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11 janeiro 2013

Todo o gelo que pode vir em um ''oi ''





A vida tem seus próprios mecanismos, do jeito dela faz as coisas, mas o ser humano insiste em atrapalhar o caminho, criando desvios, fazendo a sua maneira, mas como diz um guru, ''a vida sempre ganha, ela está aqui pra sempre, nós vamos embora''.

Tive essa impressão quando minha avó ficou doente. Ela foi internada, sofreu, ficou meses no hospital. No caminho dela atravessaram médicos com idéias e remédios potentes, que manteriam até um sofá respirando. Se a vida tivesse seguido seu curso, talvez ela teria morrido em casa, em paz. Mas em um hospital ficou a mercê de infecções hospitalares e tratamentos fortes. Sendo assim sua mente foi embora, mas o corpo era mantido quimicamente, resistindo e prolongando a dor.


Como família era importante manter ela no hospital, uma suposta garantia de que ela poderia se recuperar, mas hoje entendo que o nosso desespero em salvar ela acabou atravessando o ritmo da vida, talvez ela no seu tempo tivesse tido uma morte menos dolorosa e mais rápida, sem aquelas luzes estéreis de hospital e tudo o que envolve ficar em um lugar desses três meses.


A vida faz as coisas, sempre fez e vai continuar fazendo, em tudo, não apenas em questões familiares, de saúde ou sorte. Também influi nas amizades, a vida vai levando cada um por um lado e as pessoas se afastam, mas não é uma coisa ruim, é uma espécie de filtro, caso contrário quantas pessoas fariam parte de nossa vida hoje? Se eu falasse com todo mundo que eu conheci desde que frequentei uma pré-escola não teria tempo de fazer mais nada. Em um filme, ''Conta Comigo'' o protagonista dizia que amigos eram como garçons, eles apareciam e sumiam da nossa vida.


Antes de Google era assim mesmo, a gente perdia as pessoas e levava anos para cruzar com ela de novo, as vezes nem isso acontecia, a pessoa ficava na memória. A internet tem ajudado muitas pessoas a encontrar parentes e amigos queridos, mas também tem o outro lado da moeda. A vida sabe quando precisamos encontrar alguém e coloca essa pessoa de novo no nosso caminho, como um tabuleiro de xadrez que funciona perfeitamente.


Eu atropelei a vida sem querer. Perdendo meu tempo em uma rede social encontrei uma pessoa que não vejo há vinte anos. Só tenho boas memórias dessa pessoa, trabalhamos juntos em uma peça e nos divertimos demais. Fiquei muito feliz de ter encontrado essa pessoa, até hoje tenho um colar que essa pessoa me deu, coisa rara, já que mudei tanto e perdi tantas coisas, é quase um milagre ter esse colar ainda. Não resisti e mandei uma mensagem, perguntando se lembrava de mim, na dúvida que não fosse a mesma pessoa, expliquei da onde conhecia e tal. Dias depois a pessoa respondeu, uma mensagem, um simples ''Oi''.


Assim, gelado, distante, sem perguntas. Fiquei muda no computador, não soube nem o que dizer, tanto que não respondi. Me senti estranha, como se eu tivesse feito alguma coisa errada, me arrependi de ter mandado a mensagem.


Não sei o que aconteceu. Uma amiga me dizia que ter boas memórias de alguém não quer dizer que esse alguém lembre de você com o mesmo carinho, mas neste caso sempre tive uma relação legal com essa pessoa, a gente se divertiu muito e fiquei com vontade de saber um pouco do que tinha acontecido com essa pessoa, desde que a gente deixou de se ver, no último dia da apresentação da peça.


Talvez se a vida quisesse teria colocado essa pessoa na minha frente no momento certo, daí talvez a gente se reconhecesse e pudesse conversar um pouco, bater um papo, no ritmo da vida. Mas no ritmo da internet a gente atropela as coisas.

Nunca tinha passado por isso, até porque evito procurar pessoas que não convivem comigo, fico meio receosa, sempre me pergunto se estou atrapalhando, mas já tive uma prima que me achou no falecido Orkut,mas eu não tinha nada a dizer a ela, nunca respondi suas mensagens, ela morou perto de mim dez anos e nunca ligou, agora longe não tenho motivos para falar com ela, mas essa pessoa que eu achei e me respondeu tão secamente me deixou magoada.

Sou boba mesmo, às vezes fico magoada à toa, as pessoas reagem de jeitos diferentes a sua vida, ao seu passado, a tudo ao redor delas. Mas é impressionante como um ''oi'' tão seco e nenhuma mensagem além disso atravessam a memória, parece que a imagem que você tem da pessoa se desfaz no ar e aparece outra, que você não conhece. Se eu não tivesse mandado uma mensagem sempre lembraria dessa pessoa com todo o carinho do mundo e um sorriso no rosto, mas depois que recebi a resposta fiquei tão perdida que a imagem mudou, borrou, sujou a imagem anterior.


A próxima vez que sair da minha boca um ''oi'' vai ser porque a vida me colocou a pessoa ali na frente, foi decisão dela, então eu sigo o ritmo e sorrio, mas mandar um ''oi'' tão alegre, tão feliz de encontrar alguém e receber essa pedra de gelo na minha cabeça nunca mais.


Iara De Dupont

Um comentário:

Anônimo disse...

Infelizmente o convívio com as pessoas implica nessas consequências as vezes né =/
Uma vez fiz amizade com uma pessoa. Até hoje acho que foi a melhor amizade que já tive, nunca vivi época tão boa. Até que algo mudou. Não ficamos dez anos sem nos encontrarmos, mudou de repente. Não sei o que houve, se eu fiz alguma coisa, se disse alguma coisa. Um dia forcei um encontro e foi a coisa mais fria do mundo. É difícil acreditar que eu nunca vou saber o que houve =(

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