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06 maio 2013

O funk feminista não me representa




Valeska Popozuda: Se isso é feminismo, eu não sei o que dizer..
Poucos movimentos políticos passaram por tantas provas como o feminismo passou em menos de quarenta anos. A base foi tantas vezes contestada, agredida e distorcida que hoje se falam em ramificações do feminismo, como se fosse possível uma ideia política ser dividida em mil partes que não conversam entre si.
Mas  o patriarcado marca cada passo e tem ao seu lado uma mídia misógina, o que facilita seu trabalho de querer desmoralizar o feminismo.
Me guio pela base, pra mim feminismo é a luta pela igualdade, coisa que beneficia a toda sociedade, acredito que essa é a essência.

Mas faz tempo que percebo um grupo que acredita que feminismo é ter a liberdade de fazer as mesmas besteiras que os homens um dia fizeram e ainda fazem. Os homens podem beber até cair? As mulheres também! Os homens podem transar com quem quiserem? As mulheres também.
E com pouca informação vejo uma nova geração de meninas que acreditam nisso piamente, feminismo é ter o direito de beber até cair, transar com quem quiser, disputar rachas, resolver as coisas na porrada e xingar o homem, de preferência muito. Também é divertido encontrar algum homem apaixonado e se divertir humilhando o rapaz.
Nessa linha de pensamento apareceu o que está se chamando de ''funk feminista''.
Mulheres sobem no palco para mandar os homens à merda e dizer que agora são elas que pagam as contas e ele não passa de um otário.

Tenho uma ressalva: tudo que divirta um homem para mim não é feminismo, é oposto disso, é ser o brinquedo sexual deles, assim que não adianta escrever e cantar uma música os ofendendo se a mulher está no palco rebolando, de quatro e usando um shorts minúsculo. Ah, vou dizer uma coisa que escutei pela vida, se a mulher está usando uma roupa provocante e se mexendo, é biologicamente impossível que o homem consiga escutar o que ela está dizendo, eles ficam hipnotizados. A mulher tem o direito de usar a roupa que quiser, não discuto isso, mas ficar de quatro em um show não é feminismo, é um espetáculo que homens adoram assistir, é ser novamente objeto deles.

E mulher hetero vai ao show ver outra rebolar? Não, então para quem cantam esses hinos feministas? Para os homens, que estão adorando, assim como adoram as meninas do movimento Femen, que saem mostrando os seios nos seus protestos políticos. Tudo isso é show para homem que adora, então onde está o feminismo?

Está nas letras das músicas, dizendo que agora elas podem tudo. Então a humanidade está mais perdida do que parece, porque já se perderam séculos com a opressão que as mulheres sofreram e agora quantos mais vão para o lixo porque têm meninas que acreditam que ser feminista é fazer as mesmas besteiras que os homens fazem? Ah, então depois de séculos escutando em músicas, televisão, cinema e teatro que as mulheres são umas putas, agora vamos passar outros séculos escutando que todos os homens são otários, o famoso chumbo trocado.

Cansei de tanta ignorância, ficam de um lado dizendo que funk é cultura e agora além disso é feminismo. Funk tem sua parcela de cultura sim, de um jeito ou outro é uma expressão cultural, mas infelizmente quando saí da parte política, como uma música pode ser,''Eu só quero ser feliz'' (Rap Brasil) vai logo caindo no outro lado, da opressão as mulheres, onde elas não passam de um simples e nojento acessório, como nas músicas do Mr.Catra.

E agora as algumas mulheres resolveram dar o troco e cantam músicas onde deixam claro a importância de depenar o homem, deixar ele sem um centavo e com cara de otário.
Isso não é feminismo, é burrice. Eu não me sinto vingada nem melhor com essas músicas, porque não acredito que a ignorância possa bater de frente com a estupidez, já que são a mesma coisa.
Feminismo no funk para mim seriam letras que falam em crescer na vida, estudar, trabalhar e deixar de ser objeto de homem.
E as roupas? Pois é, tem gente que garante que as roupas das funkeiras são feministas, ora, mulher não pode se vestir assim? Pode se vestir como quiser, mas aviso, quem gosta de ver mulher de shorts e top é homem, não são outras mulheres, então o show continua sendo para eles.

Nesse ponto é dia de festa para todo o gênero masculino, mulheres protestando, mas ainda vestidas de objetos, ainda obedecendo a todas as regras de padrão estabelecido, ainda com o cabelo e a maquiagem que os homens gostam. E elas cantam, bom, nisso eles não reparam.

Podem chamar isso de funk, do que quiserem, menos de feminismo. Mas elas ganham seu dinheiro! Ora, isso é acontece desde que os tempos são tempos, qualquer mulher que se preste a ser um objeto vai ganhar alguma coisa. Quero ver é subir no palco se rebolar, sem fingir  ser uma boneca inflável e falar seu discurso, quero ver quanto tempo seguram o público. Porque rebolando e se mexendo como os homens gostam qualquer uma consegue mídia e sai dizendo que é feminista. Quero ver ser feminista sem usar as roupas fetiches e rebolar. Quero ver se alguém neste mundo sem usar os disfarces que os homens tanto gostam. Aí sim.

Iara De Dupont


Um comentário:

Nádia Cristina disse...

tem meu respeito dona Iara, concordo plenamente com você, quando diz que o funk so nos mostra ser mais objeto sexual para os homens. Feminismo pra mim seria a mulher conquistar seu espaço e seu respeito primordialmente, e não se vulgarizar.

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