corpo, isso parece muito estranho para mim.
minhas estrias são de 2 origens:
adolescencia, era muito magrinha e cresci muito rapido e dai surgiram...
e da segunda gravidez, pcp, porque eu ainda nao tinha emagrecido tudo da primeira e engordei demais na segunda... dai rompeu tudo o que nao tinha rompido na primeira.
antes eu ficava me culpando: poxa, por que eu nao regulei a mao na comida nessa segunda, por que nao me cuidei mais, por que isso e por que aquilo... mas as estrias estao ai e posso me submeter a zilhoes de tratamentos ou posso simplesmente aceitar que isso é coisa de pele e de genetica, sao minhas e contam minha estoria... estou aprendendo a me aceitar. :)

Anônimo disse...

IARA

Não fique encucada com estrias é uma coisa muito relativa. Depois de muito tempo estou aprendendo a aceitar meu corpo, o que não é fácil numa sociedade de aparências. No meu caso sou baixa, gordinha e não tenho estrias, mas minha irmã é alta e tem corpo esculpido e as estrias acompanham ela desde a adolescência.

G.R. Roots disse...

Incrível como num segundo exato, na hora em que estamos vulneráveis, alguém fala algo - que na essência é inofensivo, curto e "esquecível" - e nos traumatiza para sempre.

Não vou me aventurar a dizer que te entendi, mas talvez me sinta da mesma forma.

Você poderia ter o corpo todo riscado e nunca dar bola para isso, porque apesar de saber que as estrias estão ali, elas nunca te incomodaram; ou você pode ter dois risquinhos que uma pessoa de confiança resolveu detonar numa hora em que você estava desarmada e te deixar traumatizada pra sempre.

Comigo foram várias vezes: ainda criança, uns 12 anos, uma tia velha disse que achava bonitas sobrancelhas como as da neta dela (a criança mais linda e bondosa que já conheci. Linda mesmo: loira, olhos verdes. Por quem todos os garotinhos de 12 anos ficavam apaixonados à primeira vista), e que as minhas eram horríveis - assim, gratuitamente, numa sala cheia de adultos e de outras meninas. O resultado é que resolvi dali mesmo tirar as sobrancelhas que tinha - grossas e cheias - e hoje fico tentando recuperar os pelos que não nascem mais (hoje cada sobrancelha é de um jeito, porque fui tirando pelos como uma louca e sem nenhuma noção, e as duas são finas...).
Outra vez foi numa mesa de bar, com o pessoal da faculdade, num dia em que estava me sentindo muito bem, um garoto, também assim gratuitamente, fala no meio de todos que eu sou "muito bonitinha, mas tinha que dar um jeito no eu nariz". Até então meu nariz nunca tinha sido um problema. Ok, não é tão lindo como o da minha mãe, mas nunca tinha reparado nele como algo fora do lugar. Hoje estou aqui, enquanto escrevo pra você, pensando se troco ou não a foto do meu perfil, porque acho que todas as que tirei ultimamente deixaram meu narigão grande demais.

Não são as estrias.
São as palavras e a devastação que elas fazem na alma despreparada.

Iara De Dupont disse...

G. pois é, você tem toda a razão, um dia errado, uma pessoa meio frágil na hora e aquilo vira uma ferida que não se fecha. Eu já tentei até hipnose, para sair daquela emoção da hora, mas foi a primeira vez que fiquei nua na frente de um homem, por isso tudo foi tão traumatizante.

E esqueça seu nariz, não comece com essas neuras de ficar dando bola ao que os outros dizem...

Sempre bom te ver por aqui! beijo!

Leia outros posts....

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...