ADICIONE O BLOG SMM AOS FAVORITOS! OBRIGADO PELA SUA VISITA E LEITURA!

DESDE 2010. ANO VI. MAIS DE 2.000 POSTS.

GUEST POST NO ESCREVA LOLA ESCREVA

CURTA NO FACEBOOK


E-MAIL
sindromemm@gmail.com

18 dezembro 2012

Se está ruim na Suécia imagina aqui...

Suécia, os dias de paraíso chegaram ao fim...

Em um mundo de boas intenções, frases meigas e beijos virtuais, muitos assuntos são empurrados para debaixo do tapete.
Mexer neles então parece coisa de gente preconceituosa, racista, intolerante e reacionária. Se está tudo escondido, talvez por milagre possa desaparecer.

Uma blogueira sueca publicou um texto e foi rapidamente condenada, chamada de racista e xenofóbica.

Quando estou de bom humor não acredito nas diferenças de gênero, pelo contrário, defendo a ideia de que todos somos humanos e agimos de acordo a nossa consciência, não de acordo ao gênero. Mas em dias não tão bons acredito que existe uma linha invisível que separa o pensamento masculino do feminino.

E ao ler o texto da blogueira, publicado em um site americano, tive certeza disso. Parece que as mulheres conseguem decifrar imediatamente o que ela quis dizer, já os homens reagem e chamam ela de racista e xenofóbica.


A moça conta sua vida na Suécia, esse lugar que para muitos parece o paraíso. Cresceu na igualdade e na justiça. Mesmo assim saiu várias vezes dessa bola de cristal, viajou o mundo inteiro e conheceu outras culturas.

As amigas estrangeiras se cansou de explicar o conceito de paquera na Suécia. Quem gosta de uma pessoa vai lá e puxa conversa. Ao contrário do resto do planeta os homens suecos aprendem desde pequenos que as mulheres são iguais a eles, essa frase de ''homem pode, mulher não'' não existe lá.

Mulheres não são objetos, não são tratadas como brinquedo, não são propriedade de ninguém. Eles não conhecem essa divisão cultural na qual vivemos e parece natural, onde o homem acredita que ser agressivo com a mulher é um exercício de sua masculinidade, afirmação  normal do seu gênero.


Um dia na Suécia a moça estava com suas amigas em um parque. E ali deitadas, pegando o sol, começaram a escutar comentários de baixo calão. Ao se virarem repararam que vinham de um grupo de estrangeiros. Com medo preferiram ir embora.


No texto ela é clara, defende a imigração, como sueca entende o conceito de direitos humanos melhor do que ninguém, entende a necessidade que existe detrás da imigração e como grandes países se constroem na mistura de diferentes culturas.

Mas sabe também que países como Suécia, Finlândia e Noruega são exceção no mundo.

A Noruega discretamente começa a apresentar rachaduras na parede. Com a imigração os serviços públicos começaram a sentir o peso, o sistema que antes funcionava perfeitamente, agora começa a mostrar sinais de cansaço.


E a questão cultural, que essa moça levanta no texto? Imigrantes não trazem só a vontade de trabalhar e construir uma vida, também carregam sua bagagem cultural, social, emocional.

As suecas que não conheciam o sexismo e o machismo, estão começando a sentir o mesmo desconforto e medo que as latinas, europeias e orientais sentem.
Ela pergunta ''É normal se sentir despida com olhares de estranhos?''.

Não, normal não é, mas acontece. Muitos homens que chegaram como imigrantes a Suécia levaram o costume de desnudar as mulheres com o olhar, olhar os seios indiscretamente, fazer comentários de cunho sexual, usar palavras de baixo calão e passar a mão em transporte público.


O horror da sueca diante dessa nova realidade é o horror de quem nunca passou por isso. Como essas meninas suecas vão poder se defender se nem sabem o que é isso? Elas não conhecem as agressões que quase todas as mulheres passam no mundo inteiro, nunca foram tratadas como objetos nem consideradas brinquedos sexuais.


Até em países de primeiro mundo como os Estados Unidos existe uma campanha para ensinar as mulheres a dizerem ''não'' e os homens a entenderem esse ''não'', um país poderoso ensinando isso, diante do enorme número de estupros em campus universitários, já que os americanos confundem as coisas como os latinos e tendem a acreditar que se uma mulher frequenta alguma festa na universidade está automaticamente pedindo por sexo.


Apesar do cuidado, o texto da sueca caiu em desgraça, a reação foi tão violenta que o blog foi tirado de circulação.

Os homens que leram o blog acusam ela de ser xenofóbica e incentivar o ódio aos estrangeiros. Ela se defende, dizendo que apenas quer de volta o direito de frequentar parques e não se sentir assaltada sexualmente, nem por gestos nem por palavras.

Por matemática a blogueira deveria saber que não tem pra onde correr. Existem apenas três países no mundo que respeitam a mulher e com o passar do tempo eles serão invadidos por outras culturas, acostumadas a maltratar e abusar das mulheres.

Em poucas décadas a cultura predominante na Suécia será estrangeira e com o tempo todos os tipos de violência serão inseridos no dia dia delas.

Hoje parece anormal alguém passar a mão em uma mulher sueca em um transporte coletivo. Mas e amanhã?

O futuro? Será pior do que ela imagina. Fechar as fronteiras é considerado um gesto de má vontade política, xenofobia e não resolve a questão. Já existem suficientes imigrantes na Suécia com filhos, passando de geração em geração a ideia de que mulheres são objetos.

O mundo pode mudar e deixar para trás essa mentalidade?Não. Pelo menos não será nesta vida, ainda vai levar uns séculos.


Não houve tempo das coisas mudarem e se transformarem como foi na Suécia. Agora as mulheres de lá estão condenadas a perder o status de cidadãs e se tornarem mulheres, como no resto do mundo, esse gênero perseguido, torturado, estuprado e escravizado.


Era para que nós mulheres latinas, europeias e orientais chegássemos ao ponto onde as suecas estão. Éramos nós que sonhávamos morar em um lugar sem preconceitos, mas o mundo virou do avesso de vez e agora serão as suecas e norueguesas que vão se unir a nós. Parece que os machistas ganharam e não existirá um lugar na Terra onde uma mulher não seja tratada como objeto.


Mas as coisas ainda estão acontecendo e a história sempre pode tomar outro rumo, talvez isso que aconteceu na Suécia seja um alerta para todas as mulheres no mundo para pressionar os governos a investir na educação, só ela pode mostrar o caminho certo para todos e garantir uma sociedade melhor e igualitária, onde os direitos de todos sejam respeitados.


Iara De Dupont

Um comentário:

Anônimo disse...

Virei fã dos seus textos... esperando pelo próximo post, sempre!

Leia outros posts....

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...