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20 abril 2013

Aplausos para os carboidratos!

Carboidratos: alegria, alegria!
Encontrei uma amiga hoje que não via há tempos. Ela deve ter emagrecido pelo menos uns 30 quilos, apesar de não ter dito isso. Perguntei como ela tinha perdido tanto peso e ela me disse:

- Viva sem carboidratos e você também pode emagrecer.


Ah, então  já era. Acredito em dietas de quantidade, tenho amigas que perderam peso apenas diminuindo a quantidade, mas não acredito mais em cortar coisas que nos dão prazer, já fiz isso e foi questão de dias cair de novo na mesma coisa, escorregar na tentação.


Bom, cada um faz o que quer, mas eu não imagino uma vida sem carboidratos. Tem gente que não pode comer por questões médicas, mas por opção conheço poucas. Tem vidas que eu não quero nem imaginar e essa é uma delas.


Hoje tô feliz, comi batata frita! Mas isso é um prazer efêmero e pode fazer mal a saúde! É? E o que não faz mal hoje em dia? Por acaso sou eterna? Vou esperar morrer pra comer batata frita no Nosso Lar?


Pra mim comida é prazer e viver sem carboidratos é como viver com sexo sem beijos. Acho um porre a quantidade de massa que eu como, pela dieta, mas ficar sem isso, nem que seja tão pouco parece pior.


Não fico sem massa, nem minha genética italiana permitiria. E não fico sem pão, nem minha genética católica e suas histórias de pão e vinho permitiriam. 

E agora querem todos viver sem glúten, ora eu nem sei direito o que é isso!


Poucos escritores foram tão cirúrgicos sobre a alma humana como Jorge Luiz Borges, e ele tem um poema conhecido no mundo inteiro, onde conta tudo o que faria se pudesse viver novamente, em uma das linhas ele diz:


''Se eu pudesse novamente viver a vida...
(...)Tomaria mais sorvete e menos sopa...''



O que eu poderia dizer além disso? Penso a mesma coisa. Tem uma enfermeira que escreveu um livro sobre pessoas com doenças terminais, não lembro o nome da moça e ela dizia que essas falas eram constantes nos pacientes, ninguém dizia que lamentava não ter trabalhado mais, todos lamentavam o que deixaram de fazer, de dizer, de comer, de viver.

E tem gente que ainda diz:

-Mas você pode comer tudo, desde que com medida!

Ora e se pode viver com medida? Eu não sei, não amo com medida, nem odeio com medida, como vou comer com medida se isso me dá prazer?

Mas tudo são escolhas, quem quer ser magro, fica sem comer. Ótimo, problema deles. Eu quero estar bem, ter saúde e uma alma tranquila e não consigo isso sem carboidratos.

Sempre falo isso pro meu irmão, quando eu morrer quero ir de barriga cheia, sem vontades de nada, porque não sei onde vou chegar e não quero ficar lamentando os brigadeiros que não comi para estar magra, quando finalmente nem meu corpo eu vou ter o prazer de levar. Eu me conheço e sei que vou ficar me torturando por tudo que deixei de comer, apenas porque queria fazer dieta, coisa que hoje no meu vocabulário significa dieta=profundamente infeliz.


Viva sem carboidratos! Pra mim isso não é vida, seria uma punição e não vejo o ponto disso. Mas ficar magra é uma recompensa! Ah, armadilhas da idade! Ser magra, ficar magra, não é recompensa pra nada nem pra ninguém. A pessoa pode se sentir melhor, subir a autoestima, se sentir melhor, mas a alma não encontra recompensa na matéria, ela procura coisas mais sublimes, por isso o ser humano é tão infeliz, porque quer anestesiar uma alma com coisas que ela não precisa.


Conheço gente que achou que ao ser rico sua alma ia parar de gritar e não foi assim. Tenho amigas que acreditavam que ao perder peso a alma ia entrar em uma freqüência de paz, mas desconfio que isso não existe. O prazer do corpo não é o mesmo que eleva a alma. O corpo é guloso e quer o prazer ali na hora, não fica filosofando, quer comer, quer sentir.


Cada um que viva como quiser, faça o que quiser, emagreça, engorde, viva com ou sem carboidratos, mas pra mim isso já não funciona há anos. Enlouquecer em dietas é uma prova da falta de conhecimento de si próprio, do desespero de querer sair dali, mas depois de um tempo a gente entende que tem que estar confortável de um jeito ou outro e nenhuma mutilação te dá isso.


