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07 dezembro 2012

Quero colocar fogo no alface! (que ódio dessa maldita reeducação alimentar)




Tenho plena consciência que ninguém vem a esse mundo com a vida resolvida, caso já tivesse não viria aqui, estaria em um outro mundo melhor. Sei que todos passam pelos seus perrengues e tem seus desafios, cada um de uma maneira e também sei que é feio se queixar, reclamar, por um momento esquecer que tem milhões de pessoas que passam coisas piores. Mas eu não posso responder por milhões de pessoas nem estou na pele delas, sinto apenas as minhas dores, não a dos outros, por isso reclamo e bato o pé de vez em quando ou quase sempre.

Já me chamaram de traumatizada, inclusive isso foi mencionado várias vezes por algumas pessoas que me honram com sua visita ao meu humilde blog. Sim, sou uma traumatizada e será que tem alguém neste mundo que possa passar por esta vida louca sem traumas? É possível isso?

Tem dias que eu canso, na verdade seguir uma reeducação alimentar me enche o saco todos os dias. Fazer o quê, não consigo acordar sempre com vontade de comer frutas e passar longe do pão. No fundo acho injusto, penso nisso direto. Tantas coisas que já não podemos fazer ou ter, somos obrigados a nos manter na linha o tempo inteiro, engolimos as besteiras do mundo, ficamos quietos e mentimos, mentimos e mentimos e ainda por cima ter que regular o pão parece um calvário, só quem passa por isso entende.

Quantas pessoas dá vontade de matar e não matamos?Simplesmente porque não se pode cruzar essa linha, então a gente segura a vontade, mas de repente segurar uma vontade tão simples como de viver comendo carboidratos é demais.

Eu como pão e batata, mas em quantidades iguais a alguma prisão na Tailândia, já me falaram que eu não como, eu experimento a comida.
Se dependesse de mim eu colocava fogo no alface do supermercado. Na verdade nem como alface, de tão sem graça que eu acho.

Acho um porre viver assim. Gosto de água e não moro perto do mar, adoro o Ryan Gosling e não tenho ele na minha cama, tantas coisas que eu gostaria de ter e não tenho, nem o direito de me afundar em uma caixa de chocolates baratos eu posso fazer.

Quem tem problemas com o peso vive como uma criança diabética, vendo todos comer sem poder fazer o mesmo.
O pior é que se eu pelo menos tivesse sessenta quilos, ainda valeria a pena viver sem pão, mas não cheguei lá, eu apenas me controlo para não piorar o que parece não ter mais conserto e assim vivo vigiando tudo.

Fica todo mundo falando que o metabolismo fica lento com a idade, mas isso é conversa fiada, já vi gente nos Vigilantes do peso com mais de sessenta anos perdendo mais peso do que uma menina de 20 anos. O que fica lento com a idade é a paciência, a gente conhece a vida com o passar dos anos, começa a perceber que não existe esse arco-iris e percebe como as coisas vão rápido e por que negar, a comida traz felicidade sim, caso não fosse assim não seria tão difícil perder peso.

Não sou viciada em chocolate porque não posso viver sem o cacau, sou viciada no chocolate pela sensação de bem estar e relaxamento que me traz, como se eu fosse incapaz de ser feliz sozinha, então o chocolate acalma meu coração.

O ato de comer está ligado a tantas coisas, tantas emoções, que tentar vigiar, controlar, diminuir ela acaba destruindo a vontade de fazer as coisas, dietas vão te neutralizando e você nem percebe o quanto fica infeliz com isso. 
Talvez eu sou medíocre mesmo, as pessoas são felizes com milhões, com carros, e eu sou feliz com meus chocolates, mas não posso viver nessa felicidade, porque faço a reeducação alimentar, para controlar meu impulso pelo chocolate.

Tem gente que precisa da pessoa amada para ser feliz, eu com um bom brigadeiro me dou por feliz. Mas alguma coisa devo ter feito em outras vidas e estou pagando nessa, porque só quem vigia o peso como se vigia um prisioneiro sabe a dor das subidas na balança. Além de tudo é cansativo viver assim, é um porre, atrasa tudo, te deixa infeliz, regular a comida é uma coisa que derruba qualquer ser humano, se não fosse assim ela seria liberada em prisões e lugares assim, mas a primeira coisa que cortam para dobrar a pessoa é a comida.

A quantas coisas temos que renunciar? Quantas coisas queremos, nos ralamos e nem por isso temos? De repente do nada, o pão de queijo que não podemos comer transborda o copo, aperta a alma, faz o mundo parecer pior do que parece.

E quem consegue viver neste mundo sem uma muleta?Quem critica os gordos também tem seu calcanhar de Aquiles, ou bebe, fuma, é promíscuo, se droga, ou é viciado em compras ou exercícios.

O problema neste planeta não é a muleta que usamos, porque todos usamos uma, o problema é quando essa muleta é proibida e parece que não podemos avançar em nada. Só quem é gordo entende o que eu estou falando, uma pena isso, porque se as pessoas entendessem o carma que os gordos têm que atravessar não seriam tão cruéis.

Iara De Dupont

Um comentário:

Maysa disse...

Iara, poucas vezes li um texto que verbalizasse tão bem o que eu sinto, o que eu tento falar na terapia e não consigo. Todos tem uma muleta no entanto só o gordo mostra a primeira vista onde é o seu ponto fracos, para os demais ao menos temos que dedicar no mínimo dois dedos de prosa para identificar onde o bicho pega, para os gordos basta nos olhar e julgar.

bjos

Maysa

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