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03 janeiro 2013

Queria ser uma pessoa melhor (longe de dietas)




Quando começa o ano volta a mesa o assunto das dietas. Eu por diversas questões não detonei este ano, não sou de detonar, essa é parte da minha tragédia. Não tenho vontade comer um bolo de chocolate inteiro uma vez por ano, queria apenas o direito de comer meu chocolate todos os dias, sem essa enchação de saco essa história de engordar ou não.

Não sei se é porque cheguei a marca histórica de trinta anos fazendo dietas, inacreditavelmente, mas bati esse recorde. A maioria das minhas amigas foi mais rápida, se livraram do peso no auge da juventude e agora estão estáveis no seu peso. Nunca consegui isso, apesar do meu esforço. E agora para meu azar minha mente emperrou, antes era parceira nas minhas loucuras para emagrecer, mas agora qualquer coisa ela emperra e recua, não quer mais saber de enganar o cérebro com meus truques baratos.


O que me estressa na questão do peso, devora minha alma e me consome a energia, é o vazio da questão. Sim, posso viver toda uma vida com gelatina diet, mas qual seria o objetivo real? Não vou nem levar meu corpo quando for embora e minhas dietas não valem pontos para entrar no paraíso.


É o vácuo do assunto que me atormenta, já que passo muito tempo pensando nisso e todas as minhas atividades estão atreladas a isso. Gosto de caminhar, mas se um dia eu resolvo não ir, minha mente me atormenta, lembrando o número de calorias que não serão consumidas.


Cada vez que resolvo entrar em outra dieta me sinto um ser humano péssimo, superficial, como se a única coisa que eu pudesse dar ao mundo é um peso aceitável.

Sei de antemão que talvez passe vergonha lá no Nosso Lar, quando puder ver em números o tempo perdido e a energia jogada no ralo atrás de um certo peso.

Tenho consciência disso, já estudei demais o assunto, sei que o corpo é um vestido, temos que tratar bem, mas isso poucos sabem, dietas são as que mais maltratam o corpo e detonam o cérebro, que tenta sempre se defender. Mesmo sabendo que não sou meu corpo não consigo parar de me incomodar com esse assunto, ele me persegue todos os dias, eu adoraria acordar sem pensar nisso e aceitar a realidade. Mas no meu caso aceitar a realidade é se jogar no abismo, sei que tão longe meu corpo pode ir e sei também que a comida para mim é um anestésico, sem freios eu abusaria disso como um drogado abusa das drogas.


Faria qualquer coisa para sair dessa prisão mental, esse desespero absurdo, queria ser mais evoluída e poder concentrar mais a minha vida em coisas úteis.

Mas a realidade é uma para mim, não venci isso, então a noção de conquistas na minha vida parece anulada,  fui um criança gorda e não venci isso, fui uma adolescente gorda e não venci isso e sou uma adulta gorda e continuo sem vencer isso, parece então que não tenho forças para mais nada neste vida, um fracasso em tudo, já que o básico não consegui vencer.

Já sou atormentada por natureza, o peso é apenas pólvora no meu quintal, sempre pronto a explodir. Vou fazer o que se a sensação de fracasso me persegue apenas porque não emagreci?

Não é uma dieta, são trinta anos fazendo isso. Já tive amigo que me disse para parar de chorar e tomar providências, ora, meu anjo, eu tenho trinta anos tomando providências, esse é o meu cansaço. Quem aguenta uma guerra trinta anos? Quem tem forças para continuar?

Perder ou não o peso tem sido meu dilema e meu carma. Até porque me afasta de outras coisas, eu mesma me assombro com o tempo que perco resolvendo isso ou lendo calorias de embalagens, como se isso ajudasse a ser uma pessoa melhor.


Tenho muita vontade de ser uma pessoa melhor e fazer mais coisas além das que faço, mas às vezes, quase sempre, o peso me derruba, me joga na cara que fracassei em relação a mim mesma.


É nessas horas que  entendo porque alguns soldados se entregam ao inimigo ou levantam a bandeira. Por mais que você lute tem horas que teu corpo não te obedece mais, tua mente não aguenta a pressão e a tua alma já está rendida. Só quem passou por esse fogo sabe o que eu falo, não poder dominar o próprio corpo dá a sensação que vamos a deriva na vida, sem eira nem beira. A pior sensação de todas.


Iara De Dupont



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Um comentário:

clarissa disse...

OI, flor, leio o teu blog com regularidade e nunca comentei, apesar de te achar por vezes muito revoltada om a vida, acho que a tua sagacidade compensa esse excesso de revolta. Daí a minha surpresa com esse teu texto... Eu também passei mais de 30 anos lutando com a balança (ou achando que lutava) até tomar uma atitude de verdade, emagrecer 30kg e me tornar eu mesma, não "aquela gorda ali", agora eu sou só "aquela ali" e, te juro, foi bom demais... não, não fiz a bariátrica, não, continuo comendo meu chocolatinho de vez em quando e sim, milagres acontem... bjo, bom 2013

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