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28 fevereiro 2013

O dia que acordei livre



Apanhar com palavras também doí

Não adianta ensaiar nem decorar texto ,só sabemos como vamos reagir a uma situação o dia que nos enfrentamos a ela.
Depois de um longo inverno em um relacionamento nunca consegui definir como eu reagiria, caso encontrasse com ele na rua. Eu falaria com ele? Não sabia o que dizer e minha insegurança e horror a tudo que ele representa foram tantas que abandonei coisas materiais importantes para mim, apenas para não ver esse rosto novamente.

Pensei que da minha parte não ficava mais do que ódio e ressentimento. Alguma amiga me garantiu que ódio é amor, então talvez no fundo eu ainda amasse ele. Mas eu achava que não, mas consegui desviar meu caminho sete anos, quase que cabalísticos.

E de repente veio um recado, pedindo perdão e dizendo que sentia falta das ''nossas conversas''.
Se a pessoa tivesse escolhido a dedo o dia não teria sido pior. Vi o recado em um dia longo, chuvoso, deprimente e carente. Eu tinha a impressão que se um dia chegasse uma mensagem assim eu correria a responder e perdoaria tudo, mas coisas aconteceram nesses sete anos sem que eu percebesse.

Não senti ódio, nem mágoa nem raiva quando li. Não senti nada, assim sem explicação.
No dia seguinte, pensando com calma, percebi o quanto aquela mensagem era no fundo engraçada. A pessoa dizia sentir falta das nossas conversas, mas hoje de cabeça fria eu me pergunto, que conversas? Isso nunca existiu, a única coisa que acontecia entre os dois era o ritual de humilhação, ele desligava o telefone na minha cara, ligava quando queria, cansava de dizer que não podia conversar comigo porque eu só dizia ''abobrinhas'', também falava que eu dizia palavrão e contava coisas sem nexo. Um dia disse que preferia dormir em cima de pedras quentes do que conversar comigo. Determinava quando e como acabava a conversa.

E por que eu aceitei tudo isso? Porque eu estava envolvida em um círculo de violência verbal, não percebia que era um saco de pancada, que era uma relação doentia e até hoje me pergunto onde eu estava, porque nem eu entendo como suportei tanta violência, não conheci ninguém nem antes nem depois que tivesse feito comentários mais rudes sobre minha aparência, minhas escolhas e minha vida.

Eu poderia ter ficado anos pensando de vez em quando como eu reagiria a essa pessoa, caso ela atravessasse meu caminho de novo, mas inacreditavelmente me fez um favor, poucas vezes uma mensagem me libertou assim.

É uma sensação de liberdade que não se pode descrever ler um recado assim, depois de tantos abusos e perceber que não tenho nada a dizer a essa pessoa e nem quero escutar mais nada, não me interessa, cortei qualquer laço que me unia a violência, apesar de estar em um dia péssimo não cai no canto da sereia, pelo contrário, o nojo predominou.

Sou livre de um jeito que nunca fui nos últimos anos. Essa história me perseguia, me fazia ter pesadelos, me envolvia no pânico de nunca mais conseguir gostar de alguém, ou de gostar e ser tratada assim. Eliminei energeticamente essa possibilidade, se uma pessoa que exercia tanto poder sobre mim não significa nada, a violência vai naturalmente embora.

Ainda bem que me mandou o recado e me libertou. Eu não sabia como ia reagir a qualquer contato da pessoa, e de repente me descobri reagindo de uma maneira que nem com reza brava eu pensei que poderia. Além dessa pessoa não ser nada, pude olhar claramente uma frase e perceber que eu falava sozinha, quando disse sentir falta das nossas conversas, vi ali escrito transparente, nunca houve conversa nenhuma.

Quanto ao perdão, nem penso nisso. Não sou a única que ele abusou, e tenho quase certeza que esse recado foi mandado em um dia de consciência pesada, aquele momento que percebemos o quanto somos cruéis, mas tudo bem, não faz diferença mesmo.

No caso dele tem mais é que lamentar mesmo, pessoas decentes como eu fui com ele não aparecem no caminho todos os dias.
Mas perdoar não preciso perdoar nada, já me libertei de tudo isso. É um alívio pensar que esse pesadelo acabou, fiquei com a sensação que posso começar do zero e voltar a gostar de alguém.

Iara De Dupont

Um comentário:

Carolina disse...

Garota,
é isso aí, arrasou! Bafônico o seu texto!
Bjos

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