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14 fevereiro 2013

Precisa de fôlego para lidar com o machismo de amigos



Não perceber o horror que vem em certas frases é uma benção. Sempre me perguntei como era viver como os monges, que fazem seu voto de silêncio e nunca mais abrem a boca. Parecia difícil, mas ultimamente estou pensando seriamente nisso, já que ao falar escutamos muitas vezes coisas que não sabemos nem como reagir.

Na mesa de um bar um amigo me fez uma brincadeira, de cunho sexual. Em outros tempos eu nem teria reparado, não teria visto as intenções nem lido as entrelinhas, mas as coisas mudaram desde que eu comecei a me dedicar a ler e entender tudo que envolve a sutil violência verbal, aquela que a gente não escuta e não percebe, mas está em quase tudo que é dito a uma mulher.


Como era meu amigo, resolvi educadamente parar a brincadeira e para não voltar ao assunto contei que me sentia desconfortável com o que foi dito e expliquei o porquê brincadeiras assim não tem graça.

Ele simplesmente virou e me disse:
-Parabéns, você acabou de usar toda sua coleção de clichês, isso que é feminismo? Tô impressionado!


Esbarrei em dois problemas, o primeiro é que o lugar não era adequado para uma discussão mais longa e o segundo que não sou professora, não sou paciente e tenho uma enorme dificuldade em ser didática em situações que meu sangue ferve.


Não adiantava ir pra cima e linchar o rapaz. Conheço na palma da mão a educação que ele teve, que todos têm. Não é na rua que se aprende isso, é em casa, com o pai, a mãe, tios, a sociedade inteira mostrando ao menino que rapazes são assim, tem que fazer brincadeiras de mau gosto de cunho sexual para reafirmar sua masculinidade. É parte de ser homem, eles que dizem isso. E não param por aí, sempre remendam com um ''Todo homem é assim, não sabia?''.


Sempre tive amigos homens e só agora começo a esbarrar nessa situação com freqüência. Não tenho saco para sair e ficar explicando ponto por ponto de porque é deselegante falar assim, porque é agressivo e ofensivo. Em alguns momentos fico quieta, porque não sei mais o que dizer. Frases saem da boca e nem eles percebem o tamanho da pedra que estão jogando.


Não sei o feminismo é necessário para explicar uma situação que exige apenas semancol. Não podemos fazer brincadeiras com todos de cunho sexual, ninguém é íntimo do mundo inteiro para sair fazendo isso, por tanto acho lógico pensar que uma amiga não gostaria de escutar alguma coisa assim.


É realmente preciso o feminismo para explicar o que significa respeito, empatia ou compaixão pelo outro?

Não saí impune da conversa, pelo contrário, várias vozes disseram que eu estava exagerando, que qualquer luta, feminismo, comunismo, qualquer uma delas é ultrapassada e eu nem tinha entendido a brincadeira, caso contrário estaria dando risadas e considerando um elogio.

Se fosse uma situação isolada eu poderia lidar com ela de uma maneira mais simples, mas venho escutando demais nos últimos tempos e eu sozinha contra um pensamento não posso fazer nada. Vou subir no Corcovado e gritar que os homens acham que mulheres adoram brincadeiras que as coloquem como objetos e isso não está certo?


Não é culpa deles, não é culpa do meu amigo. Eu também fui convencida de barbaridades e só parei de dizer ou pensar quando percebi que elas vinham na minha direção. Os homens não tem como perceber os horrores que fazem porque não sentem na pele essa violência e poucos tem o dom da empatia, é uma loteria genética nascer com um código mais avançado e perceber que o discurso dos homens, esse discurso machista que aprendem desde crianças sobre as mulheres é agressivo e absolutamente inaceitável, já que o machismo é a base de quase todas as desgraças no mundo.

Fiquei frustrada e triste. Não por mim, nem por meu amigo, mas por perceber que uma coisa tão óbvia pode parecer de outro mundo. Mas é o que parece mesmo, respeito neste mundo é artigo de luxo, poucos têm acesso.


Iara De Dupont

3 comentários:

Carlos Hamilton disse...

Não concordo quando falam que homem é tudo igual. Existem homens com H maiúsculos que são mais homens do que certos homens por aí. Gostei do texto, realmente a grande maioria são assim. Abraços

http://www.blogdocarloshamilton.blogspot.com

Carolina disse...

Te entendo demais!
Bjos,
Carol

Musicista Feminista disse...

E o que ele fez não é clichê??? Piadas com viés sexual são totalmente inovadoras!

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