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02 maio 2013

Gustavo Lima: esse menino está pedindo socorro




Gustavo Lima: já pediu socorro duas vezes
Sempre que me perguntam da onde vem minha experiência ao falar de distúrbios mentais, explico que vem da pior parte, do presunto. Eu era como o presunto do sanduíche, sempre sendo apertada pelos dois lados.
Durante anos minha vida foi assim, ficava no meio, ouvindo todas as teorias que vinham de ambos lados.
Comecei a sofrer com a síndrome do pânico muito nova e passei muito tempo escutando e experimentado tudo. Daí vem meu profundo conhecimento em relação as essas situações tão delicadas, porque conheci muitas pessoas que sofriam de doenças parecidas e escutei muitas histórias.

Uma das coisas que aprendi é que não importa o distúrbio, mas rara vez, rara mesmo, aparece do dia para a noite. Distúrbios mentais são um mistério, impossível dizer até hoje se são hereditários, frutos de algum trauma, um impacto terrível ou desequilíbrio químico. Mas antes da mente quebrar, o organismo tenta se defender de todas as maneiras, o corpo tenta até o último segundo arrumar o que pode estar quebrado e colocar um pouco de ordem.

Não conheci ninguém que tivesse acordado com síndrome do pânico. Há um primeiro ataque de pânico terrível, que é pior do que ser atropelado por mil trens, mas antes disso o corpo começa a dar sinais, mesmo que muito leves. No meu caso minha ansiedade
 começou a ser mais constante e comecei a ter muitos enjoos do nada, foram semanas assim até o primeiro ataque de pânico.
A pessoa sente que alguma coisa está acontecendo, antes desse primeiro ataque, o corpo tenta avisar, tenta evitar a crise. Conheço gente que não sentiu nada fisicamente, mas começou a ter do nada ataques de angústia, eu tive uma amiga que começou a achar que era médium ou coisa assim, porque de repente começava a sentir muita tristeza ou angústia.

De todas as situações que mais me quebra o coração essa é uma delas, quando vejo alguém prestes a partir, a se quebrar. Quem já passou por isso sabe, um dia você está nervoso, no outro tem um ataque de pânico ou outra coisa e a vida muda em segundos.

Ontem assistindo o programa ''Profissão repórter'', fiquei mal só de ver Gustavo Lima. É a segunda vez que isso acontece, na primeira foi em uma crise de nervos que ele teve e queria largar a carreira. Achei que era manha dele, onda, até escrevi sobre isso, chamando ele de chorão (me desculpe por isso!). Ontem fiquei mal ao ver ele dizendo a mesma coisa, que está cansado. Quando alguém de 23 anos diz que se sente como se já tivesse vivido 50 anos e não parece gostar da ideia é hora de ligar a luz vermelha. Vi ele sem brilho nos olhos, não parece estar vivendo o sonho de um menino de 23 anos, quem não gostaria de viajar, ser astro da música, ganhar milhões e ser famoso? Parece que para ele a coisa não é bem assim. A repórter perguntou que sonho falta realizar e ele disse que nenhum. Mesmo se referindo a parte material, Gustavo parece tudo, menos um menino de 23 anos. Não está mais no seu ponto, não está mais nos seus trilhos, está infeliz e não esconde mais isso.

Difícil imaginar a pressão. Quando eu tive síndrome de pânico meus pais tiveram que me mudar de escola três vezes, porque eu não conseguia ficar em nenhuma. Havia uma preocupação enorme deles e de uma psicóloga em que eu ''não perdesse o ano''. Minha vida tinha acabado ali, eu não era mais eu e as pessoas ao meu redor tinham medo que eu perdesse um ano de escola.
Se eu senti isso na pele imagina Gustavo rodeado de empresários e familiares sedentos por dinheiro, Gustavo deve ser pressionado por todos, deve ser constantemente lembrado que sustenta várias famílias e se ele parar, os músicos e equipe técnica ficam sem emprego e as crianças sem nada para comer. Ninguém aos 23 anos consegue se impor e mandar todos a merda, precisa ser um espírito muito livre para conseguir fazer isso e Gustavo parece no limite demais para poder reagir.

Não tenho nenhum acesso a Gustavo, se tivesse diria a ele o que digo a muitos, sossegue um ano, tire esse ano para se cuidar, não leve nenhum distúrbio ao extremo. Conheço gente que teve síndrome do pânico ou foi diagnosticada com bipolaridade e largou tudo para se tratar, em questão de meses conseguiu retomar a vida e conheço pessoas como eu que levaram tudo ao extremo, ignoraram todos os avisos e se arrebentaram durante anos.


Quando a mente quebra é como um osso, precisa de tempo para grudar, caso contrário sempre vai ficar torto e doendo.

Espero sinceramente do fundo da minha alma, até porque conhecer esses abismos, que Gustavo tenha alguém perto dele que possa perceber que ele não está bem e precisa se retirar para resolver isso. Um ano afastado é melhor do que dez anos empurrando alguém para um palco, movido a remédios. Ele é jovem e já pediu socorro, espero que alguém próximo perceba isso, porque ninguém merece passar por um segundo do que eu passei décadas, não desejo isso nem ao meu pior inimigo. Reconhecer seu limite, mesmo que no auge não é coisa de gente fraca, é coisa de gente inteligente que percebe que não adianta mais caminhar quando os pregos entram nos pés, nessa hora o único que se pode fazer é sentar e tirar um por um e só depois retomar o caminho, que continua ali esperando, ninguém perde tempo quando está se cuidando, se recuperando. E a diferença entre continuar aos trancos e barrancos ou parar é a qualidade de vida. Não tem vida que possa ser vivida na plenitude quando alguma coisa está fora do lugar. Tem horas que somos como um computador, cheio de informação e começamos a ficar lentos, precisamos de uma limpeza geral para poder funcionar. Esse menino não é um máquina de fazer dinheiro, é um ser humano que está passando por uma crise e precisa de ajuda.

Iara De Dupont 


4 comentários:

Sol disse...

Concordo com vc!!!

®ick disse...

Realmente, quase nunca é de uma hora para outra e as pessoas são "educadas" a fingirem que não veem os sinais... Sabe aquele lance " ah quando eu me sinto meio estranho e chuto a tristeza pra longe e vou pro shoping fazer compras"? Às vezes, p[ode custar bem mais barato olhar bem para essa tristeza, para esses sinais iniciais do que esperar que o organismo não aguente e "exploda" numa crise braba... enfim, como não me canso de dizer, as pessoas entendem uma dor física, mas não entendem e tampouco aceitam uma dor emeocional....
Rick
http://depressaodrepre.blogspot.com.br/

SUZANA disse...

Eu não vejo tv e nem vi a matéria mas acontece bastante, com artistas deve ser muita pressão ser famoso.

Carolina disse...

Tb concordo com vc! Nossa, muito triste ver alguém de 23 anos dizer que não tem sonhos. Realmente preocupante.
Bjos,
Carol

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