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01 maio 2013

Maioridade penal: no berro não dá pra discutir isso







A discussão da maioridade penal foi realmente colocada na mesa. Infelizmente pode não dar em nada, nem para bem, nem para mal, porque nós, povo brasileiro adoramos fazer uma coisa em todas as discussões que atrapalham, a gente adora gritar.
Já fui assim nos meus anos de juventude, subia na mesa, mas com o tempo percebi que ninguém escuta e você ainda leva fama de louca. Na família do meu pai não sobrou nenhuma mulher que não tenha levado essa fama. Tudo tem dois lados e só um não vence.
Aprendi então com o tempo a ser moderada, quando sinto que meu sangue ferve, prefiro deixar o lugar, não caio mais em provocações e fujo de assuntos que ainda me acendem em segundos, como animais maltratados.

Tenho o péssimo costume de ler comentários de portais, os colunistas publicam suas idéias e as pessoas deixam seus comentários, eu fico lendo um por um, acredito que isso revela muito mais do que pensamos, principalmente os anônimos.
E nos últimos tempos percebi que ainda somos uma nação que não sabe discutir, argumentar e manter o tom de voz normal. Ficamos alterados, nervosos, irritados e com uma tendência enorme a defender apenas um lado, eu assumo esse meu lado com animais, não discuto mesmo, para mim não tem defesa quem judia e ponto. Mas fora isso aprendi a negociar.

A questão da maioridade penal foi jogada na roda em um momento que todos estão acessos com esse assunto, vendo tanta impunidade. Então uma colunista escreve que é contra, que acha que reduzir a maioridade penal não vai resolver. A caixa de comentários dela ficou cheia. Se eu tivesse que resumir tudo o foi dito ali seria ''E se fosse sua família? E se fosse sua filha, que um menor mata, você vai defender o bandido?''.

E por aí vai. Outro colunista escreve a favor, acredita em reduzir a maioridade penal. A caixa fica lotada, resumindo os comentários ''Seu fascista, retrógrado, puxa-saco de militar, baba-ovo de governador, agora vai dizer que quer o povo na rua linchando todos os menores? É isso seu assassino de crianças?
E lá vai pancada. Entra outro colunista, defende um meio termo. E lá lota a caixa ''Seu covarde, tá com medo de assumir sua posição?Seu vendido!''.

Nos três casos os argumentos contrários eram baseados no ódio que todos estão sentindo, na impotência e no desespero, dá para entender a cada um, todos têm família, todos sabem o gelo que sobe pela espinha quando alguém demora ou liga dizendo que foi assaltado.

Mas vamos ser honestos, como caminhar para uma decisão que favoreça a todos, se todos, absolutamente todos estamos com os porretes na mão?

Todos nós pagamos impostos e estamos nus diante do Estado. Eu fui assaltada por uma menor, levou tudo o que tinha na minha mochila, fruto do meu trabalho. Fui na delegacia e fiquei sabendo que era parte de uma gangue, que age ali na saída do metrô Consolação, todos os dias a partir das oito da noite. E todas são menores, eu não pude fazer nada.
Não existe ninguém em São Paulo que não tenha sido vítima ou conheça alguém que tenha sofrido alguma coisa assim.

Mas uma discussão assim não tem como levar para a frente, porque ninguém está discutindo o problema, está agredindo quem deu sua opinião. Nesse ritmo é possível que todos os que são contra e a favor da questão se juntem na Avenida Paulista e se matem entre si, porque o clima é esse, quem dá sua opinião contra ou a favor não é o problema, o Estado e sua eterna ausência são o problema.
Quem mora em São Paulo está cansado, no seu limite, mas se é para ir pra cima é do Estado que temos que cobrar, não do vizinho que é contra ou a favor. O Estado abandonou esses menores e nos abandonou a mercê deles, estamos todos no mesmo barco.

Existem muitas coisas para serem discutidas e são urgentes, mas não é pulando em cima de quem pensa o contrário que vão ser resolvidas.
Precisamos de argumentos, bases e paciência para discutir, aos gritos não dá. Quem defende a maioridade penal não é um assassino de crianças, é um cidadão cansado. Quem é contra a maioridade penal não é um defensor de bandidos, é um cidadão cansado. A diferença é que cada um crê em um lado da questão, mas os dois lados pagam pela indiferença do governo em relação a tudo e os dois lados também estão correndo perigo.
Não importa o lado, estamos todos cansados, exaustos, largados pelo Estado, entregues as mãos de alguma força divina e todos, absolutamente todos, tememos pelas nossas famílias. Todas as mães esperam seus filhos voltem para casa.

E temos urgência de resolver tudo isso, de uma maneira que possa ser útil e benéfica a todos, a maioria quer viver em paz, com tranqüilidade. Mas de um lado temos gente matando a vontade e do outro lado cidadãos berrando em todos os cantos, todos contra todos, como se isso fosse resolver os problemas. Não estamos na idade média, é hora de engolir a raiva e tentar resolver da melhor maneira possível, até porque o relógio está correndo e não se tem tanto tempo assim, do jeito que vai é questão de tempo todo mundo começar a matar todo mundo. O caos não é a resposta nem a solução de tudo o que está acontecendo.

Iara De Dupont 


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