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09 dezembro 2012

Quem assume suas responsabilidades acontece no mundo





Tudo é culpa dos outros, do tempo, da economia, do mundo...


Tempos atrás um estudante americano veio morar na minha casa. Era uma graça de pessoa, um doce e muito, muito engraçado. Apesar de ser ligado a sua família ficava meio sem entender porque o núcleo familiar latino era tão forte. Ele como a maioria dos americanos tinha saído de casa aos dezoito anos para fazer faculdade e depois caiu no mundo.

Um dia ele bebeu todas e passou mal. Perguntei a ele se queria ir a um hospital e ele disse que ia melhorar, que ia passar o mal estar, falei então que qualquer coisa a gente poderia ligar para seus pais, se ele precisasse ou quisesse falar com eles, e ele rapidamente me disse:


-Não, eu sou de minha responsabilidade.

Nunca escutei isso dos meus milhões de primas e primos. Não é uma frase comum, simplesmente porque acreditamos tanto na estrutura da família que acabamos por achar que somos responsabilidade do outro e levamos isso para toda a vida. E na verdade cada um é sua responsabilidade, não tem essa de ficar jogando em cima dos outros.


Já vi gente dizer, eu mesma já disse, que fiz coisas erradas porque andei com pessoas erradas, mas a verdade não é essa, fiz por besta mesmo, não foi responsabilidade de ninguém, nem meus relacionamentos falidos foram de responsabilidade do outro.


O pior é que estamos tão certos de que todos são de responsabilidade de todos que quando alguém faz uma besteira a primeira coisa que diz a família é  ''Vocês poderiam ter me avisado ''.

É mesmo meu bem? Então além da minha vida, tenho que cuidar da tua? Além de tudo que carrego comigo ainda tenho que sair avisando meus parentes e amigos dos seus futuros eventuais erros.
E a gente ainda vira e responde ''Não te disse? Eu te avisei...''

Ora, pra que isso, se cada um é de sua responsabilidade? Por que tão difícil aceitar que estamos sozinhos e as conseqüências dos nossos erros não podem ser terceirizadas? Pior ainda é quando a pessoa não acerta, parece ali, dopada, sem reagir, só fazendo besteira e depois jogando a culpa nos outros.


Quem pode jogar a culpa nos outros é quem está com as mãos amarradas ou uma arma na cabeça, caso contrário fez porque quis e que aprenda a assumir sua responsabilidade.


O que tem de tão assustador em assumir suas responsabilidades? Será mesmo que ser o neném da família a vida inteira é um bom negócio?

Quem não assume a sua vida, as suas responsabilidades acaba perdendo o respeito, é impossível respeitar quem acha que é um bebê e todos tem culpa nos seus erros e o mundo deveria parar e avisar que ele está errado, caso contrário o mundo mostra como é mau.
Ninguém é da minha responsabilidade e não sou paga para sair avisando onde estão os buracos na rua, quem quiser que preste atenção.

Depois desse estudante americano, chegou um canadense, com um jeito parecido de pensar e agir. Era um grupo de estudantes de todos os lugares e é engraçado ver como em um grupo tão grande, apenas o americano e o canadense chegaram a um lugar no mundo, hoje são reconhecidos e estão no topo de suas profissões. Os outros estudantes latinos andam por aí, chorando pelos cantos, reclamando da economia, da chuva, das mulheres, da família, do caos, da corrupção, do vento, do sol... Todos os elementos tem culpa e interferiram no seu sucesso. Já para o americano e o canadense que assumiam ser de sua responsabilidade o mundo se ajoelhou. Apenas porque eles se dedicaram a trabalhar e não ficar culpando os outros pelos seus erros. Ah, mas eles são de países que andam pra frente, é verdade, isso ajuda, mas mesmo em países atrasados como o Brasil, tem muita gente conseguindo as coisas.


A vida é assim mesmo, quem trabalha e assume as rédeas dos seus sonhos, conquista, quem fica enrolando, jogando a culpa nos outros, chorando na calçada vê a vida passar e acaba achando que nada tem graça. Mas não tem mesmo, a beleza da vida só aparece quando assumimos que somos apenas uma pessoa e ninguém tem que nos avisar nem cuidar de nada, assumimos nossos erros e responsabilidades. Só quando nos libertamos dos outros entendemos a nossa grandeza.


Iara De Dupont


Um comentário:

Anônimo disse...

Iara, não sei se concordo até o fim com você... Como eu gostaria de acreditar que responsabilidade e esforço geram reconhecimento... Mas tenho sérias dúvias.

Os meios artísticos e intelectuais são muito restritos. Vejo pessoas ralarem durante anos a fio, com resultados pífios. Um ator com mais de vinte anos de carreira não tem dinheiro para pagar o aluguel, para ir ao dentista. Doutores em ciências humanas, depois de quinze anos de estudos, não encontram uma colocação profissional digna. Isso é absolutamente real. Até onde é justo culpar o indivíduo? Será que tudo pode ser reduzido a uma questão de mentalidade inadequada? Ou será que as condições de trabalho não são mesmo excludentes para a imensa maioria das pessoas que atuam nessa área?

Eu também não gosto de pessoas choronas, que justificam o fracasso. Concordo que essa atitude diante da vida é nociva, pois piora as coisas. Mas também não consigo me apegar à ilusão do "self-made man" americano. É raríssimo que alguém produza sozinho as condições do próprio sucesso. Em geral, as pessoas que tiveram êxito puderam contar com uma estrutura pessoal prévia, que inclui classe social, educação formal, amparo familiar, direcionamento político etc.

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