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15 junho 2013

13 de junho: o que fazer diante de um Estado covarde?










A cena mais comum nesse dia,a polícia atirando em todos
Como muitas pessoas em São Paulo eu tinha decidido não participar dos protestos que iam acontecer pela questão do aumento da tarifa de ônibus, que passou de 3 reais a 3,20. Não tenho medo de multidões nem de pessoas protestando, mas tenho minhas reservas com a polícia. Sei que eles saem com ordens específicas de partir pra cima e isso faz qualquer um gelar.

Eu moro há uns quarteirões da Avenida Paulista. E ontem sabia que a manifestação pela tarifa abusiva estava subindo a Rua da Consolação, há pelo menos seis quarteirões da onde estou, mas eu precisava sair e subir apenas  um quarteirão, pegar umas coisas e voltar. Eu ia para o outro lado da onde supostamente estava a manifestação e subi rua, chegando na esquina tinha uma tropa de choque, fechando tudo. Então resolvi dar meia volta quando vi que não poderia continuar. Quando fiz esse movimento, fui avisada por um policial que não poderia mais descer a rua, só poderia subir, mas a rua de cima estava cheia de policiais, tropas de choque, gás lacrimogêneo e ainda restos no ar de spray de pimenta. Uma senhora na minha frente teve a mesma ideia, de recuar e descer a rua, mas foi empurrada por um policial e caiu ao chão.

Achei melhor seguir em frente, depois que um grupo me ajudou a levantar a senhora. E fomos empurrados todos para o meio da  rua, onde pessoas corriam para todos os lados, como animais, atrás vinha a polícia, batendo em todo mundo, parecia cena de filme. A tropa de choque vinha atrás empurrando e na frente aparecia outra, em segundos
 pensei que aquilo ali era uma armadilha e eles iam matar todo mundo, porque fizeram uma espécie de sanduíche  de pessoas, onde eles iam empurrando e batendo.


Não era a rota do protesto, eram ruas paralelas, mas a tropa de choque achou melhor dispersar todo mundo, perseguindo a todos pelas ruas, ignorando que muitos estavam desavisados, quem fazia parte do protesto já estava correndo, porque sabia o que estava acontecendo, mas quem foi pego pela polícia, parado, encostado, acabou apanhando.

E vi vários policiais arrancando telefones de quem tentava tirar fotos. E não vi ninguém armado, nem jogando pedras, nem coquetéis de molotov, pelo contrário, as pessoas corriam sem olhar pra trás, quem vinha pisando todo mundo era a polícia.

No meio da rua, da confusão, um menino puxou meu braço. Quando eu me virei vi um policial batendo na cabeça dele. Umas pessoas puxaram o menino, mas ele continuou segurando meu braço. Vi que ele tinha a cabeça aberta, como se tivessem rasgado, vi a mochila da escola, o menino não tinha mais de dez anos. E com uma garota chilena, que estava na confusão, subimos a rua com o garoto, pensando que o melhor seria chegar a um shopping center que tem uma ambulância. Não eram mais de dois quarteirões, mas pareceu a distância do mundo inteiro. Não dá pra ver nada com o gás, as pessoas correm desesperadas e só dava pra escutar os policiais batendo nos escudos.

Há umas semanas eu machuquei o tornozelo e correr não era a melhor ideia pra mim. E não corri porque fiquei com medo das pessoas que estavam na manifestação, nem da confusão, eu corri porque a polícia vinha atrás e eu tive a clara sensação de que se  parasse a polícia ia fazer comigo o mesmo que estava fazendo como tudo mundo, batendo até arrebentar as cabeça. E quem me deu medo e obrigou a correr foi a polícia, essa mesma que eu sustento com meus impostos, é o meu dinheiro que paga os salários e esses escudos covardes que eles usam.

