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02 dezembro 2012

Até um creme de milho pode ser um aviso...





Poucas coisas me intrigam mais do que os famosos  ''sinais'', aqueles avisos do céu. Volto a esse assunto quase sempre, atraída, hipnotizada por todas essas histórias de sinais, o jeito que a vida avisa aonde estamos nos metendo.

E cada vez mais me convenço que não são os olhos que percebem os sinais, mas os ouvidos. Se a gente escutasse 10% do que as pessoas dizem talvez pudéssemos evitar tanta dor.


Uma vez um ex-namorado me contou sobre a namorada anterior a mim, pelo jeito o amor da vida dele. Me disse que um dia a moça entrou na cozinha e disse que ia fazer um creme de milho, ele disse que tudo bem e finalizou:

-Não vai sujar a cozinha, não quero ver milho no teto. 
Então ela respondeu que faltava manteiga e ia sair para comprar, saiu e nunca mais voltou. Deixou tudo lá, foi embora com a roupa do corpo.

Devido a diferença de idades deles, quase dez anos, eu conclui que a moça era muito jovem para uma relação séria e ela estava naquela idade de não perceber as coisas boas do mundo, era aventureira, inquieta, e não tinha os pés no chão, na casa dos vinte devia achar que homens incríveis como aquele fulano caiam das árvores.


Menos de um mês depois de ir embora ela mudou para a Índia, se casou, mudou de religião e teve um filho. Só dois anos depois foi visitar o ex, que na época era meu atual e disse que perdoava ele por tudo.

Ele deixou as coisas dela em um canto do apartamento, mas aquilo sempre me incomodou, parecia uma lembrança proposital  da presença dela.

Três anos depois disso eu pedi uma carona a ele depois de um dia de trabalho juntos e ele disse que não poderia, mas se eu quisesse poderia me deixar no metrô. Voltei a minha casa e nunca mais vi ele. Deixei coisas pessoais na casa dele, que eu gostaria de nunca ter deixado, mas pensar em voltar lá parecia pior.


Nunca me perguntei porque a moça entrou na cozinha e resolveu sair dali em minutos. Nunca pensei no lado dela e não vi aquilo como um aviso, mas na verdade o fulano era além de insuportável, era como um encosto, todos os dias falando coisas ruins que eu fazia e apontando meus erros, criticando tudo o que eu dizia, imagino que foi assim com ela, por isso a moça saiu correndo como eu acabei saindo.

Não posso dizer porque não estava ali, mas imagino que ele deveria ser com ela como era comigo, todos os dias massacrando e mostrando todos os defeitos. Não é humano aguentar tanto tormento.

Quando eu fui embora entendi a moça, entendi porque ela tinha saído correndo e mudou de continente, também entendi porque um dia quis voltar e dizer  que perdoava ele. Quando a gente cai em uma relação assim, tão dolorosa, ao sair nos culpamos por ter permitido tantos abusos, ficamos com ódio de nós mesmas e arrastamos um ódio mortal pela pessoa que nos maltratou tanto, por isso ela voltou para dizer que perdoava ele, caso contrário ela ficaria remoendo o ódio pelo resto da vida.


De todas as histórias que eu escutei ele contar sobre ela por alguma estranha razão guardei essa do creme de milho. Era apenas a minha história sendo contada antes do tempo, um aviso de como seria meu futuro ao lado dele, mas eu não escutei, eu terceirizei a história, como se fosse o rolo deles, não um aviso a minha pessoa.


Sei hoje que quando ele disse para ela não sujar a cozinha era outra crítica, no meio de tantas, a última que ela não aguentou.


E se eu tivesse escutado a história que ele contou? Não sei o que poderia ter sido diferente, já que eu estava apaixonada, mas acredito que analisar a pessoa que amamos não é crime, pelo contrário, é sobrevivência. Conhecer seus defeitos e limites nos dão ideia de com quem estamos lidando e até onde podemos ir. Mas o amor além de cego faz questão de nos deixar surdos. Os avisos estão ali, se os olhos não vêem os ouvidos escutam e se fingimos não saber de nada ou não prestar atenção em nada então o problema é nosso e depois só resta chorar no travesseiro, que como dizem por aí, é lugar quente.



Iara De Dupont

2 comentários:

Carolina disse...

Iara,
adorei o post, achei divertido. rs... A homenagem do Gianecchini eu vi e achei descabida. Claro que tem seus méritos, venceu uma etapa muito difícil, mas quantas pessoas passam por situações iguais e até piores e não recebem homenagem nenhuma?
Agora, a da Geisy Arruda, não vi. Bizonho, pra dizer o mínimo.
Beijos,
Carol

nove meses disse...

nossa, adorei essa estória do creme de milho.

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