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10 janeiro 2013

O canto da Sereia e o canto da loucura



Ísis Valverde no Canto da Sereia

Liberdade é a base de qualquer criação, sem ela não se pode fazer muito. Televisão como qualquer meio precisa disso, mesmo que seja uma ''suposta liberdade'', que respondam a altos comandos. Mas às vezes bate a dúvida, até onde se pode ir em televisão, já que não sabemos quem assiste. Não é um bom caminho uma televisão didática, coisa muito comum em países latinos e lugares onde existe uma certa passividade diante dos fatos.

Um exemplo de novela didática é Carrossel, com suas falas e capítulos sempre encerrando a lição de moral, o aviso, as regras.
Acho um saco novelas ou programas assim, preocupados em passar uma constante moral sobre como as coisas deveriam ser, mas por outro lado, ao não saber quem assiste, até onde se pode mostrar coisas erradas?

Na terça-feira foi a estréia da mini-série ''O canto da Sereia'', onde Ísis Valverde interpreta uma cantora baiana. No momento mais importante, já que era a base de toda a história, ela é assassinada em cima de um trio elétrico, foi uma cena perfeita, muito bem feita, apesar de  explícita.
O problema é que de um modo ou outro mostraram a fragilidade de quem canta em um trio elétrico, ao mostrar a cena fica claro todos os erros de segurança que acontecem nesses trios e como uma cantora fica a mercê de qualquer loucura de alguém.
Deus me livre ser o diretor dessa série, caso contrário para mim seria um conflito terrível, o que escolher? Mostrar uma cena fundamental para a história, ou dar um jeito e disfarçar, pra não dar idéias para malucos?

Na novela ''Salve Jorge'' aconteceu uma situação que poderia ter sido perigosa de mostrar, mas a direção escolheu evitar isso e resolveu não mostrar, aconteceu quando duas personagens iriam viajar com droga no estômago. Como é uma novela, a direção disfarçou, quem não conhece bem o método, entendeu por cima como funciona, mas nada foi mostrado além do mínimo, foi uma boa decisão evitar mostrar os detalhes.

Muita gente diz que televisão não é feita para educar, mas para divertir. O problema é que de tanto ver uma cena as pessoas começam a achar normal. O outro dia eu estava vendo uma série na Warner e no comercial apareceram pelo menos três novas séries, todas violentas e com gente segurando armas. Daí ninguém entende porque os americanos adoram armas e vivem sempre debaixo dessa violência moral, onde nunca se sabe quando alguém vai entrar em uma escola e matar todo mundo.

Televisão tem uma grande influência em todos os sentidos, primeiro de um jeito ou outro ela ''mostra'' as coisas, não são todos que assistem televisão que tem capacidade de discernir e saber que aquilo ali não é real. Também acredito que o cérebro é como uma esponja, de tanto ver a mesma imagem, guarda aquilo e repete sem pensar.
Escolher cenas ou ter que evitar algumas pensando em malucos é uma decisão terrível para um diretor, ninguém deveria ter que trabalhar pensando em pessoas malucas que podem ver aquilo ali e repetir, mas ignorar isso e mostrar tudo explicitamente também é imprudente. No caso da série ''O canto da Sereia'' é tudo tão bem feito na série, a história é boa, ficou tudo tão perfeito que podiam ter amenizado a cena ou ter feito de um jeito que não ficasse tão claro os erros de segurança.

Qual é o objetivo da série? É divertir, mas se eu fosse cantora de axé e subisse em trios elétricos, depois de ver essa cena nunca mais subiria em um sem ficar gelada. Esse não é o objetivo da televisão, que acaba se alinhando com a mentalidade que já existe, de que são os bandidos os donos da situação e pessoas inocentes são as que ''gelam''.


Iara De Dupont

2 comentários:

MiIly Costa disse...

Então Iara, sabe que essa foi a conversa que tivemos aqui em minha casa no dia da estreia, a cena foi forte e bem clara nós também achamos que não era necessário passa-la com tantos detalhes, moramos em Salvador conhecemos a realidade da cidade e as ideias de louco que o povo tem, começamos a refletir sobre uma coisa que nunca havíamos pensado antes, que é o fato de como os cantores ficam expostos nos trios elétricos, e na fragilidade da segurança publica, verdadeiramente é o cenário perfeito para um crime fácil,e a frase exata que eu usei na hora que vi a cena foi: Isso é dar ideia pra maluco...

Anônimo disse...

Seu blog é bastante interessante. Adorei! Graças a Val Hello cheguei aqui. rs Esse é um bom ponto de vista. :))

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