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13 fevereiro 2013

Acabou o carnaval da vergonha



Parece uma festa democrática, apesar das deusas brancas










Uma foto da multidão que segue o trio e revela as cores do racismo
Pronto, acabou o carnaval. Não preciso mais fingir nada, não gosto da data. Com exceção de ver algumas escolas e suas geniais idéias para contar uma história, não gosto do resto, principalmente porque esse carnaval que a televisão mostra não é o mesmo que eu conheço.

Perto de onde moro aqui em São Paulo tem uns blocos, alguns tradicionais. E como se fosse pouco ainda moro perto de uma escola de samba, que apesar de tanto talento tortura meus ouvidos durante meses. Os blocos são muito divertidos na televisão, na real são barulhentos, confusos, perigosos e toda a rua tem um cheiro insuportável de xixi. Também é difícil pular a vontade, sempre têm homens dando uma de engraçadinhos, tentando agarrar, isso tira de qualquer mulher a vontade de sair em um bloco.

Na televisão muito lindo todo esse show de trios elétricos na Bahia, todas essas musas. Só fui uma vez no carnaval da Bahia  para nunca mais voltar. É cheio demais, também tem os mesmos problemas de todos os blocos de rua e o pior de tudo, poucas vezes eu estive em uma situação onde a divisão social e racial era tão gritante. Quem tem o famoso abadá do trio, comprado antes da folia, vai dentro das cordas, com uma suposta segurança, que também não vi e fora da corda vão as pessoas que não pagaram.
Eu não conhecia as músicas do trio, então observava mais do que pulava e fiquei impressionada com o número de brancos dentro da corda e de negros fora dela.
Não conheço os bastidores do carnaval na Bahia, mas sempre me pergunto, por que as pessoas tem que pagar se a rua é pública? Ah, mas elas querem seguir o trio! Bom, então o trio que faça shows particulares em lugares privados, não na rua. Não tenho a menor ideia do porquê os trios cobram nem como começou isso, mas me incomoda muito ver as imagens, me dá a impressão que separar as pessoas não é uma coisa boa, não vejo a democracia deste país nem a liberdade.

Vão dizer que é carnaval, tudo é possível e tal, mas eu só vejo todas as situações erradas que acontecem o ano inteiro serem reforçadas no carnaval. Todo o racismo, elitismo e machismo brilham mais em fevereiro do que em qualquer outro mês do ano.

A mídia faz sua parte, fala dos trios na Bahia, mas ressalta as musas brancas, Daniela, Ivete e Claudia. Os outros não aparecem, quem vê na televisão vai pensar que a Bahia só tem cantoras brancas.

E quem assiste os desfiles das escolas de samba confirma a beleza das brasileiras e deve pensar que todas vivem ao redor disso, todas só pensam em aparecer nuas no carnaval. A câmera sempre vai atrás das mulheres, fiquei esperando alguns lindos rapazes aparecerem, mas essa imagem não chegou, parece que a própria emissora faz questão de ressaltar seu machismo e sua suposta heterossexualidade.

De longe é conhecida como a maior festa do planeta. Mas de perto é um rio de preconceitos, onde o negro e a mulher servem de isca para uma sociedade branca e hétero. Os brancos querem pular carnaval e exigem estar separados dos negros, as mulheres que quiserem sair em uma escola tem que ter um corpo perfeito, menos do que isso os brancos da classe média não aceitam, por isso se consideram até generosos já que para as gordinhas tem a ala das baianas.

Incrível festa mesmo, de perto envergonha a qualquer um, mulheres não passam de objetos e negros são separados dos brancos intocáveis.
Mas entra muito dinheiro nessa festa. É, tem razão, tem o patrocínio das escolas de samba, tem o mercado sexual de crianças para estrangeiros que chegam aqui salivando, tem a prostituição, bebidas e drogas. Realmente coisas que orgulham qualquer país que além de tudo para de trabalhar durante quase uma semana.

Visto de fora eu também bato palmas, fico besta com a beleza das escolas, a organização dos desfiles e a energia das pessoas que podem pular e cantar durante seis dias na Bahia, correndo atrás dos trios. É quase comovente ver um povo com tanta energia e alegria. Mas de perto é a coisa mais triste do mundo, um país que separa seus cidadãos por cor em uma festa democrática e vende suas mulheres não deve ser grande coisa mesmo. Pior que não somos mesmo.

Iara De Dupont

5 comentários:

Anônimo disse...

Ola!!!!!
Achei que so eu pensasse assim! O que gosto do carnaval sao as ideias geniais e a maneira como desenvolvem um tema,gosto de ver isso ( no sofa de casa,sempre) e me incomoda profundamente que quem brilhe seja sempre os mesmos ,brancos,classe media alta (carnavalescos,artistas,socialites,etc) a turma que trabalha o ano inteiro e a ala força,podem ate se sentir realizados,mas na minha opiniao são a senzala fazendo festa para os seus senhores,mas parece que eles nao se importam.

Bjs

Anna Lara

Poeta da Colina disse...

O que impressiona é que funciona, e todos participam, mas é a única coisa que participam.

Nada mais funciona nesse país, e em nenhum lugar mais se reconhece uma sociedade.

Por que de pertinho mesmo, o povo brasileiro é bem triste.

Carolina disse...

Já pulei muito carnaval, inclusive na Bahia. Foram anos passando os carnavais lá. Não vou mentir, adorava. Mas não tinha nenhuma visão crítica do que realmente é essa festa. Hoje vejo com outros olhos, mas tb entendo a razão de tanta gente gostar. Esse ano, para piorar, ainda teve Ivete vestida de toureira.
Beijos,
Carol

Leonardo Caldas disse...

Parabéns. Cheguei a seu blog por acaso, mas não tem como não comentar que os 3 ou 4 de teus textos que li até aqui são de uma lucidez deliciosa!

Já favoritei teu blog.

Leonardo Caldas disse...

Vim parar por acaso em teu blog, mas não tem como não comentar que pelos 3 ou 4 textos que já li fica clara a deliciosa lucidez com que você escreve.

Quanto a este, especificamente, sou de Salvador e são exatamente essas as minhas impressões sobre o carnaval daqui também.

Já favoritei o blog, e volto sempre que possível pra ver o que andou publicando.

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