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08 janeiro 2013

Dando um Google no ex-namorado...





Quando eu era adolescente tive um daqueles amores eternos, mas depois o tempo virou e acabou tudo.
Comentei sobre ele com uma amiga, que é um ratinho na internet, acha qualquer coisa. Então ela achou e me mandou o link. O problema é que ele tem um nome comum e muitas pessoas aparecem com o mesmo nome e a mesma idade. Antes não tinha esse mecanismo Google de clicar no nome e aparecerem um monte de imagens relacionadas ao nome, mas agora aparecem, daí minha amiga achou várias fotos e me mandou.

A questão é a seguinte, onde ele está? Pessoas mudam fisicamente e mudam demais, imagine então um rapaz adolescente. Fiquei meio perdida, até que achei uma foto que talvez fosse a dele, pelo olhar, o mais doce olhar que já conheci, mas o nariz não se parece com o dele, minha amiga diz que talvez ele fez plástica. Não sei, não tenho a menor ideia, não sei nada dele há pelo menos vinte anos.


Mas fiquei triste de não reconhecer ele pelo olhar, como é possível isso, a gente esquecer o olhar de quem amou da maneira mais pura? Na foto que fiquei na dúvida tem horas que acho que é ele, tem horas que não sei, não tenho certeza, mas como é possível isso, não reconhecer o olhar que um dia nos reconheceu?


Procurei por curiosidade, já que o Google permite esse comportamento meio doentio, mas sei que não conheço ele, eu apenas conheci um pedaço dele, há vinte anos, um pedaço puro, limpo, sem contaminação. Agora como adulto não tenho ideia do que ele faz,nem como é a vida dele. E não tem sentido procurar, já não sou a mesma garota de vinte anos atrás, pelo contrário, não diria nem pela aparência, porque até que melhorei, mas muitas partes da minha alma foram contaminadas e troquei a doçura pelo cinismo.


Existe a possibilidade de que ele não apareça em nenhuma das imagens que minha amiga achou, caso for assim vou ficar muito feliz, já que sempre achei que o olhar de quem amamos é a última coisa que abandona a memória.


Acho o olhar tão importante, tão fundamental, porque nada pode interferir, nada pode mudar, não tem plástica, botox, nada que possa mudar o olhar que a gente conhece. O que sentimos modifica um pouco, o tempo apaga os rastros de pureza, mas mesmo assim quando olhamos o que amamos o pouco de água limpa que ficou consegue chegar a superfície e mostrar o nosso melhor olhar.


Isso prova minha teoria que o Google no fundo não serve de muito. Não achei e se achei não reconheci um ex-amor, nas imagens não vi ele, minha amiga não conseguiu nada muito perto do que dizem o Google é capaz de achar de alguém.


Quem precisa de Google se tem um coração? Não achei ele aqui, mas está na minha mente, no meu coração, nas minhas lembranças, sempre vai estar. Aqui a imagem dele não bateu com minhas lembranças, mas ainda lembro dele descendo a escada com um sorriso tímido, um olhar doce. Ainda posso sentir o cheiro do perfume dele.


Minha amiga procurou por ele movida pela curiosidade que eu tinha, mas o passado nem sempre aparece no Google, a única coisa que realmente temos é o que vivemos, que fica no coração, na alma, na memória. Ele continua na minha, enquanto estiver lá não preciso de nenhum Google para ver aqueles olhos meigos que ele tinha.



Iara De Dupont

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