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27 março 2013

Todo mundo viajando no Facebook (eu também)





Quando eu tinha doze anos mudei de escola. Nesse novo lugar tinha na minha sala uma menina bem mais velha, repetente. Ela era uma moça no meio das meninas. Uma pessoa ótima, generosa, mas tinha um defeito, nada parecia para ela mais interessante do que ela mesma.

E isso parecia ser muito atraente para todos, meninos e meninas. Os meninos porque começando a adolescência achavam ela uma deusa, já com o corpo feito e as meninas porque queriam ser como elas. Além disso ela não deixava nenhum adulto intimidar, mandava à merda mesmo, por isso vivia suspensa. Enquanto as meninas usavam o perfume Giovanna Baby e em alguns casos, com mães boazinhas, o Zíngara do Boticário, ela chegava na escola usando Opium, do Ives Saint Laurent, um perfume de gente grande, de mulher fatal e poderosa, ainda por cima importado.


Eu gostava dela, mas com o tempo me cansei, doze anos é uma idade onde a gente vive mais de trocar idéias do que pensar por si e ter alguém do lado que só fala dela é chato, cansativo. Troquei tantas dúvidas com minhas amigas e ela não parecia interessada em nada que não girasse ao redor dela, era uma egotrip ambulante.


Por questões de tempo não posso ler tudo o que postam no Facebook, mas ontem estava procurando um link específico e acabei vendo tudo o que foi postado o dia inteiro pela minha lista de contatos.

E lembrei da minha amiga, muitas coisas que ela me disse ou fez estavam anos luz da minha compreensão, mas hoje percebo que aquilo ali deveria ser um dom dela, era apenas uma garota a frente do seu tempo. Lembro dela fazendo uma coisa incrível, não podíamos usar maquiagem na escola, então ela pegava gel de cabelo, transparente e passava nos cílios, assim não dava para ver o que era, mas caso chamassem ela e pedissem para tirar, não tinha como, porque não tinha cor, então ficava natural. Ela fazia coisas assim, na frente, sempre na vanguarda.

E hoje vi que ela foi visionária na sua egotrip, estamos já em mundo onde todos vivem na sua egotrip sem nenhum constrangimento. A gente coloca (eu me incluo) o que quer no Facebook, o que se pensa, o que se acha, o que importa e ninguém parece estar preocupado com o outro, nem com o que vão pensar. Tem gente que vai mais longe, coloca fotos e se elogia sem nenhum pudor.


Li uma discussão inteira em uma página de perfumes, as pessoas falavam de perfumes dividindo as categorias, floral, frutal, oriental, mesmo assim ninguém interagia com ninguém e nem pareciam interessados no que o outro tinha dito, o que importava era o que a pessoa escrevia, sua opinião, o resto é reflexo.


Ficamos assim, todos em uma egotrip, viajando dentro dos nossos limites, nos perguntando porque as pessoas parecem tão chatas? Porque simplesmente não parecemos mais interessados em ninguém, todos estão no Facebook agindo como bebês, deslumbrados com os próprios pés e descobrindo as mãos.


De repente uma rede social fez que o mundo inteiro ficasse cheio de figurantes. A estrela é cada um, o resto faz figuração. Importa onde estou, fazendo o que, do que gosto ou não, o resto se quiser que leia.


O lado bom é que de um jeito ou outro recuperamos alguma coisa perdida, nossa noção egoísta de vida, em muitos casos o amor próprio e demos a nossa vida a importância que deve ter, mas o lado ruim tem mais coisas, ficamos afastados de todos, acentuando a intolerância, a impaciência e a falta de modos para conviver e jogamos no lixo, sem dó, séculos de exercícios de convivência que a humanidade vinha aperfeiçoando. 


Estamos em um planeta cheio e é impossível viver sem cruzar com o outro, mas já perdemos no meio do caminho o jeito de conviver, agora todos começam a ser estranhos e qualquer coisa parecem que invadem nosso espaço físico, coisa que irrita demais. Todos parecem desenhados na rua, nas escolas e no trabalho, pessoas reais parecem existir apenas no Facebook, parece que estão nos assistindo.


Mas não estão, pena de quem pensa assim. Quem está no Facebook está se assistindo, se curtindo, se amando, viajando sozinho. O mundo inteiro disponível, mas quem está em uma egotrip sabe disso, nada importa, estamos ali, sozinhos, com nosso reflexo. E por mais incrível que possa parecer isso está sendo o suficiente para muitos.



Iara De Dupont 

3 comentários:

Carolina disse...

Tem toda razão. Outro dia estava pensando, acho que algumas pessoas estão se dando conta da própria existência através do Facebook. Se há curtidas e comentários, a pessoa se reconhece como indivíduo. Se não há, é necessário partir rapidamente para a próxima publicação. É a necessidade do olhar do outro cada vez maior.
Beijos,
Carol

Anônimo disse...

Por isso que odeio essa porcaria de Facebook e não tem conta lá. A maioria está lá só pra se exibir mesmo. Mas espero que uma hora se cansem de tanta auto-promoção...

Dani Zanelato disse...

Iara, sei que esse seu texto já tem quase 1 ano, mas mesmo assim resolvi deixar o link de um texto interessante que li esses dias sobre essas coisas doidas que a gente vê (e faz) no Face...

http://www.gluckproject.com.br/uma-semana-de-fracassos-que-a-gente-esconde-no-facebook/

beijo!

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