Mas ser magra é muito bom! Não é? Então, ainda bem que todos somos diferentes neste mundo e todos encontramos alegria em coisas distintas, a vida é assim. Pra mim muito bom é ser livre e comer carboidratos faz parte da minha liberdade, da minha escolha, da minha vida. Tem gente que achou seu equilíbrio nas privações, eu achei minha liberdade na hora que soltei os pensamentos de como eu deveria ser fisicamente. Algumas pessoas procuram prazer nesta vida, outras só querem ser magras ou ricas, eu só quero ser feliz e livre.


Iara De Dupont 

6 comentários:

Anônimo disse...

Eu pensava,alias,de certa maneira ainda penso como voce,pra mim um bom doce me da um prazer inexplicavel,porem uma dieta sem os carbos simples depois de uns dias ( no meu caso uma semana) me tirou a vontade,continuo feliz,porque eu jamais trocaria satisfacao pessoal por uns quilos a menos.Faco a dieta dukan para perder os quilos restantes depois de 1 ano de controle alimentar,dieta,tanto faz.
Sempre torci o nariz pra dietas restritivas,mas sempre abri a mente para ouvir os varios lados das questoes.O corte dos carbos e para emagrecer nao para toda a vida,alem do mais vao sendo acrescentados pouco a pouco,e quem engorda tudo de novo nao e por culpa da dieta,e porque deixou todo o parendizado de lado.Eu prefiro passar 4 meses com um minimo de carbos,chegar ao meu peso dito ideal,e depois ter 2 dias na semana para o prazer.Realmente nao existe grupo alimentar mais delicioso que o carbo,mas quando nao se tem vontade,nao faz falta,essa dieta nao e 0 carbo,tem uma quantidade minima,depois media e por ai vai,carbos liberados todos os dias nao rola,mas comer pouquinho e ficar com vontade de comer mais ou ficar contando calorias tambem nao e liberdade.Eu me sinto livre por conseguir sem sofrimento,durante toda a minha vida comi tudo o que eu quis e o quanto eu quis,engordei um pouco durante poucos anos,acho que 4,6 meses ou ate 1 ano de disciplina em troca de um peso legal vale muito a pena,nao que depois a gente va comer o que der na telha,mas depois de um tempo de dieta nosso organismo muda,ai e manter,que dizem que o mais dificil,mas pra mim nao e,cada caso e um caso.
Bjs

Lia

Iara Sindrominha disse...

Tem razão Lia,cada caso é um caso..eu por exemplo,tenho anos sem comer carne vermelha e não sinto falta...mas tenho amigos que passam mal senão comem carne pelo menos 4 vezes por semana....e já escutei muito de pessoas que fazem dietas tipo purificadoras,assim,de ficar comendo só arroz integral e bebendo chá,quando terminam a dieta não toleram mais comidas processadas..o corpo vai dando sinais..eu sou viciada em chocolate,mas meu organismo não gosta de chocolate barato,aqueles que tem gordura trans demais,eu sinto o plástico derretendo na minha boca e passo mal...já me falaram que carboidratos também são uma espécie de vicío,mas tem os ruins e o bons né?Os ruins todo mundo tem que fugir mesmo,só dão prejuizo..bj

GUTO disse...

Iara

Ri muito dessa frase:
"E o que não faz mal hoje em dia?"
Até porque até respirar faz mal né!

No meu caso carboidratos substitui os beijos e o sexo também até pq a coisa aqui vai de mal a pior.

Minha mania de isolamento últimamente se transformou em obssessão!

Não dá pra programar viver, até tentamos mas são os imprevistos, os acasos deste caminho que fazem a vida valer a pena!

Eu trabalho "com problemas" e tem dia que é gratificante, tem dia que é uma bosta!

Eu descobri uma coisa depois de ralar a minha cara por algumas encruzilhadas do destino.
Quem gosta da gente, gosta do jeito que a gente é.
Gordo, doente, pobre, neurótico, paranóico... Já dizia isso na música "That I Would Be Good" da Alanis.

Claro que qualquer coisa em exagero ou "em falta" tenha lá o seu reflexo do que não temos no nosso dia a dia. Mas se punir por vezes "não ter opção" também é injusto.

Kcal Gordiva disse...

Já fui gordinha, magra e hoje sou obesa. E no meu caso, ficar magra não me fez feliz, apesar de ter alcançado um objetivo pessoal na época. Hoje sou muito mais feliz e realizada!
Eu não conseguiria viver sem carbo, não dispenso pão no café da manhã e um bolinho de caneca de chocolate qd bate aquela vontade... Busco me alimentar de modo mais saudável, mas não dispenso uma jacada semanal, comer 1 coisa que queira muito aquela semana e mt zumba pra aguentar o pique da semana e jogar o astral lá em cima!
Adorei o texto!

Kcal Gordiva disse...

Verdade, quem gosta mesmo, vai nos apreciar exatamente do jeito que somos.

mariana disse...

acho que vc se refere à psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross, sobre doentes terminais.

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