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18 abril 2013

O computador é gelado, mas as palavras são cálidas





É impressionante como a gente se acostuma com tudo, seja ruim, seja bom. Por questões modernas eu passo mais da metade do meu tempo no computador. Já me acostumei a todas as questões que envolvem a vida virtual, desde lembretes de aniversários até conversas demoradas.
Por textos que publico aqui também já me acostumei ao que acontece com pessoas desconhecidas, já sei o que é receber emails cheios de ódio ou cheios de carinho.

Mas essa vida virtual meio que congela a gente, ficamos tão prontos e já conhecemos tão bem as nuances daqui que pouco parece surpreender.
Semana passada mandei mais e-mails do que de costume, para passar pra frente o link  .
Quando mandamos emails meio que geral nunca sabemos quem vai ou não responder. E isso surpreende, pessoas próximas parecem ocupadas demais para responder e pessoas que nem nos conhecem respondem na hora. E abri minha caixa de emails e quase cai de costas. Estava ali um e-mail, de todos que amei, ele até hoje é o único imortal. Mandou um e-mail, perguntando da vida, comentando sobre as coisas. Fiquei ali paralisada, gelada, sem saber o que fazer, tão feliz que poderia ter saído voando. Não lembrava mais o poder de um e-mail, a força de uma lembrança de alguém que ainda amamos, a sensação cálida que isso provoca.


A gente fica tanto tempo diante de uma máquina gelada que acaba se acostumando a sentir menos e fazer mais.
Faz muito tempo que um e-mail não me balança tanto, nem eu lembrava do poder dele, pelo contrário, vejo meus e-mails como uma varanda, onde converso e conto um pouco da vida, esqueci que têm o mesmo poder de uma ligação, de um beijo, de uma lembrança.

Não li o e-mail uma vez, fiz isso tantas vezes que já sei de cor o que está escrito. Também tentei decifrar as entrelinhas, será que tinha alguma coisa ali além do que estava escrito? Acho que não, mas durante dias sonhei com isso, carreguei a vontade como se carrega um diamante. Não mostrei a ninguém, mas todos os dias ao abrir meu e-mail a primeira coisa que faço é ler o e-mail de novo e sorrir.

A parte que ele escreve que tem saudades e gostaria muito de me ver novamente eu quase tatuei, se não no corpo, pelo menos está na alma.
Muitas coisas mudaram na minha vida e alma e não estou orgulhosa de todas, por isso de repente sentir uma coisa tão forte me fez sorrir o dia inteiro. Às vezes fecho os olhos e penso que não sou a única a sentir saudades e isso enche meu dia de luz, do que será que ele lembra? Ah, eu lembro de tudo.

Tudo ficou tão distante no mundo, tudo foi reduzido a um twitter que às vezes não mandamos e-mails carinhosos porque achamos que não tem a ver dizer isso por e-mail, ou não tem sentido. Mas a palavra nunca perde o sentido, não perde o rumo.

A emoção que eu senti alguma moça deve ter sentido ao receber uma carta de quem ama, no século XVIII. É a mesma coisa, não interessa se é recado, se é papiro, papel, ou um e-mail, as palavras estão ali e o coração lê elas.
Ele disse no e-mail que sente minha falta, podia ter escrito isso na areia, no céu, onde quisesse, eu ia ler e sentir o que eu senti. O gelo só existe no computador, não nas palavras que navegam por ele, que ainda graças a Deus, são humanas, são cálidas e eternas.

Iara De Dupont 

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