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25 dezembro 2012

Não tem mais espelho no olhar dos outros




Só quem está na frente do espelho sabe o que está vendo
Dia desses eu estava lendo um blog, BLOG e tinha lá um post de uma menina de treze anos, dizendo que era perseguida na escola por sua aparência e sofria muito por isso. A dona do blog, a Lola, respondeu dizendo que ela também era ignorada na escola nessa idade e colocou fotos dela, dizendo que percebia agora que era uma menina bonita, ao contrário do que diziam a ela.

Fiquei com esse post na cabeça porque por algum motivo esse assunto esteve na minha mente, semanas atrás. Em algum lugar li a frase -''A pior coisa sobre nós mesmos é quando não temos consciência do que somos''.


Arrumei umas gavetas e acabei achando umas fotos. E de repente comecei a tomar consciência da minha aparência, que ela não corresponde ao que me diziam. Durante muitos anos sofri em agências de atores, porque diziam que eu era magra para interpretar uma gorda, mas era gorda para interpretar uma magra. Eu ficava ali, no limbo, porque além disso, dessa barreira profissional, a minha vida pessoal era um lixo, porque de uma maneira ou outra sempre me sentia atraída por homens que preferiam as magras, vivia em um círculo onde nada fechava.


E esse assunto tem me perturbado por dias. Parece que o arrependimento começa a dar voltas no meu quarteirão, me dizendo o que deixei de fazer por achar que minha aparência era uma, não outra.


E lembrei de um amigo. Conheci ele em uma festa, na verdade era a festa de noivado dele, fui de penetra, com outro amigo que era apenas conhecido dele. Mas ele foi gentil e acabei amiga dele. Sempre lembrei muito dele nessa festa, poucas vezes vi um homem tão bonito.


Muitos anos depois fiz um jantar na minha casa e o convidei. Acho que eu não o tinha visto durante sete anos. Foi a única vez na minha vida que eu não reconheci uma pessoa, apesar de ter passado tão pouco tempo. Vi ele na minha porta e perguntei quem era, então ele disse, mas minha mente não entendia o que estava acontecendo, eu reconhecia a voz, mas não ele. Fiquei muito chocada, ele tinha uma aparência largada, com barba, parecia velho, era outra pessoa.

Uma amiga que estava na minha casa e conhecia ele também não reconheceu. Depois que ele foi embora minha amiga comentou que ele tinha engordado muito, mas eu não reparei nisso, a roupa era tão larga que não daria para dizer isso. Alguém me disse uns dias depois que ele não estava bem, a mulher tinha ido embora com o filho, ele perdeu o emprego e estava muito deprimido.

Depois de um tempo ele melhorou e a vida voltou ao normal. Sempre me perguntei se ele tinha noção do bonito que era, se uma pessoa com consciência da própria aparência seria capaz de se largar assim, até virar outra pessoa.


Um dia não resisti e acabei contando essa história para ele, que deu risada e me disse:


-Na boa, eu nunca foi bonito.

Eu não fui a única a dizer isso e mesmo assim ele não acreditava.

A aparência que vemos no espelho não é a mesma que os outros vêem. Agora vendo minhas fotos vejo que não fui quem diziam que eu era, não era verdade, eu era muito melhor do que me fizeram sentir e mais atraente do que pensava. Não era e nunca fui o pedaço de lixo que os meus namorados insistiam em dizer que eu era, não era o monstro que as agências insistiam em afirmar, não era o que eles disseram. Caminhei pela vida sem espelhos, ou talvez usando espelhos como Alice, para entrar em outros mundos e fugir do meu.


Por isso as fotos são tão importantes na história de alguém, elas provam o que realmente existiu, quem era a pessoa ali diante da câmera. Tantos horrores no mundo não podem nem ser descritos, mas a foto mostra a verdade a todos.


O meu espelho está no banheiro, não no olhar do outro. Construí uma falsa identidade com o que me disseram e agora as fotos na minha frente mostram que eu não era a pessoa que os outros diziam ser. Sempre fui muito melhor que todos esses malditos juntos que me humilharam. E não posso nem chegar aqui e dizer que eles tem culpa, eu também tenho porque escutei.


Não sei quanto tempo se passou, nem quanto tempo eu perdi por acreditar que tinha uma aparência que não tinha. Não sei tudo que perdi por isso ou deixei ir. Mas fico feliz de saber que a pessoa que os outros descrevem eu não reconheço mais. Falam dela, não de mim. Eu sou outra, o espelho é outro, a realidade é outra. E dessa vez eu escuto a minha voz, não a alheia. São minhas fotos que me mostram o que existe ou não, os outros não me constroem nem destroem mais. Lamento o tempo perdido, mas agradeço o tempo que ainda resta para viver com a aparência que eu sei que tenho, que eu sei que é muito melhor do que dizem ser.


Iara De Dupont

3 comentários:

Poeta da Colina disse...

Construir-se é o passo mais complicado e importante dessa vida.

Acho que nada na busca desse encontro é perda de tempo.

Anônimo disse...

Eu te acho linda...e já vi uma foto sua de criança,linda e meiga.
FELIZ ANO NOVO.
Ana Márcia

Anônimo disse...

No Domingo Espetacular,matéria sobre gordinhos....só quero ver como vão nos ridicuarizar agora....é nesse domingo

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