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15 março 2013

Toda a solidão que a mulher carrega



A heroína está só e ainda tem que apoiar os outros

Antes quando eu tinha uma dúvida  ficava quieta. Hoje não importa o que for, eu pergunto, nem que tenha que sair na rua perguntando para todo mundo.

Conversei com um amigo sobre um projeto, ele disse umas coisas e encerrou a conversa sobre isso ali. Fiquei na dúvida, tive uma sensação estranha.


De novo jogo a culpa na minha educação e de repente, nos últimos tempos estudar tanto sobre a educação que recebi me mostra algumas luzes. Fui educada para sempre apoiar alguém, isso parecia implícito na minha condição, mulheres apoiam, ajudam e torcem por todos. No caminho que andei sempre encontrei mulheres dedicadas a alguma coisa, totalmente entregues a situação.


Mesmo sem ser sua obrigação senti que meu amigo não me apoiou, estou consciente que a vida é minha e não preciso do apoio dele, mas hoje uma gota não cai mais no chão, ela vira um mar pra mim. De repente comecei a lembrar de milhões de histórias que passei e tive que me perguntar, por que sempre apoiei e nunca fui apoiada?


Digo, por homens, namorados, familiares, amigos. Mulheres sempre foram generosas, sempre pude contar com elas, mas e o homens?

Sei que é a educação machista que eles recebem, muitos tem dificuldade em dizer alguma coisa, são levados a acreditar desde pequenos que mulheres são sub-humanos e não precisam de apoio, simplesmente porque não fazem nada que vale a pena.

Com exceção de uma pessoa próxima e de dois amigos, não lembro de mais nenhum homem me apoiando.

Mesmo sabendo que não preciso disso, não preciso do apoio de ninguém, sou um ser humano e estou rodeada de homens que gosto, não queria me sentir tão sozinha, tão sem apoio, me incomoda porque eu idiotamente sempre cumpri a regra o  que me ensinaram a fazer, fui o apoio de todos, cruzei meus limites, fiz o que pude, para pagar de gatinha que apóia e de amiga ou namorada incondicional.

Tive um namorado que um dia teve que organizar um arquivo, no negócio do seu pai. Não é bem uma coisa simples para mim, odeio organizar arquivos, mas imagina que eu, a namorada perfeita, ia deixar meu Romeu sozinho nessa roubada? Não, eu fui lá. Mas um dia eu dei a ele uns textos meus e pedi a sua opinião. Isso foi há pelo menos sete anos e nunca soube nada disso, a única vez que eu perguntei ele me disse que estava sem tempo e tinha até dado uma olhada, mas não era seu tipo de leitura favorita.

Mas organizar um arquivo também não era meu programa favorito, mesmo assim fui!

Trouxa eu né? Imitei minhas tias, se desdobrando para ajudar, apoiar os maridos e quando elas precisavam de algum favor, o mundo parava de rodar, porque meus tios surtavam. Uma das minhas tias aceitou seu sogro velhinho em casa e cuidou dele, já que seu marido tinha mais o que fazer. Um dia ela quis passar o natal na casa da mãe dela e o mundo caiu. Meu tio foi, mas fez uma lista antes, não iam demorar, não iam fazer isso nem aquilo e ele não ia comer isso ou aquilo, mesmo que tudo isso ofendesse minha avó, a mãe não era dele, então que se foda mesmo.


A sensação de não sentir apoio de quem você gosta é uma merda. E ainda por nada, na grande maioria é uma questão de gênero, um preconceito idiota, uma sociedade que acredita que a mulher só precisa de apoio quando vai fazer compras com o cartão de crédito do marido e precisa de alguém para carregar seus 675 pares de sapatos novos.


Perguntei para um ex-namorado sobre isso, sobre apoiar a pessoa que gostamos e ele respondeu:

-Mas você não tem amigas?

Então só vou receber apoio de amigas?E a namorada atual, ele apoia?

Logo responde:
-Depende né Iara? Mulher tem umas coisas que a gente não pode dar corda....

O machismo é uma das piores coisas que existem neste mundo, além de toda a violência e ignorância que carrega traz muita, muita, solidão. Quem nunca se sentiu sozinha?


Até reclamar fica difícil, parece outra coisa de gênero, como se solidão fosse uma condição apenas da mulher. Disse a um amigo sobre o outro, que não me apoiou em um projeto, não disse nada de positivo, quase que ignorou tudo o que disse e meu amigo logo respondeu:

-Que foi Iara? Tá brincando de mulherzinha hoje? Não é você que caga na cabeça de todo mundo?

É, falar dos meus direitos, reclamar do preconceito, da ignorância, do machismo, tudo isso é cagar na cabeça dos outros pelo jeito.


Quando mais tenho consciência da solidão que envolve a vida de uma mulher neste mundo, mas eu tenho vontade de mandar a merda e nunca mais apoiar ninguém, nem escutar choradeira, principalmente de homens. E aí vão dizer que eu não gosto mais de homens e todas aquelas bobagens, como se tivesse alguma coisa a ver.


Mas não é isso, é frustração mesmo, de ver que somos socialmente empurradas a dar tudo o que temos e mais ainda e não recebemos nada, com sorte algumas migalhas. Vamos precisar de décadas para mudar a situação da mulher no mundo e até lá estamos todas condenadas a uma solidão terrível, mesmo que ninguém fale sobre isso, ela pesa na cabeça de cada mulher, sabemos bem como é o planeta e o pensamento de muitos homens, difícil, talvez impossível que eles possam entender o peso do preconceito, da ignorância e a solidão que carregamos na alma, porque sabemos que sempre damos mais do que recebemos, ninguém precisa de um manual, a gente sente isso na pele.


Meu amigo disse sua frase final:



- Na boa Iara? Coitado do teu próximo namorado, vai pagar por todos com esse teu feminismo, você só tá pegando raiva de homem.

Não acho isso, mas posso garantir que não sou mais a coitada da história, posso não receber apoio, mas também não dou. Pelo menos estou livre da exploração emocional, prefiro a solidão do que me sentir explorada.


Iara De Dupont

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