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22 março 2013

Brasil, um país que não merece seus atletas, nem seus cidadãos




Equipe de ginástica olímpica: hoje ninguém sabe, mas amanhã vão cobrar deles
A coisa que mais me tira do sério é a coisa mais comum no mundo, principalmente no Brasil, é viver em apenas uma mão, o outro lado não se mexe e se faz alguma coisa é apenas para cobrar. Todo mundo se sente no direito de exigir, mas não cumpre sua parte.

A maioria dos brasileiros ganha menos do que deveria ou do que seria suficiente para viver melhor. Com o pouco dinheiro ainda é roubado em impostos reais, porque parece isso, que se sustenta um governo e cinco cortes, vive no limite e não tem serviço públicos decentes. Mas tem uma coisa que não falta na vida do brasileiro, o famoso ''bafo no cangote''. Sempre tem alguém cobrando, exigindo, enchendo o saco.


A pessoa trabalha em uma empresa, é explorada, porque ganha pouco, no esquema Brasil faz o trabalho de cinco pessoas, porque aqui isso é bem comum, se contrata uma pessoa para preencher cinco vagas ao mesmo tempo e a única coisa que esse pessoa pode ter como garantia, ou seja, vai realmente acontecer, é um chefe enchendo o saco e cobrando como se a pessoa fosse paga para executar o trabalho de cinco funcionários. E muitas vezes o chefe cobra, perturba e a pessoa ainda é obrigada a assistir o chefe cobrindo as costas de algum funcionário importante, filho de patrão, sobrinho de diretor, afilhado de presidente.


No prédio que moro a síndica pega no pé de todo mundo, tudo dá multa. Mas quando ela resolve trocar as portas do edifício ou fazer instalações que nos deixem horas sem luz ou elevador, ela não se sente na menor obrigação de avisar, foda-se, o problema não é dela.


A mesma coisa com o governo, eu deixei de pagar uma conta de luz o ano passado, depois de inacreditáveis 27 dias de atraso minha luz foi cortada. Meses depois se descobriu um erro de cálculo nas contas de todos, ou seja, a companhia de luz nos cobrou um bilhão de dólares a mais, mas ninguém devolveu um centavo nem veio a minha casa se desculpar por isso, mas no dia que eu estava devendo menos de 50 reais se viram no direito de cortar, já que atrapalhei todo o esquema deles de arrecadação.


São essas coisas que me estressam e parecem fazer a vida no Brasil um calvário. O sistema só funciona de um lado e não apenas para mim, mas para quase todos.

Se eu erro sou cobrada, multada, processada. Se o sistema erra ''essas coisas acontecem, não temos controle sobre tudo''. Pois é!

Imagina a pressão e a cobrança quando é um país inteiro no cangote, atletas brasileiros sentem isso.

Diego e Daniele Hypólito, Jade Barbosa e toda a equipe de ginástica olímpica foi cortada do clube Flamengo, que alega não ter mais dinheiro para manter a equipe. Eles não foram avisados com antecipação, foi naquele esquema Brasil, ficaram sabendo no mesmo dia. Foi tão ruim a repercussão que o clube chamou eles no dia seguinte e disse que tinha mudado de ideia, se eles aceitasse 30% do que ganhavam, então podiam voltar. Dizem que o dinheiro foi levantado as pressas, mas sem garantia que nos outros meses eles fossem receber, já que chegaram a treinar durante um ano sem receber um centavo, porque o clube estava com problemas financeiros. Eles não aceitaram por apenas uma razão, já recebiam pouco, imagine o 30% de pouco e porque não são mendigos, não precisam de caridade, são atletas de alto desempenho, desses que passam a vida inteira arrebentando o corpo para levar medalhas para seu país.

Essa equipe de ginástica olímpica é a única que temos, já não estão na flor da idade, são atletas experientes e estamos a três anos das Olimpíadas. Todos os atletas de ponta do mundo inteiro estão trancados em ginásios e clubes, treinando o dia inteiro para 2016, com técnicos, fisioterapeutas e alimentação correta.


E onde estão nossos atletas? Perdidos, pelo menos os da ginástica olímpica, estão por aí, desesperados procurando um clube, Diego Hypólito está treinando de vez em quando em São Paulo, no clube Pinheiros, coisa que o obriga a fazer ponte aérea. Pode parecer frescura, mas como atletas eles devem ser poupados ao máximo, para poder render tudo nas competições, mas os nossos estão por aí, visitando clubes e tentando conseguir alguma coisa para poder treinar e representar seu país dignamente, aquele mesmo país que está se lixando para eles.


Agora ninguém sabe, ninguém viu. Não tem governo, não tem iniciativa privada, agora esses atletas não são ninguém, não tem nome, não tem títulos e ninguém ajuda, dane-se.


Mas em 2016 as pessoas vão lembrar deles e quando eles competirem ( se conseguirem chegar lá)então sim, eles vão ter nome e vão carregar nossa bandeira, mas senão ganharem e fica difícil ganhar diante de atletas que tem apoio, bom, se eles perderem, vão escutar muito, a mídia vai cair matando, dizendo que eles são ruins, que o Brasil não tem tradição em ginástica olímpica, que eles vivem na praia em vez de treinar (vão ficar em casa remoendo se não tem um ginásio pra treinar?).


Agora eles estão soltos, ninguém se preocupa com sua alimentação, nem se tem ou não técnico, nem as condições do ginásio. Agora ninguém dá bola para eles, ninguém se preocupa que são atletas que não podem ficar sem treinar e estão como desempregados, batendo sola por aí, vendo se conseguem alguma coisa.


É questão de tempo eles serem lembrados, em 2016 vão sentir na pele todas as cobranças do mundo, todas as exigências do planeta, inclusive como vai ser aqui no Brasil vão ter mais responsabilidade de ganhar, porque o Presidente vai estar lá assistindo as competições, esse mesmo Presidente que hoje se caga na cabeça deles e não apóia o esporte.

E o pior é que se eles competirem e ganharem vão ter que beijar a bandeira, essa mesma que hoje os ignora.

Iara De Dupont

Um comentário:

Daniela disse...

Esse seu episódio da luz cortada me lembrou o daqui de casa. Quando vieram cortar, cortaram sem pena, sem perguntar nada. Mas na hora de religar a bendita luz, encheram o saco batendo na porta pra confirmar o endereço. Ora, por que que pra desligar não precisa confirmar o endereço e pra religar, precisa? Engraçadinho, né?

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