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30 maio 2013

Meu barco vira, mas não afunda

É a certeza do que não se quebra que mantém a beleza da paisagem
Moro em São Paulo, uma cidade frágil nos laços. Todas as relações parecem feitas no açúcar, qualquer água pode desmanchar.
São rápidas, efêmeras e poucas vezes confiáveis para uma eternidade e todos os relacionamentos aqui são feitos por núcleos, como células que não se comunicam com quem está fora dela.

Trabalhei seis meses em um projeto, onde via as mesmas pessoas todos os dias e acabávamos nos vendo os fins de semana, na casa de um, de outro. O projeto acabou e a amizade entrou em uma espécie de vácuo, um buraco negro. São meus amigos e falo com eles pela internet, mas parece que nem eles fazem parte da minha vida nem eu da deles. E não foi a primeira vez que isso aconteceu, eu diria que sempre acontece quando se muda de ambiente.

Dos lugares que conheci nunca senti isso antes, mas aqui em São Paulo essa sensação de conhecer alguém e amanhã ele não fazer parte do teu círculo mais próximo é constante.

Sendo assim as pessoas que realmente convivem comigo são poucas. E hoje estava chovendo e eu pensei nisso. Eu esperava a chuva parar e voltar pra casa. De manhã li em um site que todos os anos aparecem mil perfumes novos no mercado e já existem 150 mil perfumes no mundo registrados, fora os que são feitos por encomenda. Pensei como eu seria feliz se pudesse conhecer todos, já que adoro perfumes. Assim como um personagem da novela ''Sangue Bom'', Amora, que tem um closet cheio de sapatos pensei que incrível seria ter prateleiras cheias de perfumes.

Mas se eu tivesse todo o dinheiro do mundo, teria nariz e tempo para cheirar e conhecer 150 mil perfumes? Parece um pouco demais, porque é demais. Mas é isso que recebemos do mundo, essa vontade louca de querer mais e mais e mais e mais e mais.
Eu sei que perfumes estragam, alguns meus já estragaram, mas sonho com outros.
E não só isso, sonho com muitas coisas.

E a chuva não parava. E lembrei de uma pessoa que não está aqui agora, mas foi comigo nesse supermercado várias vezes comprar batatinhas. E pensei em tanto que eu quis e quero da vida, das coisas e não percebi o quanto tinha.

Fui acostumada como todos, a viver em uma roda, como um animal de laboratório, correndo atrás do que quero, do que preciso, sem parar pra pensar um minuto.
E sorte não é comprar os 150 mil perfumes que eu poderia ter, sorte é ter nesse mundo alguém que me ama. Sorte é ter uma pessoa, duas, três, que sejam sinceras comigo e me aceitem como sou. Qualquer ser humano que possa olhar no espelho e dizer- Alguém me ama (seja um animal, familiar, namorado, amiga) pode se considerar uma pessoa de muita, muita, muita sorte.

Tenho uma amiga que me diz que ninguém ama ela, só seu gatinho. Ora, mas que amor mais puro ela pode querer? Ele ama sinceramente e neste mundo isso significa mais do que podemos pensar. Não tem ninguém sozinho neste mundo, pelo menos se tiver um animal. Pode ser que muitas vezes quem nos ama não nos entende ou não consegue amenizar nosso sofrimento, mas sabemos que a pessoa está ali.
Não é o ter, é ser o que alguém ama.

Eu tenho sorte. Não tenho mil perfumes, nem quinhentos eu tenho, mas tenho quem me ame e se preocupe comigo e em um planeta tão louco, tão sem sentido isso me reconforta hoje em um dia de chuva.
Já passei algumas tempestades como todos, mas meu barquinho nunca esteve vazio, sempre alguém me deu a mão e me ajudou a chegar em terra firme, mesmo depois de todas as vezes que ele virou no meio do mar.

E sorte, sorte mesmo, sorte inacreditável foi ter percebido isso hoje, antes de que fosse tarde demais, mesmo perdida em São Paulo, em uma cidade de laços feitos de lápis, qualquer borracha apaga.
De notícias que recebi, sei que o ódio não vai adiante, o que sinto ninguém tira, podem mexer na minha conta de banco, mas não nos meus sentimentos, o que se sente por uma pessoa e ela sente por você a miséria humana não apaga, não tira.

E meu barco continua, sem os 150 mil perfumes, mas não estou sozinha e isso é mais do que suficiente para ser feliz.


Iara De Dupont

Um comentário:

João Gomes disse...

Oi, Iara, tudo bem? Achando fantástico as suas crônicas. Vou passar a acompanhar este seu blog.

(Colaboro no Blog das 30 Pessoas)

Abraços, João.

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