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05 junho 2013

Bonde das maravilhas: o país está mesmo na época do bonde




Bonde das Maravilhas: não são elas que estão de ponta cabeça, é o país
Bonde das Maravilhas: lugar de adolescente é na escola (mas cadê escola?)
O Ministério Público tem tantas funções que só um especialista pode dizer quais são todas elas. E é justo por ter tantas funções que se exige tanto do sistema, mas ele é seletivo, não se interessa por tudo.

E no caso das meninas do Bonde das Maravilhas, o Ministério foi rápido com as meninas. É um grupo de funk, famoso pela sua música ''Quadradinho de oito'', mas das suas cinco componentes, quatro são menores de idade. Então o Ministério proibiu o grupo de se apresentar, já que considerou que as coreografias e a roupa curta beiravam no pornográfico e as letras eram de cunho sexual.

Foi uma atitude para aplaudir, já que essas meninas não tem nem idade para subir a um palco vestidas desse jeito, quanto menos cantar essas músicas.

O problema no Brasil é o dia seguinte. Elas são meninas de uma comunidade e com o dinheiro dos shows vinham ajudando a família e realizando seus sonhos de consumo. E chegou o Ministério e proibiu. Certo de fazer isso, mas o que vai acontecer com elas, onde está o dia seguinte?

Lugar de menor não é no palco dançando semi-nua, é em uma escola, se preparando para uma faculdade. Mas elas tem acesso a isso? O governo está cumprindo sua parte? Porque elas moram em comunidade, lugares abandonados pelo Estado e onde frequentar uma escola depende do humor de vários, já que se for dia de troca de tiros, então a escola não abre. E quando abre o lugar é deficiente, com professores assustados, sem apoio e com um material escolar digno dos anos cinquenta.

É muito fácil tirar essas meninas do palco e não fazer nada pelas outras, presas, traficadas em bordéis frequentados por políticos. É mais fácil ainda mirar nessas meninas e seu quadradinho do que correr atrás de cafetões e pedófilos.

Sou a favor de tirar do palco, não tem porque uma menor dançar desse jeito, mas por acaso elas vão deixar de frequentar bailes funks?Não. E a roupa vai mudar? Não, vão continuar saindo as ruas vestidas como adultas.

Mas é bem Brasil isso, é mais fácil prender camelô do que aceitar que o governo falhou na tarefa de empregar seus cidadãos e a indústria não pode mais dar tanto emprego porque está enforcada em impostos.
É mais fácil o show mesmo, ver quem está na mira, do que ir pelos bastidores e prender gente que controla o tráfico de menores.

Deixar essas meninas sem fazer seus shows é moleza, agora parar a prostituição de menores nas estradas aí fica difícil, vão dizer que é um problema da polícia, que diz que é um problema da polícia federal, que diz que é um problema do Ministério, que diz que o problema não ''é bem assim'', até que chega em alto escalão e a resposta é inacreditável ''Não existe prostituição infantil, isso é intriga da oposição, mentira pra desprestigiar o governo atual '', e assim vai.

Na hora de reclamar dos shorts curtos, da música e da asquerosa coreografia, todo mundo reclamou e tanto foi que o Ministério acordou e tirou as meninas do palco.
Mas e na hora de reclamar da letra da música? Elas dizem: Faz quadradinho de oito,faz quadradinho de oito...

Um quadrado não tem oito lados, esse seria um octógono. Então o problema vai além da roupa e coreografia, mas de uma música errada. Mas é licença poética! Eu não diria isso, penso em um reflexo do país, crianças jogadas em escolas que o governo abandonou, assistindo televisão demais, crescem e viram adolescentes com uma super sexualidade, mas ignorantes em qualquer outra questão, apenas porque a escola que eles frequentavam vivia fechada, pelos tiroteios da comunidade.

O Ministério Público tem que se preocupar com menores, mas também deveria questionar o fato de um quadrado em uma música ter oito lados, porque essa é a ponta do iceberg, adolescentes que têm que ajudar em casa, mal conseguiram terminar uma escola, que o governo nunca deu acesso, e se vestem com adultas e tentam ser alguém no mundo. A tragédia brasileira é exatamente isso, crianças e adolescentes semi-analfabetos, vestidos como adultos e adultas em uma estrada, jogados a uma máquina que sexualiza tudo.

E não adianta só proibir essas meninas, elas são quatro menores em um país onde dois a cada sete menores são explorados de alguma maneira. Tirar elas do palco e desligar as luzes não muda a situação de milhões de crianças que são vendidas, traficadas e caem na escravidão sexual.

Se proíbem essa meninas de cantar e dançar, então isso tem que valer para todo mundo, até para aqueles bailes funks matinais, onde só entra adolescente. Elas não são as únicas que foram abandonadas pelo Estado e tentaram se defender, mesmo do jeito errado, mas tentaram. Ainda são milhões de crianças que precisam que o Estado faça a sua parte para que elas possam fazer a delas, estudar e se desenvolver saudavelmente.

Iara De Dupont 

2 comentários:

Anônimo disse...

Ola Iara,

Concordo plenamente com voce quanto ao papel do estado,quanto ao abandono,mas e a familia? Ok,a familia ja vem da mesma situacao,e um circulo vicioso,mas eu nao aceito isso,nao aceito que alguem coloque um filho no mundo sem condicoes de sustenta-lo,quanto mais,3,4,5.Pode ser feio da minha parte,mas da mesma maneira que voce se revolta com o estado,e com toda razao,eu me revolto com pais que tem varios filhos e roubam a infancia desses quando os maiores tem que cuidar das menores.O estado falhou sim,mas a familia e responsavel pela formacao do carater,nao a e escola. Vivem em um meio hostil? Sim,nao tenham filhos entao,os pais devem achar lindos ver suas filhas tratadas como um pedaco de carne,ahhh precisam do dinheiro,sim,e os filhos precisam de pais.
Me desculpe o desabafo,mas os pais se sentem coitadinhos,pena ,tenho dos filhos.

Lia

Iara Sindrominha disse...

Concordo com você Lia,mas o acesso a informaçã e a saúde também são dever do governo.Uns anos atrás o Dr.Drauzio Varela fez no Fantástico um quadro sobre prevenção,e foi assustador.Centenas de cidades recebiam pílulas anticoncepcionais um mês sim e dois não,uma coisa maluca.E era enorme a lista de cidades que nunca tinham recebido nos postos de saúde preservativos.Para quem mora em cidades grandes,centros urbanos é mais fácil se cuidar...mas ai se esbarra em outro problema,a ignorância de muitos casais e não por não saber se cuidar,mas pelo machismo,que leva o marido ignorante a espancar a mulher se descobre que ela está se cuidando...eu acho sinceramente que o governo deveria olhar mais atentamente a isso,porque realmente aperta o coração ver tantas crianças....E sabe que tem uma questão fundamental,mas não é dita,se chama estupro conjugal,a regra é clara,se um não quer,dois não fazem,mas a grande maioria das mulheres não sabem disso,e são forçadas a terem relações com seus maridos,achando que é assim mesmo,e acabam engravidando...é uma tragédia atrás da outra...

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