Finalmente conseguimos chegar no shopping, avisar a família do menino, ele morava em frente e voltava da escola, quando o policial empurrou o garoto na parede, dizendo que ia revistar a mochila, o menino se assustou e ele arrebentou a cabeça do menino. Eu passava ao lado, mas não o tinha visto, quando ele esticou o mão e me puxou, pra tentar sair ali da onde estava. Foi quando outras pessoas perceberam e conseguiram puxar o menino, que estava prensado por um policial. E ao chegar em casa e  lavar minhas roupas, pensei que deve ter sido enorme a pancada que esse menino levou, porque minha blusa tinha ficado molhada de sangue, coisa que na confusão não percebi, mas estava com toda a roupa encharcada.

Um Estado que coloca a tropa de choque na rua com ordem de bater é um Estado covarde.
Sei que no meio das pessoas que faziam protestos tinha gente que só foi atrás de confusão, gente com motivação para detonar as coisas e irritar a polícia. Mas são minoria e a tropa de choque deve estar ali atenta, protegendo quem faz o protesto, mas não foi o que eu vi. Os direitos de todos foram atropelados, o direito de protestar e o direito de quem não estava protestando, mas estava por alguma motivo na rua. A polícia nisso foi democrática, bateu em todo mundo.

Também não sei em que lei estão baseados para arrancar celulares de todos. Daqui a pouco a polícia vai dizer no Jornal Nacional que todos os celulares eram bombas.

Nunca acreditei em nenhuma polícia e muito menos em qualquer governo. Mas a situação é pior do que parece, porque as pessoas têm o direito de sair a protestar, mas não têm como se defender de uma tropa de choque. Mesmo que um milhão de pessoas saiam as ruas, uma tropa de choque com ordens de matar sempre vai detonar alguém e o pior de tudo é que eles vem protegidos pelas roupas, armas e escudos, assim fica fácil demais  bater em qualquer um, principalmente em pessoas que carregam cartazes e estão sem nada de proteção. Eu vi e senti uma polícia que saiu as ruas para matar, não para proteger caso alguma coisa acontecesse. Eles foram pra cima de todo mundo, sem esperar. Tive a certeza que saíram do quartel com a ordem de bater em todo mundo, sem exceção.

Ainda estou surpreendida que não tenha uma lista de desaparecidos, porque era tanta a violência que eu duvido que eles não tenham sumido e matado alguns.

Se temos um Estado que diz claramente ''não saiam as ruas porque senão eu te mato'' então temos um problema muito maior do que tarifas e corrupção.
Então é verdade o que dizem de nós, brasileiros, somos bananas e cornos mansos, vivemos em uma ditadura e não tínhamos percebido.

Para mim ter vivido essa experiência apenas me provou que é o momento certo, exato, historicamente desenhado para reagir. Não são os vinte centavos, é uma vida inteira de abusos, de exploração por um governo omisso e corrupto. E na hora que o direito de protestar é tirado, todos os outros direitos somem. E isso não pode acontecer, talvez o Brasil precisava mesmo disso, precisava acordar, estávamos todos imbecilizados com a Copa, com todas essas baboseiras e doses de ópio que o governo estava dando e não percebemos como nossos direitos foram tirados, um a um. É agora a hora de reagir, não vai ser amanhã nem foi ontem, é hoje, no presente, que temos que virar isso. Não vivemos nesse país das mil maravilhas nem de geladeiras novas e televisão de plasma. Estamos no meio do caos, sem nossos direitos e não vamos ter outra oportunidade como esta para acordar.

E nem tudo está perdido. Não existe governo que resista a pressão popular, nem os mais ditador de todos.
Manifestações, principalmente em São Paulo causam um problema enorme para o governo, porque a cidade é centro de convenções e feiras internacionais. Com tanto protesto, isso vaza na imprensa internacional e as pessoas que querem vir aqui recuam, começam a achar que o Brasil está como a Turquia. Isso causa desconforto no governo e chega em todas as cúpulas, uma cidade transformada em um sítio de guerra causa prejuízos e acaba com essa imagem de que estamos prontos para receber as pessoas nos próximos eventos.

