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12 maio 2013

Dias das mães: o lado sombrio da comemoração









Tenho momentos de muita fofura, como esse abaixo,de postar a foto da minha linda mãe e desejar um dia feliz. Mas datas comemorativas não são meu forte para escrever coisas meigas, até porque cresci em uma casa que não existiam essas datas, então nunca fez nenhuma diferença.

Hoje não penso mais assim, adoro todas as datas comemorativas, todas as invenções de um comércio faminto me divertem. Porque ninguém sai perdendo, o comércio ganha milhões nessas datas, mas as pessoas também se reúnem e aproveitam a suas famílias, sem essas datas muitos passariam meses sem pisar na casa da família.

Cada vez mais as pessoas se afastam, por diferentes motivos e se concentram em núcleos minúsculos e datas assim ainda conseguem reunir muitas pessoas.

Mas não gosto do lado sombrio das datas comemorativas. Eu estudei quando era muito pequena com duas amigas que não tinham mãe, uma morava com os avós e a outra com a tia. As duas tinham perdido a mãe e era muito constrangedor os dias festivos, as comemorações quando éramos obrigados a desenhar em cartazes e dançar.

Uma vez a professora ficou tão constrangida com uma das alunas que não tinha mãe, que pegou uma caneta e riscou onde estava escrito ''mãe''  e colocou ''avó'', porque ela morava com a avó. A menina começou a chorar, foi um Deus nos acuda, quando ela conseguiu falar, apenas disse:

- Minha mãe morreu, mas eu tive mãe.
Até hoje lembro da cara da professora, foi daquelas cenas que a gente não esquece.

Entendo o conceito de maternidade, acho que mãe é quem cuida, quem cria, pode ser um pãe  (mistura de mãe e pai) também, mas na cabeça de uma criança moída por imagens de televisão a coisa pode não ser tão simples. Se a propaganda é tão forte e constante e consegue fazer uma pessoa adulta se sentir mal por não estar no padrão de beleza, imagine na cabeça de uma criança, em relação a figura da mãe, presente em todos os comerciais e programas de televisão.

Já adulta tive uma amiga que era como uma irmã e também não tinha mãe. E
ra difícil de lidar com isso, porque ela nunca escondeu a saudades que sentia da mãe. As pessoas esquecem o triste que deve ser para uma criança perder a mãe e muitos acreditam que é melhor ignorar a dor da criança e fingir que nada aconteceu, mas os adultos que perdem também sofrem demais.


Acredito que todas essas propagandas deveriam ser mais discretas e sem tanto massacre, não precisam aparecer de um em um minuto, porque existe muita gente comemorando, mas também muitas mergulhadas na dor, crianças que perderam a mãe e mães que enterraram os filhos.

E por culpa de um Estado ausente muitas mães hoje vão ter um dia longo. É muito fácil ser mãe de uma propaganda de manteiga, mas e a mãe que enterra um filho, vítima de um assalto? E a mãe que perdeu o filho para o tráfico ou para alguma guerrilha?

Dia das mães está sendo neste país quase que um dia de luto, por tantas mães que estão sofrendo, apenas porque o Estado é corrupto e se recusa a cumprir seu dever. E na verdade estou exagerando, porque o Estado aparece sim quando uma criança ou adolescente é morto, ele aparece para cobrar da família os impostos do caixão, garantir o calvário de encontrar um lugar pra enterrar e garantir as propinas que se pedem no meio do caminho para acelerar um processo que só causa sofrimentos. Para isso o Estado aparece, para cobrar.
E o Brasil é o número 78 da lista de piores países para ser mãe.

Queria do fundo do meu coração, sinceramente, puramente, chegar aqui e escrever um texto lindo sobre a maternidade e suas belezas, mas não estou na Suécia, não consigo pensar em tanta fofice quando vejo mães no dia de hoje, como as mães de Santa Maria, rezando missa para seus filhos mortos em uma danceteria por culpa de um dono irresponsável.

Lugar de mãe no dia das mães é na sua casa, com seus filhos, não em cemitérios levando flores nem em missas rezando por eles.

É triste pensar que vivo em um país dividido até no dia das mães, de um lado as mães que estão em casa, com seus filhos, sem saber até quando, sem saber se os filhos vão estar protegidos sempre ou não, e do outro lado mães que sofrem pelo filho morto. E essas crianças que se perderam, adolescentes e adultos mortos, não estão enterrados por uma guerra, nem por inundações, nem terremotos, nem pelo fogo. Morreram apenas porque nasceram e viveram em um país que colapsou, sem segurança, sem educação, sem futuro.

A criança enterrada em silêncio mostra que a propaganda mente, não existe tanto assim para comemorar. Somos um país que deixa suas mães chorarem em cima do túmulo do filho e ninguém faz nada.

Dedico este post a todas as mães que vestem seu luto, as mães  que pariram, cuidaram uma criança, fizeram seu melhor e hoje choram a ausência, uma morte que poderia ter sido evitada se existisse segurança, se o Estado cumprisse sua parte.
O meu texto é  para todas vocês mães que tiveram seus filhos mortos e choram pelo filho que o Estado matou.


Iara De Dupont

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