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07 março 2013

Até as batatas ficaram medíocres



Pra que complicar? Compre batatas fritas prontas!


Estava em um supermercado na parte de verduras e legumes quando uma senhora começou a conversar com seu neto perto de mim, disse ao menino que ia pegar umas batatas e começou a escolher. O garotinho, de uns cinco anos, ficou revoltado e disse:

-Vó, isso ai não é batata! 

Depois de tanto reclamar ela desceu ele do carrinho e soltou o menino, que saiu correndo. Minutos depois ele voltou com um saco daquelas batatas cortadas, congeladas, prontas pra fritar e disse:


-Vó, batata é isso aqui!

Não entendi na hora porque ela não explicou a ele a diferença, mas depois pensei, valeria a pena?


Muitos podem criticar a indústria alimentícia, que convence as crianças que batatas já vem cortadas e congeladas, mas uma parte dessa realidade foi construída por todos e o ponto é que realmente estamos cada dia mais medíocres em tudo. Tudo parece estacionar no raso, temos uma mídia que celebra a mediocridade, essa sim digna de todos os prêmios e menções. Nossa vida política é abaixo de medíocre e a grande maioria de nós está conseguindo colocar tudo o que faz dentro desse parâmetro medíocre, já que parece que estamos todos submergidos nessa nova maneira de pensar.


É só ligar a televisão, o rádio, ler um jornal. Tudo está medíocre. Tão medíocre que nada mais parece surpreender e até a renúncia de um Papa passa a história sem nenhuma importância, de tão medíocre que foi seu papado e sua renúncia.


O problema de não ser medíocre é querer exigir isso aos demais, complicando a vida alheia. E muito dessa mediocridade está ligada a preguiça, quem não tem? Hoje eu escolho a dedo os filmes que assisto, antes gostava de todos, mas agora sou bem seletiva, porque nem sempre quero pensar assistindo alguma coisa ou me deprimir, muitas vezes escorrego nessa mentira que dizem que filmes são apenas ''entretenimento'', assim como todos fui lentamente sendo convencida de que filmes não são atos políticos nem questionamentos éticos, são um passatempo medíocre que usamos para distrair uma mente que já está em um processo de mediocridade.


Novinha eu sofria para entender as letras do grupo ''Legião Urbana'' e ''Engenheiros do Hawai''. Hoje em apenas uns segundos eu pego logo o chiclete que estiver tocando, nada exige minha atenção.


Pelo fato do Brasil ser um país novo e ruim na educação a mediocridade aqui é mais latente que em outros países, somos naturalmente mais atraídos ao vazio do que muitos estrangeiros.

Por isso mesmo adoramos exaltar nossa mediocridade, nossos ídolos sem conteúdo, nossa babaquice crônica, que adora lamber os pés de pessoas sem talento.

Sempre digo que no Brasil gostamos de tudo de graça, não precisamos de explicação, é só colocarem na nossa frente, darem um refrão fácil e já começamos a amar loucamente.


Não sou uma metidinha a intelectual criticando a mediocridade, pelo contrário, eu diria que apenas estou constatando um fato que existe até na minha vida, me acostumei com o raso mesmo, também perdi a paciência com muitas coisas e não tenho mais saco para outras, diria que em grande parte da minha vida peço batatas já congeladas e cortadas, estou sem saco de colher batatas, limpar e cozinhar. Também me acostumei a ir ao ponto, é raso? Tá bom.


Gente que eu conheço discute e discute o lado acadêmico da vida, eu já sou mais reta, às vezes no meio da discussão logo penso ''E eu com isso, que se foda esse assunto!''.


A mediocridade simplifica, mas tem um grande problema, não alimenta, não questiona, não modifica. É água parada que apodrece.


E o Brasil está com água parada demais, gente na televisão, na política, na música, nas artes, medíocre demais, rasa demais. Essa água podre atrasa um país, que se acostumou a ver pessoas sem preparo dominarem mercados e agora se acostumam a comprar batatas congeladas.


A mediocridade invade tudo, desde nossa mesa até nossos amores e nos deixa sensíveis, chorando pelas coisas que achamos que perdemos. Sem conteúdo não temos recursos intelectuais para fazer melhores escolhas e ficamos a mercê de todas as indústrias que nos querem assim, abestalhados. E não é tão simples fugir, mediocridade é como uma grama, cresce em todos os lugares, até que finalmente começa a fazer parte da paisagem e define um lugar.



Iara De Dupont

Um comentário:

Carolina disse...

Iara,
lendo seu texto pensei em várias coisas. A primeira delas é no machismo, que permeia as nossas vidas. Sempre fui muito prática e objetiva nos meus relacionamentos. Sempre pensei e senti que amor e objetividade não se excluem, ao contrário.
Por causa disso, já ouvi a seguinte frase inúmeras vezes: "Vc pensa igual homem". Ficava me perguntando, como assim? Sou mulher, mulher então é incapaz de raciocinar qd se relaciona amorosamente? Não via que para esse pensamento machista, tão arraigado, realmente, mulher e raciocínio não combinam. E qd uma mulher ousa pensar, essa racionalidade não pode estar ligada ao feminino! Pensar, é praticamente uma ofensa!
Estratégia faz parte da minha vida (poderia até fazer mais parte ainda) e hoje consigo enxergar pq isso desconcerta tanta gente.

Outro ponto que eu pensei, é que no geral somos criados para ficar longe do mal, não pensar nele de forma alguma. É como se só de pensar, o mal contaminasse. Mas não contamina. Cheguei à conclusão, que para fazer o bem, inclusive para nós mesmos, é preciso conhecer o mal, pq não há como se defender daquilo que desconhecemos.

Antigamente achava que o jeito das pessoas agirem em relação a mim, era somente o reflexo do jeito que eu agia com elas. Quanta ingenuidade! É por isso que achei o seu outro texto, das contas, tão bacana! Não é que o amor, a amizade, tenham que ser racionalizados o tempo inteiro. Mas mesmo nas relações de afeto, pensar é fundamental.
Beijos,
Carol

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