Não estamos tão a margem das coisas e acredito que gentilezas tem que ser devolvidas. Se o Estado tirou de nós o direito a protestar sem apanhar, então podemos tirar deles a imagem que estão criando lá fora do Brasil perfeito. Podemos acabar com seus coquetéis na França para negociar novos eventos e frustrar a expectativa de muitos políticos de ganhar prêmios e reconhecimentos por trabalhar em um país tão  ''justo''. Não se pode esquecer que para o governo brasileiro nada é mais importante do que ser reconhecido na sua fofura, no seu discurso de país pacífico e ótima fonte de investimentos. Qualquer coisa que arranhe essa imagem afeta 
diretamente o governo.


Não fui nas primeiras manifestações porque tive medo da polícia e continuo com medo, mas agora vou nas próximas porque o meu direito de protestar eles não vão tirar. Não é mais sobre os 20 centavos da passagem, agora é sobre a liberdade e o direito de ir e vir.

Ah,mas isso não muda nada! Muda sim, espera chegar o comitê das Olimpíadas e da Copa e perguntarem para o governo como eles vão resolver a questão da segurança. Não vão ter resposta nem garantias, mesmo que eles digam que já deram ordens de matar, mesmo assim não vão provar que o Brasil é um país seguro para receber estrangeiros. E isso vai doer no bolso de muitos políticos, não tanto como deve doer a cabeça do menino que foi arrebentada, mas é um bom começo para ter nossos direitos de volta.

Iara De Dupont 




7 comentários:

Carolina disse...

Excelente o texto, Iara! Realmente, a indignação não é pelos R$ 0,20. No entanto, não imaginava que a situação era tão ruim quanto na verdade é.
Bjos,
Carol

Anônimo disse...

Iara

Fico muito feliz por ver que as pessoas estão acordando e indo pra rua. Aqui na BA também estão acontecendo estes protestos.

Confesso que também me iludi com essa história de que as coisas estavam melhorando e que seríamos um país de primeiro mundo. Me enganei. A coisa aqui na BA tá feia, muito desemprego, violência e corrupção. Sem falar que os preços dos alimentos estão altíssimos.

Estou muito revoltada com a realização desta copa, tendo em vista o momento crítico que estamos passando.


Você resumiu tudo, estamos numa ditadura mesmo, só não vê quem não quer. É hora de tomar uma atitude, do contrário veremos a polícia nos espancar e matar ao invés de correr atrás dos verdadeiros bandidos de colarinho branco.

Outra coisa que me preocupa é que estão instalando bases policiais nas cidades, com a desculpa de reduzir a violência, mas isso não tá adiantando de nada. Por "coincidência" quando acontece um assalto ou assassinato pertinho da base eles não percebem, só aparecem bem depois.

Será que estas bases é para nos proteger mesmo, ou há um objetivo oculto aí?


Anônimo disse...

Todos tem o direito a protestar,so nao entendo porque nao protestam contra a corrupcao,o caos da saude publica.Ta muito estranho tudo isso. Quanto a policia,eu sempre tive medo,de policia ,de multidao,e de gente maluca infiltrada entre os dois,voce foi corajosa.

Lia

Claudia disse...

Belo texto o seu, parabéns!

Mas nossa que desespero estar no meio de tudo isso, colocaram imagens na internet que mostra o que vc falou, polícia avançando, pessoas com um a cartolina na mão e fugindo do terror...

Com certeza não acreditavam que este movimento iria crescer tanto, já que até hj brasileiro só reclamava, ou compartilhava imagem de citação errada na internet achando que era protesto...

Iara Sindrominha disse...

Pois é,a coisa esquentou mesmo...Valeu pelo apoio meninas,mas eu não sou corajosa,sou desavisada!Fui no pulo que me pegaram...rsrsrs....mas tudo bem,beijos a todas!

Levi Orlando disse...

Muito bom o texto, e informativo; só estando no meio dos acontecimentos pra poder dar um quadro com essa clareza. Sofri a repressão e fui preso na época da ditadura, e vc tem toda a razão: é hora de ir pra rua.

Daniela disse...

A Lei Marcial já começou. Não com força total, mas já começou e só vai piorar. Meses depois desse artigo, nada mudou. E nada vai mudar, a não ser para pior. Pesquise sobre os Illuminati e verá do que estou falando. Tb achava coisa de louco, mas é a realidade, infelizmente.

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