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17 março 2013

Geografia para mulheres: a Índia não é a Suíça




Índia, um país lindo, mas tem seus segredos





Suíça, também maravilhosa
Quem já passou por alguma reforma, seja na casa ou no corpo, sabe que tudo precisa de tempo, se a casa está quebrada, bagunçada, não dá para sair colocando as plantas e pendurando os quadros.

É a mesma coisa na vida, lá fora é como aqui dentro. No meio do caos, das poeira, não podemos nem começar a limpar até acabar, grandes mudanças exigem um tempo para colocar tudo no lugar.

E não adianta achar que sabemos lidar com tudo, porque ninguém sabe.

Esta semana saiu na imprensa o caso de uma turista suíça estuprada por oito homens na Índia, na frente do seu namorado.

Estupro é sem dúvida um dos crimes mais abomináveis do mundo, ao meu ver digno de pena de morte, mas isso é o que eu penso, não o resto do mundo.
A moça suíça foi vítima de um crime terrível, mas eu sou obrigada a perguntar, o que fez ela pensar que a Índia é um país seguro? Ela estava de bicicleta, no meio da noite, indo de uma aldeia a outra.

Tudo o que é dito, eu concordo, mulher tem direito de fazer o que quiser, na hora que quiser e nem por isso deve ser incomodada e muito menos estuprada. Concordo com tudo isso, mas peço por gentileza que avisem o mundo disso, porque ele não sabe.


O mundo não mudou ainda, as mulheres são o alvo, então a melhor coisa é usar o bom senso, mesmo que muitas digam que tem o direito de sair de bicicleta a noite, também acho que tem, mas o mundo não acha isso ainda, existe um abismo entre teoria e prática, o fato da mulher conhecer seus direitos não quer dizer que os homens saibam disso, infelizmente para tudo na vida temos que usar bom senso e principalmente se sabemos que em grande parte do mundo mulher não passa de carne moída.


Nos últimos tempos muita coisa vem vindo à tona sobre a Índia, principalmente esses estupros coletivos, que já levaram centenas de mulheres a morte.


Também acho que a lógica deveria ser outra, como dizem, é importante ensinar ao homem a não estuprar, não a mulher a se proteger de um estupro. Mas a Suíça também tem seus problemas de violência sexual, o que faz então uma moça viajar a um país exótico, lindo, maravilhoso, mas que enfrenta um dilema enorme em relação as mulheres? Eu não sairia de bicicleta a noite nem na Suíça, porque não é meu país e eu não conheço, imagine na Índia, que sofre no meio de tanta violência.


Mas está errado viver assim, mulheres não podemos mais ser prisioneiras do medo em um mundo masculino! O certo é ensinar os homens a não estuprarem! Verdade, mas vamos ser sinceras, até lá, até que isso mude, é bom pensar duas vezes, não adianta achar que só porque a mentalidade começa a mudar (desculpe mas ainda não vi isso) estamos nós mulheres seguras, o fato dos nossos direitos começarem a mudar a história não quer dizer que mudou a mentalidade dos homens ao redor.


De tanto ler histórias sobre violência com as mulheres, eu que não bebo, não voltei a beber nem água quando saio, de tantas coisas que acontecem, de tanta violência a qual a mulher fica exposta. Acredito que é importante lutar e denunciar tudo, mas até as coisas mudarem infelizmente as mulheres são o alvo.


Tem uma história sobre um jornalista americano, que no meio de uma guerra, quis ir conversar com os soldados do inimigo, achava que tudo se resolveria em uma conversa e eles entenderiam que o jornalista estava apenas trabalhando, totalmente neutro e que não concordava com a guerra que seu país tinha iniciado. De manhã, antes de ir, todos os jornalistas, do mundo inteiro, que estavam no mesmo hotel que o americano, imploraram que ele desistisse da ideia, que percebesse a loucura, o perigo. Ele insistiu em dizer que as pessoas tem que saber que os meios de comunicação não fazem parte de nenhum governo e sua missão é informar, sendo assim saiu do hotel. Horas mais tarde seu corpo foi jogado em uma rua, com um tiro na cabeça. Simples assim, ele foi lá, mandaram ele se ajoelhar e mataram, mesmo sabendo que era americano e ia dar mais merda ainda. Mas por que ele fez isso? Porque achava na sua inocência que  o seu ponto de vista seria entendido pelo lado inimigo, esqueceu que o lado inimigo tem seu própio ponto de vista e não estava interessado no dele. Se os americanos acreditam em uma boa conversa, ou alguns deles acreditam, não quer dizer que o resto do mundo acredite. Cada país tem sua história, sua maneira de reagir ao que vem de fora.


Tenho uma amiga que sempre vai a África, porque trabalha na defesa dos chimpanzés. Lá mesmo recomendaram que ela sempre tenha a mão seu passaporte mexicano, não o norueguês, porque é casada com um norueguês e nunca mencione que trabalha para os americanos. A explicação é a seguinte, caso ela seja feita refém por algum grupo de rebeldes, soltam ela logo, porque consideram o México um país irmão na miséria, mas se acharem que é americana ou norueguesa, então eles pegam de refém mesmo e torturaram, uma maneira de devolver a esses países toda a repressão que sofrem.


Cada casa tem suas regras, cada país tem as suas, não adianta querer ir a outro país com os nossos costumes, achando que todo mundo vai entender. Não se pode ser ingênuo, achando tudo como dizem os franceses ''exotique'' e ir pela vida achando que está na Suíça.


Eu também tenho vontade de conhecer outros lugares, mas hoje entendo que as mulheres são moeda de troca em grande parte deles. Uma amiga árabe sempre me diz para não colocar meus pés por lá, porque meu tipo físico é bem visado para o tráfico de mulheres por lá.


Não adianta achar que estamos protegidas apenas porque temos consciência dos nossos direitos, pagamos nossos impostos e votamos. O mundo continua um lugar desigual, violento e se na Suíça ainda existem problemas de agressão sexual, imagina na Índia, onde mais da metade da população vive abaixo da linha da miséria, presa a umas crenças milenares que tratam a mulher como ser inferior e sem educação.


Mulheres querem viajar como turistas e tem todo o direito de fazer isso, mas o que se pode fazer se não são vistas assim ainda? A moça da Suíça com certeza achou isso, que era uma turista, em um país diferente e exótico, mas quem estava lá não viu ela assim, pelo contrário, viu ela como um animal para ser caçado.


Iara De Dupont

Um comentário:

Anônimo disse...

concordo com vc Iara. É terrível, lamento imensamente pela turista e espero que os desgraçados sejam punidos. Mas que ela foi ingênua de ir pra um lugar tão violento e não se precaver, foi mesmo. Eu jamais pisaria num lugar tão atrasado culturalmente como a India. Se eles são capazes de abortar tantos bebês pelo simples fato de serem meninas, que respeito terão pelas mulheres?

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